Destas mãos que falam, saem gritos d'alma, gemidos de dor, às vezes, letras com amor, pedaços da vida, por vezes sofrida, d'um quase iletrado escritor. Saem inquietações, também provocações, com sabor, a laranjas ou limões. Destas mãos que falam, saem letras perdidas, revoltas não contidas, contra opressões, das nossas vidas! (Alberto João)

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Os "Portadores de bêbados" de Istambul



 

Em meados do século passado, muitos bares na Turquia empregavam os “portadores” cujo único propósito era levar os clientes para casa quando estavam demasiado bêbados para se levantar e andar. Mas eles não estavam movidos de qualquer forma, mas encostados em cestos (“küfe”, literalmente “caixa de cesto”) que se acoplaram nas costas.
A maioria destes homens trabalhavam transportando mercadorias durante o dia e depois faziam de “carregadores de bêbados” à tarde-noite para ganhar algum dinheiro extra, esperando os clientes na porta dos bares como se fosse um proto-Uber otomano.
Em turco, essas pessoas de profissão tão louvável, apelidaram-nos de küfelik (literalmente “portadores de cabaz”). Também há um ditado na Turquia, "küfelik olmak", que significa "que precisas de boleia para casa num cesto" do quão mal estás.
Até meados dos anos 60, os carregadores ou "carga bêbados" de Istambul ganhavam dinheiro extra esperando nas portas dos bares para levar para casa nos seus cestos aqueles que estavam demasiado bêbados para fazê-lo sozinho. Os "portadores de bêbados" eram chamados e pagos pelos bares para levar bêbados para casa e garantir que nada lhes acontecesse.
É que bêbados e bêbados nunca trouxeram boas consequências, e nem é bom pensar como ficariam as costas desses carregadores se o caminho fosse longo...
Na imagem: um carregador de bêbados ou "küfelik" fazendo este trabalho por volta de 1960.
(Foto de autor desconhecido)

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"Horta do Zorate" é o blogue pessoal de Alberto João (Catujaleno), cidadão do mundo em autoconstrução desde 1958.