Sábado, 11 de Julho de 2009

"Olá, o meu nome é Maria Martins. Quero votar 614 vezes"...


«Estava registada 614 vezes na base de dados do sistema eleitoral. Maria Martins é o caso mais caricato apontado pelo relatório da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD), quinta-feira na Assembleia da República, que revelou "irregularidades" no Sistema Integrado do Recenseamento Eleitoral (SIGRE) e na Base de Dados de Recenseamento Eleitoral (BDRE). Como este existem mais 9600 situações de nomes iguais, porque "alguns registos não estão completos e há uma incapacidade do sistema de assegurar que os mesmos não correspondem a duplicações", aponta o relatório. Mas Maria Martins não pode votar 614 vezes.

O governo vai solicitar nova inspecção ao SIGRE e à BDRE, no seguimento do relatório realizado no âmbito da inspecção de Junho da CNPD. O governo garante que as irregularidades detectadas vão estar resolvidas até 20 de Julho, disse ao i José Magalhães, secretário de Estado da Administração Interna.

O relatório apontava "problemas detectados no funcionamento do SIGRE" e BDRE revestidos de "uma gravidade e sensibilidade tais que impõe a tomada urgente de posição".

As irregularidades detectadas prendem-se com a qualidade e a segurança dos dados e a gestão do sistema, nomeadamente problemas que envolvem óbitos e duplos inscritos. Segundo a CNPD, existem "registos incompletos e inexactos": por exemplo, foram identificados 33 833 com nome e dados incompletos (sem data de nascimento ou filiação) e 12 092 que apenas continham o nome. Desta maneira, existe a possibilidade de inscrições múltiplas, um problema também posto pelo cartão do cidadão - recorde-se o caso do cidadão de Leiria que votou duas vezes nas europeias. Dos cerca de 15 milhões de registos que existem apenas 9 milhões e 300 estão activos. O SIGRE veio centralizar a informação e permitir o recenseamento automático - todos os recém-nascidos ficavam automaticamente na base de dados. Só aos 17 anos é que um cidadão é considerado pré-eleitor, e por isso a CNPD considerou "excessivo" o registo desde a nascença. "Mandei proceder de imediato à eliminação e o SIGRE só será comunicado quando o cidadão fizer 17 anos", afirmou José Magalhães. Mas um dos problemas que continuam por resolver é a questão dos óbitos. Ainda há cidadãos registados como votantes que já morreram, e isso pode aumentar a abstenção técnica. Em caso de referendo esta situação é particularmente perigosa pois para vigorar um referendo necessita de mais de metade dos votantes. José Magalhães afirma que esta situação decorria das "práticas de algumas entidades de não querer menos eleitores. Porque é em função do número de eleitores que, por exemplo, se determina o número de mandatos nas autarquias e as finanças autárquicas".

Para resolver o problema dos óbitos será necessário colaborar com o Ministério da Justiça. Segundo José Magalhães, cerca de "10% dos óbitos não têm identificação civil", e isso obriga a uma verificação manual que atrasa todo o processo de eliminação da base de dados. "Soluções miraculosas para os óbitos vamos pedi-las ao Ministério da Justiça", assegurou. O sistema tem de eliminar os registos "a mais" da base de dados e o secretário de Estado garante que "desde os tempos de papel do governo do PSD" já eliminaram mais de "800 mil".

Até 2005 os actos eleitorais realizaram-se com 658 mil eleitores "clandestinos" que estavam fora dos cadernos eleitorais (por exemplo cidadãos que não faziam o cartão de eleitor) e que foram inscritos pelo SIGRE.

Para José Magalhães os problemas "só não foram mais avançados porque os cadernos eleitorais fecham 60 dias antes das eleições [a 7 de Abril]. Foram feitas todas as eliminações possíveis, e garante: "Até fim de Julho serão feitas as restantes."

Na sexta-feira, o PSD manifestou "grande preocupação" pelas falhas apontadas pela CNPD e Marques Guedes considerou "absolutamente inaceitáveis" as alegadas irregularidades. José Magalhães disse que não deve haver "pingue-pongue de acusações partidárias", mas respondeu ao PSD: "Margens de erro houve sempre. Quando o PSD foi governo, as margens de erro eram invisíveis e infiscalizáveis pela CNPD."






Texto e primeira foto in jornal "i" online, 11-7-2009

Foi dito por Emídio Rangel...

"Sócrates e Ferreira Leite são as únicas personalidades que podem vir a ocupar o cargo de primeiro-ministro".


Emídio Rangel, "Correio da Manhã", 11-07-2009, reproduzido no Público online.

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

"Queixa das Almas Jovens Censuradas"...

Poema de Natália Correia, cantado por José Mário Branco.

Bolero de Ravel...

Moonlight Sonata (Beethoven)...

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Querido amigo Sérgio Fernandes, até um dia destes...

«O Núcleo de Investigação Criminal de Acidentes de Viação do Destacamento da GNR de Coruche está a investigar as causas do acidente ocorrido em Marinhais, concelho de Salvaterra de Magos, e que ontem de manhã matou um militar.

Segundo apurou o JN, o militar, com pouco mais de 30 anos, seguia num motociclo que colidiu frontalmente com uma retroescavadora. Fonte da GNR explicou que o condutor da máquina estaria a mudar de direcção quando se deu a colisão.

"Talvez não tivesse sido feita uma boa sinalização", avançou a fonte, explicando que "só depois das investigações poder-se-á saber o que realmente aconteceu".

O acidente ocorreu por volta das 9.15 horas, na EN 367, que liga Marinhais à Serra, e que é perpendicular à linha ferroviária. O militar, que residia em Marinhais, deslocava-se para o serviço.
O guarda ainda foi transportado pelos bombeiros de Salvaterra de Magos para o centro de saúde de Benavente onde viria a ser confirmado o óbito. O corpo seguiu depois para o Gabinete Médico Legal de Vila Franca de Xira onde será realizada a autópsia.

O militar, que tinha pouco mais de 30 anos, integrava a equipa de Intervenção do Destacamento de Coruche da GNR. Era casado e tinha dois filhos menores.

Ontem, ao início da tarde, uma equipa de psicólogos da Guarda estava na residência do casal para apoiar a família, garantiu fonte da GNR.

A mesma fonte descreveu o ambiente como de "grande consternação" já que "o militar, para além de excelente profissional, era muito querido das pessoas". O funeral ainda não está marcado.»

in JN online, 09-7-2009



Ainda na semana passada me dizias: "vai preparando a piscina para o nosso habitual churrasco"...ontem, ao principio da tarde, depois de aspirar a piscina, andava eu por aqui a dar água à relva e plantas, quando o telemóvel tocou, e o Venâncio me disse: "pá, tavas a dormir? olha, tou-te a ligar porque...(voz embargada)... o Fernandes faleceu"...
Sérgio, és um grande brincalhão, por isso, acho que tás a brincar com a malta, mas...se não tiveres: Um grande abraço e até um dia destes...
Nota:
Tinha tanto para escrever sobre este meu querido amigo, mas... já não consigo ler no ecran aquilo que sai das teclas...

Direita activa na corrupção activa...

...e passiva.


«As agendas e notas pessoais de alguns dos arguidos do caso dos CTT foram um excelente ponto de partida para a Polícia Judiciária. Em vários documentos apreendidos a Júlio Macedo, antigo administrador da empresa que comprou o imóvel de Coimbra e que é suspeito de corrupção activa, constam desenhos com esquemas do pagamento de comissões. Os beneficiários são referidos por iniciais. O relatório final da Polícia Judiciária, a que o DN teve acesso, revela ainda um contacto entre o ex-presidente do Banco Insular, Vaz Mascarenhas, com José Oliveira Costa, antigo presidente do BPN, sobre um negócio dos CTT.

As notas pessoais foram apreendidas na sede da empresa TramCrone, que negociou com os CTT a compra de dois prédios, um em Coimbra, o segundo em Lisboa. Os apontamentos recolhidos revelam que os administradores Júlio Macedo e Pedro Garcês estariam a montar um esquema de pagamentos de comissões para as quais seriam, posteriormente, necessárias operações comerciais que justificassem a saída das verbas. Neles constam iniciais: CHC, MB, JL, PM, NS.

O negócio do prédio de Coimbra foi realizado por cerca de 15 milhões de euros. O negócio estava para ser feito com a TramCrone, mas, à última hora, quem apareceu foi a Demagre, uma empresa que, segundo a Judiciária, foi constituída por um escritório de advogados e tinha como sócias duas sociedades offshore. No mesmo dia, a Demagre revendeu o prédio a uma empresa do grupo Espírito Santo por 20 milhões, sendo que ficou acordado que o preço subiria caso a Demagre angariasse inquilinos para o espaço.

A investigação apurou que foram realizados inúmeros contactos para levar instituições a ocuparem espaços no edifício. A Direcção-Geral da administração da Justiça chegou a instalar o Tribunal Administrativo e Fiscal.

Já em relação ao negócio do prédio em Lisboa, a TramCrone posicionou-se para a sua compra, mas esta acabou por não se efectivar, dado que um cheque de 12,5 milhões de euros não tinha provisão. É neste contexto que surge uma carta de José Vaz de Mascarenhas, antigo presidente do Banco Insular de Cabo Verde, que está no centro do caso BPN, a José Oliveira Costa, contando que o negócio entre os CTT e a TramCrone seria apenas uma simulação para "a saída do imóvel do património" dos Correios "no contexto da transferência do seu fundo de pensões para a Segurança Social".

Investigando o rasto do dinheiro das comissões, que estão documentadas no processo, a Judiciária acabou ainda por descobrir que Paulo Miraldo, enquanto chefe de gabinete do ministro António Mexia, depositou cheques passados por dois conhecidos empreiteiros. Paulo Miraldo também está constituído arguido. »





in DN online, 09-7-2009

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Horta do Zorate, é uma espécie de jornal online, politicamente não alinhado e incorrecto, por vezes a pisar o risco do mau gosto, editado por um iletrado. Os posts aqui publicados são, eventualmente, pura ficção, sendo qualquer semelhança com a realidade, eventualmente, uma mera coincidência...
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