"O mais recente livro de Herberto Helder "A Faca Não Corta o Fogo - súmula e inédita", lançado na quinta-feira, encontra-se esgotado no armazém da editora."
Lusa, última hora, 13-10-2008
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segunda-feira, 13 de outubro de 2008
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Daniel Serrão espera desculpas do PCP...

"Espero do PCP um pedido de desculpas pelo saneamento ou que apresente provas em contrário, se as tiver." O repto é do médico portuense Daniel Serrão, saneado em 1975 por se opor à tomada comunista do hospital e da faculdade onde exercia, como relata num livro apresentado ontem no Porto e amanhã em Lisboa.
Daniel Serrão era professor na Faculdade de Medicina do Porto e médico no Hospital de São João, da mesma cidade, quando em 1975 se viu destituído de ambas as funções com ‘Um Saneamento Exemplar’, hoje título do livro que demorou mais de trinta anos a escrever.
A obra, editada pela Alêtheia, vale pelo "carácter de exemplaridade e por ilustrar uma época da sociedade portuguesa que todos desejamos que nunca mais se repita", avalia o autor em declarações à Lusa.
Testemunho do saneamento político de que foi alvo, Daniel Serrão sustenta que para lhe dar forma se socorreu não só da memória mas também de documentos que o inocentam da acusação de "ter denunciado estudantes à PIDE", acto que classifica de "repugnante".
"Esta informação era falsa", escreve a justificar por que se manteve em funções. "Em 23 de Junho de 1975 soube, por uma notícia de um jornal, que tinha sido demitido de professor e da Função Pública por despacho do ministro da Educação e da Cultura", lê-se no livro ‘UmSaneamentoExemplar’.
A reintegração, por decisão do Conselho de Revolução, demorou um ano, mas Daniel Serrão não esqueceu nem tão-pouco perdoou. "O PCP e a extrema-esquerda estiveram por detrás destas decisões."
Diz mais: "Atribuíram-me poderes extraordinários, resultantes da minha suposta vinculação a uma organização secreta de orientação nazi, ligada a movimentos europeus de católicos integristas."
Das pouco mais de 200 páginas do livro de Daniel Serrão, mais de metade integram material que ora o ilibam das acusações dos outros ora sustentam as suas.
Daniel Serrão
O médico, de 80 anos, nasceu em Vila Real e vive no Porto desde os anos 50. Especialista em Ética, distinguiu-se em Anatomia Patológica e Bioética, recebendo o Prémio Pfizer em 1961. Jubilou-se em 1998."
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in CM online, 02-10-2008
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terça-feira, 30 de setembro de 2008
Machado de Assis...

"Os nossos irmãos brasileiros, de que me sinto tão próximo, como brasileiro do coração, estão a celebrar a personalidade e a obra do escritor, que consideram o maior e mais importante da história literária do Brasil. O autor das Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Dom Casmurro e Quincas Borba, entre outros, consagrou-se como o maior escritor brasileiro de todos os tempos. Correspondendo, para os brasileiros, ao nosso Camões, Eça ou Pessoa e que comparam a Tolstoi ou Gustave Flaubert.
Na verdade, Joaquim Maria Machado de Assis, mulato, neto de escravos libertos e de ascendência portuguesa, como o nome indica, de origem humilde, nunca frequentou uma universidade e viveu, quase sempre no Rio de Janeiro, uma vida boémia - em que aprendeu imenso a observar as pessoas nas suas grandezas e misérias - mas também sem descurar a sua ascensão social, por via da literatura. O que conseguiu, incontestavelmente, apesar dos preconceitos da época.
Contudo, na vida cultural portuguesa, a personalidade literária de Machado de Assis é obviamente conhecida e admirada, mas não suficientemente. Apesar de um professor da Universidade Nova de Lisboa, Abel Barros Baptista, ter publicado, recentemente, dois interessantes livros sobre Machado de Assis, na editora Enicampo. Por tudo isso me atrevo a aconselhar a leitura de Machado de Assis às jovens gerações, tão actual como a do seu homólogo português Eça de Queiroz, um génio que escreveu na nossa língua comum e que nos ajudará a reforçar nos nossos espíritos a importância decisiva para Portugal do Brasil. Brasil e Portugal, os dois maiores pólos da CPLP, que não pode continuar a ser tão-só um instrumento para a expansão e conhecimento da língua portuguesa no mundo - de primeiríssima importância, aliás -, mas também uma comunidade de afecto, de solidariedade e de interajuda, que envolva as sociedades civis dos Estados membros."
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Mário Soares, DN, 30-9-2008
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segunda-feira, 15 de setembro de 2008
"Regresso para estimular o debate de ideias que tanta falta faz a Portugal."...
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Novo romance de Paulo Coelho "O Vencedor Está Só" nas livrarias a 12 de Setembro

"O Vencedor Está Só é o título do novo romance de Paulo Coelho que chega às livrarias na próxima quinta-feira pela editora Pergaminho. Este é o 12.º livro do escritor brasileiro, «uma fotografia do mundo em que vivemos», como o próprio descreve.
O Vencedor Está Só é, segundo Paulo Coelho, «uma fotografia do mundo em que vivemos», que se concentra no retrato de uma superclasse, a elite da elite, com a acção a decorrer no seio do mundo das celebridades.
A narrativa leva-nos até ao Festival de Cinema de Cannes, onde actores consagrados, candidatas a actriz, top models, estilistas, e um assassino em série, integram o enredo de uma história que podia ser real.
Recentemente considerado o autor vivo mais traduzido da História (Guiness Book 2009) e depois de entrar para o Guiness Book of Records como o autor que autografou mais traduções de uma obra numa única sessão (Feira do Livro de Frankfurt, em 2003), Paulo Coelho apresenta a sua nova obra literária.
Ultrapassando os 100 milhões de livros vendidos, O Vencedor Está Só tem seguidores em mais de 160 países.
Distinguido com mais de 30 galardões, Paulo Coelho foi este ano escolhido para orador-convidado da Conferência de Imprensa de Abertura da 60.ª Feira do Livro de Frankfurt, que decorre a 14 de Outubro, entre as 11 e as 12h00. "
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in SOL online, 09-9-2008
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quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Café, pastel de nata e um convite...

Esta manhã, ocasionalmente, parei junto à Barragem de Magos, para tomar o pequeno almoço numa pastelaria/restaurante à beira da estrada Salvaterra de Magos/Coruche...Enquanto saboreava o pastel de nata e o café, reparei num montinho de convites em cima do balcão...Retirei um que diz assim:
CONVITE
Tenho o prazer de convidar a população em geral
a estar presente no lançamento do meu livro:
"A minha vida em versos e dedicatórias",
de minha autoria - Olívia Cordeiro Rodrigues,
que se realiza dia 30 de Agosto de 2008, pelas 16.00 horas,
no Cine-Teatro de Benavente
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domingo, 10 de agosto de 2008
Morreu Mahmud Darwich, poeta dos palestinos...
"A obra de Mahmoud Darwich é um exemplo não apenas do conflito entre as diferenças, mas também não nos faz esquecer a impressão geral de fazer de sua poesia uma filha de seu tempo. A poesia de Darwich é um eco do estado de urgência em que se encontra o povo palestino face à interrogação sobre as referências coletivas, sejam elas jurídicas, morais ou culturais. É exemplar enquanto abre espaço para a reflexão sobre a necessidade de compreender a diferença cultural como produção de identidades, para a reflexão de como o escritor imigrante/exilado expressa através de sua obra os “entre-lugares” e de como a sua escrita ultrapassa fronteiras, sejam elas culturais, geográficas, políticas ou sociais. Sua obra leva também à reflexão sobre o mundo contemporâneo e o papel do poeta como intelectual representativo de uma coletividade, a Palestina, no exílio. Colocado neste “entre-lugar”, como mediação entre culturas tão diversas e, ao mesmo tempo, aproximadas pelas trocas que caracterizam o mundo contemporâneo, o escritor faz incidir sobre sua escrita a reflexão tão atual sobre o papel e o lugar da literatura num mundo dividido e contraditório como o nosso, bem como o papel do intelectual, no dizer de Edward Said, como aquele que faz a opção por uma condição de exilado". "
Alexandra Silva Montes

Um dos maiores poetas do mundo árabe, por muitos considerado como o poeta dos palestinos, Mahmud Darwich, morreu, este sábado, aos 67 anos, num hospital de Houston, nos Estados Unidos, devido a problema cardíacos.
Darwich, tornou-se famoso em particular pelo seu poema «Identidade», de 1964, que falava da obrigatoridade do preenchimento de um formulário israelita e que se transformou num hino rpetido por todo o mundo árabe.
Este poeta, que estava em estado crítico na sequência de intervenção cirúrgica, nasceu na Galileia, em 1941, numa altura em que o território, agora parte do Estado de Israel, estava sob administração britânica.
Darwich, que fugiu para o Líbano após a sua aldeia ter sido arrasada na sequência da guerra israelo-árabe em 1948, escolheu o exílio nos anos 70, tendo partido para Moscovo e depois para o Cairo, onde estudou.
Mahmud Darwich aderiu depois à Organização de Libertação da Palestina voltou a ser obrigado ao exílio quando se encontrava em Beirute ao serviço da OLP durante o Verão de 1982.
Em 1993, demitiu-se da OLP em protesto contra os acordos de Oslo, tendo voltado a território israelita pela primeira vez após o seu exílio apenas em Maio de 1996.
Em particular, Darwich criticou a «mentalidade israelita de guetto» e a política israelita que, na sua opinião, impediu a criação de Estado palestino viável.
A Autoridade Palestina anunciou, entretanto, três dias de luta nacional pela morte de Darwich, cuja obra testemunhou os dramas do exílio e ocupação vividos pelo seu povo.
O presidente palestino, Mahmud Abbas, considerou que o poeta «incarnou a vontade palestina de liberdade e independência» e mostrou-se triste pela «perda de estrela que brilhva no firmamento cultural árabe»."
Alexandra Silva Montes

"Mahmud Darwich, considerado por muitos como o poeta dos palestinos, morreu, este sábado, aos 67 anos, num hospital dos EUA. A Autoridade Palestina declarou três dias de luto nacional pela morte deste poeta.
Um dos maiores poetas do mundo árabe, por muitos considerado como o poeta dos palestinos, Mahmud Darwich, morreu, este sábado, aos 67 anos, num hospital de Houston, nos Estados Unidos, devido a problema cardíacos.
Darwich, tornou-se famoso em particular pelo seu poema «Identidade», de 1964, que falava da obrigatoridade do preenchimento de um formulário israelita e que se transformou num hino rpetido por todo o mundo árabe.
Este poeta, que estava em estado crítico na sequência de intervenção cirúrgica, nasceu na Galileia, em 1941, numa altura em que o território, agora parte do Estado de Israel, estava sob administração britânica.
Darwich, que fugiu para o Líbano após a sua aldeia ter sido arrasada na sequência da guerra israelo-árabe em 1948, escolheu o exílio nos anos 70, tendo partido para Moscovo e depois para o Cairo, onde estudou.
Mahmud Darwich aderiu depois à Organização de Libertação da Palestina voltou a ser obrigado ao exílio quando se encontrava em Beirute ao serviço da OLP durante o Verão de 1982.
Em 1993, demitiu-se da OLP em protesto contra os acordos de Oslo, tendo voltado a território israelita pela primeira vez após o seu exílio apenas em Maio de 1996.
Em particular, Darwich criticou a «mentalidade israelita de guetto» e a política israelita que, na sua opinião, impediu a criação de Estado palestino viável.
A Autoridade Palestina anunciou, entretanto, três dias de luta nacional pela morte de Darwich, cuja obra testemunhou os dramas do exílio e ocupação vividos pelo seu povo.
O presidente palestino, Mahmud Abbas, considerou que o poeta «incarnou a vontade palestina de liberdade e independência» e mostrou-se triste pela «perda de estrela que brilhva no firmamento cultural árabe»."
in TSF, 10-8-2008
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Israel: ONG acusa serviços de segurança...

"Os serviços de segurança israelitas fazem pressão sobre doentes e feridos palestinianos de Gaza, que vêm tratar-se a Israel, para lhes extraírem informações."
Lusa, 04-8-2008
Os Serviços Secretos ao serviço de Hitler não fariam melhor...
Lusa, 04-8-2008
Os Serviços Secretos ao serviço de Hitler não fariam melhor...
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sábado, 26 de julho de 2008
Prémio Camões 2008: Distinguido escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro...

"O escritor brasiliro João Ubaldo Ribeiro foi hoje distinguido com o Prémio Camões 2008, o mais importante galardão atribuído a autores de língua portuguesa. É o oitavo escritor brasileiro a ser distinguido com este prémio, que na sua edição anterior foi para o português António Lobo Antunes."
Agência Lusa, 26-7-2008
Agência Lusa, 26-7-2008
"Longe de mim aceitar a velha tese de que o Brasil é um país onde os conflitos sociais são resolvidos em paz, na base do jeitinho e assim por diante. Nossa História, de Canudos ao Contestado, está aí mesmo e não me deixa mentir. Ao mesmo tempo, é óbvio que nos comportamos — nós, a chamada classe média — como uma carneirada sem rival. Resignamo-nos a tudo, até mesmo a sermos governados de maneira condescendente e, ao mesmo tempo, autoritária, entre mentiras, fraudes, hipocrisia e falsas alegações. Fico assim achando que, no fundo, estamos é satisfeitos com o que ocorre em nosso destino coletivo. Acostumamo-nos, por exemplo, à violência urbana e até aceitamos a tese de que ela tem exclusivamente raízes econômicas. Não é inteiramente correto. Tem raízes econômicas, certo, mas também tem raízes culturais muito fortes, eis que, se pobreza e miséria gerassem necessariamente criminalidade, a Índia e Bangladesh, para ficar somente em dois exemplos, seriam matadouros humanos, onde se assaltariam até templos religiosos, como já aconteceu aqui no Brasil — e vive acontecendo, com os geralmente chiques ladrões de imagens enriquecendo suas coleções à custa da pilhagem de igrejas."
João Ubaldo Ribeiro in OVINOS PELA PRÓPRIA NATUREZA
quarta-feira, 23 de julho de 2008
O fantasma de Salazar...
Ex-inspector da PJ Gonçalo Amaral ameaçado...
"Ele que tenha muito cuidado".
Clarence Mitchell , porta-voz de Kate e Gerry McCann, adiantando que o casal vai estar atento ao que o ex-inspector da PJ Gonçalo Amaral, escreveu no livro que vai publicar. Diário de Notícias, 23/07/2008, reproduzido pelo EXPRESSO online.
Clarence Mitchell , porta-voz de Kate e Gerry McCann, adiantando que o casal vai estar atento ao que o ex-inspector da PJ Gonçalo Amaral, escreveu no livro que vai publicar. Diário de Notícias, 23/07/2008, reproduzido pelo EXPRESSO online.
terça-feira, 24 de junho de 2008
Está na moda vender (caro) a "verdade"...
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Espólio de Cardoso Pires doado à Biblioteca Nacional

"Lisboa, 09 Abr (Lusa) - Um auditório cheio aplaudiu hoje, na Biblioteca Nacional, a memória de José Cardoso Pires, unanimemente considerado um dos maiores escritores portugueses do século XX, na cerimónia de doação do seu espólio àquela instituição.
O ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, que presidiu à sessão, congratulou-se com a homenagem a Cardoso Pires e à sua obra que, "no seu conjunto, se afirma como uma das mais importantes da Literatura Portuguesa da segunda metade do século XX".
"Devemos todos nós, leitores portugueses e falantes de português, ficar gratos à família de José Cardoso Pires pela generosidade demonstrada e pela oportunidade que nos concede de colocar à disposição dos especialistas e do público em geral os originais de muitas das obras do Autor", sublinhou.
O director-geral da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), Jorge Couto, elogiou o "acto de generosidade e civismo" da família do escritor e anunciou um investimento de "mais de cinco milhões de euros", nos próximos anos, na torre de depósitos onde são guardados os documentos à guarda da instituição.
"Não se trata de um espólio qualquer mas do espólio de uma das mais importantes figuras da Literatura do século XX (...), um cirurgião da palavra", frisou.
Depois da assinatura do termo de doação pela viúva do escritor, Maria Edite Pereira, e por Jorge Couto, procedeu-se ao lançamento da sua obra póstuma "Lavagante", recentemente publicada pelas Edições Nelson de Matos.
O editor, Nelson de Matos, aproveitou a ocasião para "fazer uma pequena surpresa" aos presentes e leu um texto inédito de Cardoso Pires, que ele leu há exactamente 25 anos, a 09 de Abril de 1983, quando lhe foi entregue o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE), pelo romance "Balada da Praia dos Cães".
Em seguida, uma das filhas do escritor, Ana Cardoso Pires, responsável pela fixação do texto de "Lavagante" - do qual o Autor fez cinco versões - falou do escritório do pai que, ao longo da sua vida, "mudou várias vezes de espaço físico".
"Sempre com o mesmo desprendimento pela qualidade do mobiliário, sucessivamente recauchutado por ele próprio, para se adaptar às necessidades do momento - pormenores", recordou, porque "permanecia o importante: os livros e os papéis da memória".
"Por isso - observou - a cerimónia a que há pouco assistimos foi o lançamento da primeira pedra do novo escritório do Zé, agora com estantes novas e aberto a quem o queira conhecer".
Depois, foi a vez de a Professora universitária Maria Lúcia Lepecki, especialista na obra de Cardoso Pires, dizer umas palavras sobre o escritor, que conhecia desde 1966, ano em que começou a leccionar na Universidade de Minas Gerais.
"Eu leio e estudo o José Cardoso Pires há 42 anos e ele comove-me todas as vezes", declarou.
Quanto a "Lavagante", a Professora classificou-o como "um texto perfeitamente acabado" pelo que é para si "um mistério que ele não o tenha publicado" - "um mistério ou uma bênção", que tenha sido publicado agora, nos dez anos da sua morte.
Explicando que "o conto pede que o leitor preste atenção na frase e não na sequência, como no romance, porque o conto funciona como se fosse uma sequência só" e que, por isso, "exige muito do leitor", Lúcia Lepecki deixou um conselho:
"Leiam devagar. O José Cardoso Pires é para ler devagar - deixem as palavras entrar", rematou."
O ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, que presidiu à sessão, congratulou-se com a homenagem a Cardoso Pires e à sua obra que, "no seu conjunto, se afirma como uma das mais importantes da Literatura Portuguesa da segunda metade do século XX".
"Devemos todos nós, leitores portugueses e falantes de português, ficar gratos à família de José Cardoso Pires pela generosidade demonstrada e pela oportunidade que nos concede de colocar à disposição dos especialistas e do público em geral os originais de muitas das obras do Autor", sublinhou.
O director-geral da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), Jorge Couto, elogiou o "acto de generosidade e civismo" da família do escritor e anunciou um investimento de "mais de cinco milhões de euros", nos próximos anos, na torre de depósitos onde são guardados os documentos à guarda da instituição.
"Não se trata de um espólio qualquer mas do espólio de uma das mais importantes figuras da Literatura do século XX (...), um cirurgião da palavra", frisou.
Depois da assinatura do termo de doação pela viúva do escritor, Maria Edite Pereira, e por Jorge Couto, procedeu-se ao lançamento da sua obra póstuma "Lavagante", recentemente publicada pelas Edições Nelson de Matos.
O editor, Nelson de Matos, aproveitou a ocasião para "fazer uma pequena surpresa" aos presentes e leu um texto inédito de Cardoso Pires, que ele leu há exactamente 25 anos, a 09 de Abril de 1983, quando lhe foi entregue o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE), pelo romance "Balada da Praia dos Cães".
Em seguida, uma das filhas do escritor, Ana Cardoso Pires, responsável pela fixação do texto de "Lavagante" - do qual o Autor fez cinco versões - falou do escritório do pai que, ao longo da sua vida, "mudou várias vezes de espaço físico".
"Sempre com o mesmo desprendimento pela qualidade do mobiliário, sucessivamente recauchutado por ele próprio, para se adaptar às necessidades do momento - pormenores", recordou, porque "permanecia o importante: os livros e os papéis da memória".
"Por isso - observou - a cerimónia a que há pouco assistimos foi o lançamento da primeira pedra do novo escritório do Zé, agora com estantes novas e aberto a quem o queira conhecer".
Depois, foi a vez de a Professora universitária Maria Lúcia Lepecki, especialista na obra de Cardoso Pires, dizer umas palavras sobre o escritor, que conhecia desde 1966, ano em que começou a leccionar na Universidade de Minas Gerais.
"Eu leio e estudo o José Cardoso Pires há 42 anos e ele comove-me todas as vezes", declarou.
Quanto a "Lavagante", a Professora classificou-o como "um texto perfeitamente acabado" pelo que é para si "um mistério que ele não o tenha publicado" - "um mistério ou uma bênção", que tenha sido publicado agora, nos dez anos da sua morte.
Explicando que "o conto pede que o leitor preste atenção na frase e não na sequência, como no romance, porque o conto funciona como se fosse uma sequência só" e que, por isso, "exige muito do leitor", Lúcia Lepecki deixou um conselho:
"Leiam devagar. O José Cardoso Pires é para ler devagar - deixem as palavras entrar", rematou."
in Expresso online, 09-4-2008 (22:01)
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- "Horta do Zorate" é o blogue pessoal de Alberto João (Catujaleno), cidadão do mundo em autoconstrução desde 1958.


