Destas mãos que falam, saem gritos d'alma, gemidos de dor, às vezes, letras com amor, pedaços da vida, por vezes sofrida, d'um quase iletrado escritor. Saem inquietações, também provocações, com sabor, a laranjas ou limões. Destas mãos que falam, saem letras perdidas, revoltas não contidas, contra opressões, das nossas vidas! (Alberto João)

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Ribeiro Santos foi assassinado pela PIDE há 48 anos



José António Ribeiro Santos foi um conhecido dirigente estudantil, militante de uma organização maoista então na clandestinidade, o MRPP. 

A sua morte pesou enormemente no movimento estudantil e revolucionário daquela época, mobilizou um grande número de pessoas até então não despertas para a luta política e o seu funeral transformou-se numa grande batalha contra o fascismo e contra a guerra colonial. 

O exemplo político e o exemplo do carácter pessoal de Ribeiro Santos perduraram durante décadas e, apesar das actuais tentativas para os diluir ou mistificar, continuam bem fundas no coração dos revolucionários e antifascistas portugueses.




 

Vararam-te no corpo e não na força
e não importa o nome de quem eras
naquela tarde foste apenas corça
indefesa morrendo às mãos das feras.

Mas feras é demais. Apenas hienas
tão pútridas tão fétidas tão cães
que na sombra farejam as algemas
do nome agora morto que tu tens.

Morreste às mãos da tarde mas foi cedo.
Morreste porque não às mãos do medo
que a todos pôs calados e cativos.

Por essa tarde havemos de vingar-te
por essa morte havemos de cantar-te:
Para nós não há mortos. Só há vivos.

(José Carlos Ary dos Santos)



quinta-feira, 24 de setembro de 2020

GRIPE ESPANHOLA - EM MEMÓRIA DOS MEUS AVÓS MANUEL JOÃO E ELVIRA DOS ANJOS



A gripe espanhola, também conhecida como gripe de 1918, foi uma vasta e mortal pandemia do vírus influenza.

De janeiro de 1918 a dezembro de 1920, infetou cerca de 500 milhões de pessoas, um quarto da população mundial na época.

Estima-se que o número de mortos esteja entre os 50 milhões e os 100 milhões, tornando-a uma das pandemias mais mortais da história da humanidade.

A gripe espanhola foi a primeira de duas pandemias causadas pelo influenza vírus H1N1, sendo a segunda ocorrida em 2009.

 Durante a Primeira Guerra Mundial, os países aliados frequentemente chamaram a pandemia de "gripe espanhola."

Isso ocorreu principalmente pois a pandemia recebeu maior atenção da imprensa em Espanha do que no resto do mundo, uma vez que o país não estava envolvido na guerra e não havia censura.

Em Espanha, recebeu o nome de "gripe francesa."

Em Portugal é mais conhecida como "gripe pneumónica" ou simplesmente "a pneumónica".

Em Espanha teve um dos piores surtos iniciais da doença, e autoridades de saúde do país chamaram a pandemia de "apenas gripe" ou "a gripe", de modo a evitar o pânico entre a população.

Embora os cientistas não saibam ao certo a origem da pandemia, é improvável que tenha iniciado na Espanha.

A maioria dos surtos de gripe mata desproporcionalmente os mais jovens e os mais velhos, com uma taxa de sobrevivência mais alta entre os dois, mas a pandemia de gripe espanhola resultou numa taxa de mortalidade acima do esperado para adultos jovens. 

Os cientistas deram várias explicações possíveis para esta alta taxa de mortalidade de 2 a 3%.

Algumas análises mostraram que o vírus foi particularmente mortal por desencadear uma tempestade de citocinas que destrói o sistema imunológico mais forte de adultos jovens.

Por outro lado, uma análise de 2007 de revistas médicas do período da pandemia descobriu que a infecção viral não era mais agressiva que as estirpes anteriores de influenza.

Em vez disso, asseveraram que a desnutrição, falta de higiene e os acampamentos médicos e hospitais superlotados promoveram uma superinfeção bacteriana, responsável pela alta mortalidade.

Em Portugal, terão morrido com a "gripe espanhola" cerca de 120 mil pessoas.

Os meus avós paternos Manuel João e Elvira dos Anjos, residentes na aldeia de Asnela, freguesia de Vilares, concelho de Murça, foram dois dos portugueses que não resistiram a esta "gripe pneumónica".

Por isso, curvo-me humildemente perante as suas memórias. 




 

terça-feira, 22 de setembro de 2020

HOJE COMEÇA O OUTONO 2020 EM PORTUGAL



Hoje, terça-feira, 22 de setembro de 2020, ocorre o Equinócio do Outono, precisamente às 14h31.
O Equinócio do Outono é o nome que se utiliza na astronomia para o fenómeno que marca o final do Verão e chegada da nova estação, o Outono.
O Equinócio de Outono assinala o instante em que o sol, tal como o vemos a partir da Terra, cruza o plano do equador celeste, o que se verifica em Setembro no hemisfério norte (Portugal, por exemplo) e em Março no hemisféri
o sul (Brasil, como exemplo). 
O Outono do hemisfério norte é o "Outono Boreal" enquanto o Outono do hemisfério sul chama-se "Outono Austral".
O Outono de 2020 termina às 10h02 do dia 21 de Dezembro, dando lugar ao Inverno.
Votos de um Outono 2020 (para os leitores que estão no hemisfério norte) e uma Primavera 2020 (para os leitores que estão no hemisfério sul) com muitos momentos Felizes! 
Bom dia! 



 

terça-feira, 18 de agosto de 2020

TEMPO

 Ontem o tempo foi meu

Aqui e agora o tempo mudou

Aos olhos dos tempos, o mesmo não sou

A esperança bom tempo prometeu

Mas o tempo mau, bom tempo adiou.






Alberto João, Muge, 17 de Agosto de 2020

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Faz hoje 45 anos que o PCP fez de mim um preso político



No dia 28 de Maio de 1975, forças do COPCON (Comando Operacional do Continente), comandadas por Otelo Saraiva de Carvalho, mas cumprindo ordens de Álvaro Barreirinhas Cunhal, na altura chefe do PCP, invadiram várias sedes do MRPP (Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado), incluindo a sede nacional na Avenida Álvares Cabral (que liga o Largo do Rato à Estrela), em Lisboa, e prenderam, sem mandado judicial, cerca de 400 militantes daquela força politica que se encontravam a fazer trabalho politico em diversos locais.

Ao contrário daquilo que viria a fazer Otelo, uns anos depois (ironias do destino!?), os militantes do MRPP não faziam terrorismo. Não assaltavam bancos. Não eliminavam pessoas fisicamente. A sua luta era outra. Era a luta das ideias.

O MRPP tinha uma forte implantação na juventude, particularmente na estudantil, que enfrentava e assustava o PCP que queria instalar em Portugal um "paraíso" modelo soviético.

 - Otelo Saraiva de Carvalho -

Eu tinha 17 anos de idade, e fui um dos detidos. Estava a cometer o 'grave crime' de colaborar na feitura da secção cultural do "Luta Popular", o jornal do Movimento.

Já lá vão 45 anos, mas não consigo esquecer tamanha barbaridade.

Quando vejo dirigentes do PCP na televisão a falarem em falta de liberdade, fico revoltado com esses senhores.

Acontecimentos ocorridos no mesmo dia (28 de Maio de 1975), que ajudam a perceber o ataque ao MRPP:

- Manifestação de apoio ao MFA convocada pelo PCP, MDP e Intersindical, com discurso gratulatório de Costa Gomes (homem do PCP).

- Brigadeiro Vasco Gonçalves (homem do PCP) é promovido a general.

- Brigadeiro Otelo Saraiva de Carvalho (na altura leal ao PCP) é graduado no posto de general.

- Capitão Vasco Lourenço (homem do sector moderado, não alinhado ao PCP), porta-voz do Conselho da Revolução, assegura que o «processo revolucionário em curso não é propriedade de nenhum partido político».



- Álvaro Barreirinhas Cunhal, o prisioneiro que virou carcereiro -




quinta-feira, 21 de maio de 2020

Hoje é Quinta-feira da Ascensão/Dia da Espiga e é feriado em Salvaterra de Magos e em mais 30 municípios portugueses



Ascensão de Jesus

Para o consenso da maioria dos cristãos, a doutrina da Ascensão afirma que o corpo de Jesus, depois de quarenta dias da sua Ressurreição, na presença dos apóstolos, ascendeu aos céus onde se encontrou na presença de Deus Pai, não só em espírito, mas também em sua pessoa humana.

A documentação histórica é narrada nos evangelhos de Marcos (16:19) e Lucas (24:50-51), no livro dos Atos dos apóstolos (1:9-11) e na carta de Paulo aos Efésios (4:7-13). Este acontecimento é afirmado pela liturgia cristã, no Credo apostólico e no Credo de Nicéia.

O Dia da Ascensão é tradicionalmente celebrado na quinta-feira, trigésimo nono dia após o Domingo de Páscoa. Contudo, algumas províncias católicas mudaram essa celebração para o domingo subsequente.




O Dia da espiga ou Quinta-feira da espiga é celebrado no dia da Quinta-feira da Ascensão com um passeio matinal, em que se colhe espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga. Segundo a tradição o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada, e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte.

As várias plantas que compõem a espiga têm um valor simbólico profano e um valor religioso.

Crê-se que esta celebração tenha origem nas antigas tradições pagãs e esteja ligada à tradição dos Maios e das Maias.

O dia da espiga era também o "dia da hora" e considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se devia trabalhar. Era chamado o dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que em que tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam". Era nessa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da espiga e também se colhiam as ervas medicinais. Em dias de trovoadas queimava-se um pouco da espiga no fogo da lareira para afastar os raios.

A simbologia por detrás das plantas que formam o ramo de espiga:
  • Espiga – pão;
  • Malmequer – ouro e prata;
  • Papoila – amor e vida;
  • Oliveira – azeite e paz; luz;
  • Videira – vinho e alegria;
  • Alecrim – saúde e força.

Na Quinta-feira da Ascensão é feriado nos seguintes concelhos:


Alcanena, Alenquer, Almeirim, Alter do Chão, Alvito, Anadia, Ansião, Arraiolos, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Beja, Benavente, Cartaxo, Castro Verde, Chamusca, Estremoz, Golegã, Loulé, Mafra, Marinha Grande, Mealhada, Melgaço, Monchique, Mortágua, Oliveira do Bairro, Quarteira, Salvaterra de Magos, Sobral de Monte Agraço, Torres Novas, Vidigueira, Vila Franca de Xira.


terça-feira, 12 de maio de 2020

São estas palavras de José Régio que me guiam há 62 anos...




“Vem por aqui”- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui”!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali.
...
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos.
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: “vem por aqui”?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
a ir por aí.
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos.
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios.
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou.
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
—Sei que não vou por aí!

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São estas palavras de José Régio que me guiam há 62 anos.
Mais precisamente desde as 7 horas de segunda-feira, 12 de maio de 1958. 

Contador, desde 2008:

Localizador, desde 2010:

Acerca de mim

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"Horta do Zorate" é o blogue pessoal de Alberto João (Catujaleno), cidadão do mundo em autoconstrução desde 1958.