Destas mãos que falam, saem gritos d'alma, gemidos de dor, às vezes, letras com amor, pedaços da vida, por vezes sofrida, d'um quase iletrado escritor. Saem inquietações, também provocações, com sabor, a laranjas ou limões. Destas mãos que falam, saem letras perdidas, revoltas não contidas, contra opressões, das nossas vidas! (Alberto João)

quarta-feira, 15 de maio de 2024

LUÍS VAZ DE CAMÕES



 Luís Vaz de Camões nasceu, oficialmente, em 1524, na cidade de Lisboa, mas alguns estudiosos afirmam que pode ter sido em 1525.

A vida do poeta é repleta de especulações e lendas.
Contudo, acredita-se que estudou Filosofia e Literatura na Universidade de Coimbra, onde o seu tio, o frade D. Bento de Camões, era chanceler.
O escritor lutou, como soldado, em Ceuta, no território do Marrocos.
Nesse período, perdeu o olho direito numa batalha.
De volta a Portugal, em 1552, foi preso devido a um desentendimento com um funcionário da Corte.
Um ano depois, recebeu o perdão do rei.
Partiu, então, para Goa, Índia, em 1553.
Alguns estudiosos afirmam que ele começou a escrever Os Lusíadas nessa época.
Em Macau, trabalhou como provedor-mor de defuntos e ausentes.
Quando voltava para Goa, sofreu um naufrágio e quase perdeu os originais de sua obra-prima.
O que se conta é que nadou com um braço enquanto o outro permanecia erguido e segurava o manuscrito.
Nessa ocasião, a sua amante chinesa Dinamene acabou morrendo.
À sua memória, o poeta dedicou vários versos.
Em 1568, estava vivendo, em Moçambique, em péssimas condições financeiras.
Um ou dois anos depois, decidiu voltar a Portugal, com ajuda de amigos, que pagaram as suas dívidas e compraram a passagem.
Desse modo, em 1572, publicou Os Lusíadas, dedicado ao rei D. Sebastião (1554-1578), que concedeu ao autor uma pensão durante três anos.
Camões vivia numa época em que a racionalidade era extremamente valorizada, em oposição à fé religiosa, que marcara o período histórico anterior, ou seja, a Idade Média.
Portanto, apontar o desconcerto (o desequilíbrio) da realidade era uma forma de tirar dela o véu das ilusões.
Assim, a constatação de que tudo na vida é transitório eliminava a importância das coisas mundanas.
Ainda nesse sentido, somente o pensamento filosófico e a arte podiam atingir o equilíbrio, a harmonia perfeita.
A razão e a expressão artística estavam, dessa forma, em posição de superioridade se comparadas aos afazeres diários e às regras sociais.
Por isso, o amor carnal mostrava-se inferior ao amor ideal, filosófico e não sexualizado.
O classicismo é uma escola literária que teve seu auge, na Europa, no século XVI, como reflexo do renascimento.
Portanto, as obras de Luís Vaz de Camões apresentam características dessa escola, tais como:
• Racionalismo
• Antropocentrismo
• Neoplatonismo
• Semipaganismo
• Influência greco-latina
• Simplicidade
• Harmonia
• Amor idealizado
• Mulher idealizada
• Rigor formal
• Bucolismo
No fim da vida, o poeta estava doente e pobre.
Morreu em 10 de junho de 1580, sem deixar dinheiro para pagar o próprio enterro.
No mais, as obras do autor acabaram servindo aos estudiosos como fonte de informação acerca de sua biografia.
Eles buscavam, assim, trazer luz à vida do lendário Camões.
Obras de Luís Vaz de Camões:
Capa do livro “Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões, publicado pela editora BestBolso.
• Os Lusíadas (1572) — epopeia
• Anfitriões (1587) — teatro
• Filodemo (1587) — teatro
• Rimas (1595) — poesia lírica
• El rei Seleuco (1645) — teatro.


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"Horta do Zorate" é o blogue pessoal de Alberto João (Catujaleno), cidadão do mundo em autoconstrução desde 1958.