Destas mãos que falam, saem gritos d'alma, gemidos de dor, às vezes, letras com amor, pedaços da vida, por vezes sofrida, d'um quase iletrado escritor. Saem inquietações, também provocações, com sabor, a laranjas ou limões. Destas mãos que falam, saem letras perdidas, revoltas não contidas, contra opressões, das nossas vidas! (Alberto João)

sexta-feira, 26 de abril de 2024

TAPETES DE ARROIOLOS



 

A origem dos tapetes de arraiolos é incerta, mas estudos indicam que a tradição começou por volta do século XVII, quando tapeteiros muçulmanos foram expulsos de Lisboa pelo rei D. Manuel.
Eles teriam se instalado em Arraiolos e continuado no exercício de suas profissões, prosperando na cidade e passando a técnica.
A tradição acabou pegando força nas mãos das bordadeiras, que passaram a técnica de mãe para filha e até hoje trabalham tecendo à mão.
As produções são feitas tanto em pequenas fábricas como em casa mesmo, pelas famílias tradicionais.
É possível comprar os tapetes já prontos ou fazer encomendas.
Os vendedores também costumam oferecer serviços de reparos, restauros e limpeza dos tapetes, que precisam ser cuidados com muito carinho, afinal, são séculos de tradição!
Apesar da técnica ter sido passada de geração em geração, infelizmente hoje em dia são poucas as mulheres que trabalham ainda com os bordados.
A referência escrita mais antiga feita a um tapete de Arraiolos encontra-se no Arquivo Municipal de Arraiolos e data de 1598.
Refere o inventário de Catarina Rodrigues, mulher de João Lourenço, lavrador e morador na herdade de Bolelos, termo de Arraiolos: “hum tapete da tera novo avalliado em dous mill Reis “.
Os tapetes possuíam cores em grande número, para a produção das quais seria necessária uma oficina tintureira.
Os contornos eram bordados a ponto de pé de flor sobre serapilheira.
Eram cheios a ponto de Arraiolos mais ou menos perfeito.
A barra era feita sem cantos, pois estes eram feitos num quadrado.
A franja era feita com agulhas de croché.
Nesta época executavam-se tapetes «eruditos» com desenhos preconcebidos muito perfeitos e outros «populares», que eram feitos de forma livre.
Os tapetes desta época baseiam-se em tapetes asiáticos (persas, caucasianos, turcos) ou inspirados nos motivos do manuelino.
As cores são magníficas, alegres e muito bem combinadas.
Os de inspiração persa caracterizam-se por motivos de animais, arabescos muito elegantes presos uns aos outros com sarnentos, medalhões repetitivos, motivos manuelinos com rosetas nós estilizados e cordas.
As franjas passaram a ser feitas em pequenos teares.
Os contornos começam a deixar de ser em ponto de pé de flor, passando a ser em ponto de arraiolos.
Neste período os tapetes de Arraiolos, embora fossem de carácter erudito e continuassem a ser executados com motivos orientais como anteriormente, deixam de ser feitos em cores alegres passando a cores mortas, inexplicavelmente, pois não se identificam motivos para isso.
Os cantos são a direito.
Hoje em dia podemos encontrar imitações feitas na China.
Cópias grosseiras e sem qualidade.
(Foto de Artur Pastor, anos 50)

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"Horta do Zorate" é o blogue pessoal de Alberto João (Catujaleno), cidadão do mundo em autoconstrução desde 1958.