Com pouco mais de 50 habitantes, distribuídos por algumas dezenas de habitações, a aldeia de Picha, no concelho de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, tem muito provavelmente um dos nomes mais difíceis de digerir neste bizarro mapa de Portugal.
Não obstante a designação, Picha é um lugar bonito, onde a maioria da população vive da indústria florestal.
O que poucos sabem é que este topónimo teve precisamente origem na predominância dessa nobre atividade económica, mais concretamente na recolha da resina do pinheiro, a qual foi durante vários anos a principal fonte de subsistência da aldeia.
Durante séculos, a cada pinheiro é acoplado um recipiente onde a resina vai caindo, gota a gota, e que normalmente é fixo no pinheiro com um prego, e que dá pelo nome de picha.
Ao longo dos tempos, o significado original quase se perdeu, sobretudo porque os próprios resineiros começaram a evitar usar a palavra, optando por usar sinónimos mais conhecidos e sem conotação malandreca, como púcaro, vaso ou caneco.
A população da aldeia é, atualmente, bastante diversificada, integrando desde uma geração mais velha e hoje maioritariamente na reforma, a jovens famílias naturais da terra ou que para lá se mudaram em busca de melhores ares e até mesmo um cidadão inglês que resolveu escolher este lugar para viver em sossego e em comunhão com a natureza a sua velhice.
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