Destas mãos que falam, saem gritos d'alma, gemidos de dor, às vezes, letras com amor, pedaços da vida, por vezes sofrida, d'um quase iletrado escritor. Saem inquietações, também provocações, com sabor, a laranjas ou limões. Destas mãos que falam, saem letras perdidas, revoltas não contidas, contra opressões, das nossas vidas! (Alberto João)

quarta-feira, 22 de maio de 2024

'FOSTE A MINHA VIDA'



 

'FOSTE A MINHA VIDA'

Foste a noite escura
depois o sol nascente
a seguir o dia da procura
com tristeza ausente
momentos de doçura
quase paz permanente.

Foste a boa esperança
em noites de lua cheia
tão boa, tão bonança
após tempestade d'areia
sem medo da mudança
nestas voltas e meia.

Foste também desgraça
com abertas de esplendor
severa chuva na vidraça
e até momentos de dor
gritos ardentes na praça
com lágrimas de amor.

Foste depois e antes
os sonoros uis e ais
os trechos febricitantes
qual manchetes de jornais
em sinfonia dos amantes
com letras garrafais.

Foste dura e cruel
quando em vez até feroz
pinturas de mau pincel
desenhos do eu e do nós
em rude pardo papel
dos tempos dos avós.

Foste o mal e o bem
viagens com vinda e ida
foste aqui, ali e além
muitas vezes divertida
foste alguém e ninguém
enfim, foste a minha vida!

(Catujaleno, Ribatejo, 19 de maio de 2024)

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"Horta do Zorate" é o blogue pessoal de Alberto João (Catujaleno), cidadão do mundo em autoconstrução desde 1958.