Destas mãos que falam, saem gritos d'alma, gemidos de dor, às vezes, letras com amor, pedaços da vida, por vezes sofrida, d'um iletrado escritor. Saem inquietações, também provocações, com sabor, a laranjas ou limões. Destas mãos que falam, saem letras perdidas, revoltas não contidas, contra opressões, das nossas vidas! (AJoão)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Foi dito por António José Seguro

 "Ficaria muito triste se o primeiro-ministro do meu país fosse receber ordens da senhora Merkel e do Senhor Sarkozy."




António José Seguro, o secretário-geral do PS disse esperar que no périplo europeu que realiza esta semana, Pedro Passos Coelho apresente "propostas que defendam os interesses nacionais." Correio da Manhã, 31/08/201, reproduzido no Expresso online.


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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Alberto João Jardim volta a chantagear com o espantalho da independência


"A não ser que me tenham mentido a mim."




Alberto João Jardim, o presidente do Governo Regional da Madeira não se conforma com o fim da Zona Franca da Madeira, reagindo à notícia de que o Governo não tem intenção de renegociar os benefícios fiscais da Madeira acrescenta que essa possibilidade "levantaria de novo a questão da independência" do território. Jornal de Negócios, 30/08/2011, reproduzido no Expresso online.



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sábado, 27 de agosto de 2011

Jovens Voluntários das Gaeiras promoveram hoje uma acção digna de registo


«Um estendal com roupa destinada a pessoas carenciadas atingiu hoje em Óbidos cinco quilómetros de extensão, disse hoje o grupo de jovens responsável pela organização da iniciativa, que pretende doar dez mil peças de roupa.




"O estendal está agora com três quilómetros, mas já temos roupa suficiente para chegar aos cinco quilómetros", afirmou à agência Lusa Ricardo Duque, do grupo de Jovens Voluntários das Gaeiras.

A acção de solidariedade intitulada "Um Cordão (com)vida", está a ser promovida até às 22:00, com o estendal a ser montado pelas ruas da vila das Gaeiras.

As roupas angariadas através desta ação vão ser oferecidas às instituições Abraço, Casa do Gil e a famílias carenciadas do concelho.

Segundo o grupo de jovens voluntários, existem em Óbidos cerca de 75 famílias carenciadas por cada uma das nove freguesias.

A acção assinala o primeiro aniversário do grupo que integra cerca de 30 jovens entre os 14 e os 30 anos, que no último ano têm desenvolvido várias iniciativas de angariação de fundos para a promoção de eventos para os idosos e jovens da vila.»


Texto in DN online, 27-8-2011
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Esta noite o Leão voltou a rugir em Alvalade!

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Sporting 2 - Nordsjaelland (Dinamarca) 1

(Sporting apurado para a fase de grupos da Liga Europa de futebol)



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"Pode estar em causa o serviço de refeitório nas escolas"

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António José Ganhão, vice-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, sobre as dificuldades financeiras das escolas pela falta de transferência de fundos por parte do Estado. "Correio da Manhã", 25/08/2011, reproduzido no Expresso online.


Notas do Zorate:
O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, Fernando Ruas, não é um militante influente no PSD, partido que lidera a coligação do governo deste país?
Pelos vistos já não.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Líbia: Khadafi jura continuar a lutar a partir de paradeiro desconhecido


«Nem a queda de Bab al-Aziziyah esmoreceu o tom de desafio de Muammar Khadafi. Num discurso áudio difundido durante a noite, já depois de os rebeldes tomarem o complexo fortificado que lhe servia de último bastião em Trípoli, o coronel jurou continuar a lutar contra a “agressão” ao seu regime.

Sair de Bab al-Aziziyah foi uma retirada “táctica”, argumentou neste discurso retransmitido por um canal líbio de televisão satélite, sem serem avançadas informações sobre o actual paradeiro do já virtualmente deposto líder líbio, nem mesmo se o coronel se encontrava na fortificação militar quando as forças do Conselho Nacional de Transição entraram no complexo, ontem à tarde, e ali içaram a bandeira tricolor da rebelião.

“Andei um pouco por Trípoli, discretamente, sem ser visto pelas pessoas e... não pensei que Trípoli estivesse em perigo”, afirma a certa altura do discurso, no qual instou os seus apoiantes a não desistir e jurou continuar a lutar “até ao martírio ou à vitória”.»


in Público online, 24-8-2011

terça-feira, 23 de agosto de 2011

"Alberto João Jardim vai ser o coveiro da autonomia. Conduziu a Madeira ao abismo financeiro"

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José Manuel Rodrigues, líder do CDS-Madeira, acusa o presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, de ser o responsável pela derrapagem financeira na região autónoma. Jornal "i", 23/08/2011, reproduzido no Expresso online.


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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Líbia: Rebeldes querem capturar Kadhafi com vida


«A batalha está complicada em Tripoli, com duros combates sobretudo na zona junto ao palácio presidencial, mas líder dos rebeldes afirma que quer capturar Kadhafi com vida.

Embora não se saiba ainda do paradeiro do líder líbio, Mustafa Abdeljalil, líder do Conselho Nacional de Transição, afirma que "apesar de não se ter assegurado ainda o controlo total da cidade, sobram apenas algumas zonas cercadas (como o palácio presidencial). As forças rebeldes não sabem se o líder líbio "estará lá", mas Mustafá Jalil já advertiu os seus compatriotas para a necessidade de se "capturar Kadhafi com vida de forma a poder ter um julgamento justo".

A batalha está complicada em Tripoli, com duros combates nas ruas que agora se resumem, praticamente, à zona junto ao palácio presidencial onde resistem ainda as últimas forças leais ao regime. As forças rebeldes entraram em Tripoli e controlam praticamente 95% da capital do país, mas a batalha final pela queda do regime ainda não está ganha. Segundo avança o "El Pais", prosseguem violentos combates, "casa a casa", em diversos bairros da cidade, entre forças rebeldes e apoiantes de Kadhafi.

O jornal "El Mundo" adianta ainda que as forças leais ao líder líbio dispuseram vários blindados em redor do palácio presidencial e estão a resistir violentamente aos ataques dos rebeldes, não estando a situação controlada pelos opositores ao regime.

Um porta-voz dos rebeldes revelou que o maior problema para as suas forças estão a ser os francoatiradores, leais a Kadhafi, que estão colocados em vários edifícios da capital e disparam "sobre tudo o que se move nas ruas".

A cadeia de televisão "Al Jazeera" também informou que alguns dos blindados governamentais teriam furado um dos cercos junto ao palácio presidencial e terão estado a bombardear alguns dos bairros circundantes com grande violência.»


in DN online, 22-8-2011

Bate na Madeira

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Cartoon de Henrique Monteiro
(22-8-2011)

Líbia: Rebeldes anunciam controlo histórico de Tripoli


«Os rebeldes afirmam que já controlam 95 por cento de Tripoli, mas o paradeiro do líder líbio Muammar Kadhafi continua a ser desconhecido e os combates ainda são ouvidos na capital do país.»

Lusa, última hora, 22-8-2011

Líbia: NATO diz que regime de Kadhafi está por um fio


«Seis meses de bombardeamentos da NATO tornaram possível o longo avanço dos rebeldes até Tripoli e à Praça Verde, centro simbólico do regime de Muammar Kadhafi na capital líbia, salientam hoje vários analistas na imprensa francesa.

Entretanto, os combates entre grupos rebeldes e forças leais a Kadhafi estendem-se por vários bairros da capital líbia. Desconhece-se onde se encontra o ditador, cujo palácio está cercado pelos insurgentes.

Num comunicado divulgado hoje, o secretário geral da NATO, Andrs Fogh Rasmussen, afirmou que "o regime de Kadhafi está claramente a desmoronar-se. Quanto mais cedo Kadhafi compreender que não pode ganhar a batalha contra os próprios líbios, melhor".

Ofensiva dos rebeldes vitória da Aliança Atlântica

A entrada dos rebeldes líbios na capital, no domingo, é uma vitória militar da Aliança Atlântica e, a outro nível, uma vitória política do Presidente da República francês, Nicolas Sarkozy, diz a imprensa francesa.

Até sábado, os aviões da NATO e aliados tinham realizado 20 mil missões que incluem cerca de 7 500 ataques contra alvos na Líbia, desde lança-granadas até às bases principais do regime líbio, segundo o diário "New York Times".

Philipe Gros, da Fundação de Investigação Estratégica, em Paris, salientou recentemente no jornal "Le Monde" que, apesar de a Grã-Bretanha e a França assegurarem o essencial do dispositivo militar da NATO na Líbia, "são apenas pesos-médios entre pesos-plumas", dependentes da logística e das munições norte-americanas.

Essa dependência foi nítida nos primeiros meses da campanha da NATO, salientou o especialista.

Peso dos EUA na operação

A primeira fase de intervenção, conhecida pelo nome de "Odyssey Dawn", foi realizada sob comando americano, após três dias iniciais de ataques aéreos da França e da Grã-Bretanha, "com uma coordenação mínima", diz Philipe Gros.

Nessa fase, foram destruídas as defesas antiaéreas líbias e impediu-se as tropas leais a Kadhafi de entrarem na segunda cidade do país, Benghazi, capital da rebelião.

A partir de 22 de março, a aliança ocidental realiza até 180 saídas ofensivas por dia. A 28 de março, num só dia, foram usados 600 bombas de precisão (455 americanas) e 199 mísseis Tomahawk.

A segunda fase, "Unified Protector", foi iniciada a 31 de março, com a passagem do comando das operações para a NATO.

Os alvos foram, a partir de então, os meios de artilharia pesada de Kadhafi, e as saídas da NATO baixaram para cerca de 60 por dia, e depois para 40, segundo Philipe Gros, que referiu dificuldades de coordenação dos comandos Sul da Aliança, em Poggio Renativo (Itália) e Izmir (Turquia). 

Além disso, os Estados Unidos colocaram os seus aviões de ataque na reserva, a partir de 04 de abril. No terreno, as forças leais a Kadhafi misturaram-se com a população em várias cidades e o avanço dos rebeldes foi estancado a leste e a oeste do país.

Começou depois, a meio de maio, uma terceira fase, com um duplo alargamento dos meios militares. Por um lado, um alargamento táctico com a utilização de meios suplementares e, por outro, um alargamento estratégico, recobrando a intensidade de bombardeamentos sobre instalações militares, incluindo os centros de comando.

Foi também a partir de final de maio que o apoio ocidental aos rebeldes do Conselho Nacional de Transição se tornou mais óbvio, com o envio de especialistas militares, de instrutores e, até, de forças especiais, que enquadraram o avanço rebelde.

Nas últimas semanas, os EUA intensificaram a campanha aérea na Líbia, recorrendo a aviões não tripulados para vigiar e até bombardear posições militares do regime, segundo o "New York Times".

"Massacre imperialista"

Entretanto, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, denunciou que o imperialismo norte-americano e os seus aliados europeus estão a perpretar "um massacre" na Líbia com o objetivo de se apropriarem das riquezas petrolíferas do país.

"Isso é o que estão a fazer na Líbia: produzir um massacre", com a desculpa de que o fazem "para salvar vidas", disse Chávez num discurso televisivo.

Como já o fez  reiteradamente noutras ocasiões, o Presidente venezuelano voltou a acusar os EUA e os seus aliados da Europa de estarem "enlouquecidos" pelos recursos naturais líbios e tentam um novo sistema de intervenção no país, desta vez servindo-se dos protestos populares.»


in Expresso online, 22-8-2011

Líbia: Durão Barroso e Van Rompuy instam Kadhafi a aceitar derrota e oferecem apoio ao povo líbio



«Os presidentes da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, instaram hoje o líder líbio Muammar Kadhafi a aceitar a derrota e a deixar o poder.»

Lusa, última hora, 22-8-2011

Líbia: Kadhafi sem saída possível


«O chefe da diplomacia francesa, Alain Juppé, afirmou esta segunda-feira que o líder líbio Muammar Kadhafi "não tem saída possível" e o seu regime de 42 anos "acabou".

 
"O regime agora tem os seus dias contados", declarou Alain Juppé numa conferência de imprensa em Paris, reagindo à entrada das forças rebeldes líbias na capital do país, Tripoli, no domingo à noite.

"Não temos nenhuma certeza sobre a condição física, digamos, do coronel Kadhafi", afirmou também o ministro dos Negócios Estrangeiros francês na sua breve intervenção.

Alain Juppé salientou que "a França e a Grã-Bretanha foram determinantes" no sucesso da rebelião líbia e recordou "a determinação e o discernimento" da aliança que, desde Março, decidiu apoiar o levantamento armado no leste do país.  

O ministro francês sublinhou a propósito que "alguns acham que seis meses foi muito tempo e falavam de arrastamento do conflito", mas que a vitória dos rebeldes foi rápida.

"Agora, o futuro da Líbia pertence aos líbios, e apenas a eles, mas a comunidade internacional precisa de acompanhar e ajudar o Conselho Nacional de Transição" (CNT), afirmou Alain Juppé.

O chefe da diplomacia francesa frisou também que a França foi o primeiro país "a reconhecer a legitimidade do CNT" e da causa dos rebeldes líbios.

A França pretende a convocação de uma reunião de emergência do grupo de contacto para a Líbia, na próxima semana.

"Hoje mesmo, o Presidente da República falará com o líder do CNT, Mohammed Djibril, que esperamos em Paris nos próximos dias", anunciou ainda Alain Juppé.

O ministro assinalou que os combates prosseguem ainda em Tripoli, mas que "o CNT controla o essencial da capital e as cidades próximas".»

in CM online, 22-8-2011

Líbia: Dirigentes do Conselho Nacional de Transição a caminho de Tripoli


«Dirigentes do Conselho Nacional de Transição, o órgão político dos rebeldes líbios, estão a caminho da capital, Tripoli, segundo fontes militares rebeldes. O CNT foi criado oficialmente a 27 de fevereiro, após a revolta popular contra o regime de Kadhafi.»

Lusa, última hora, 22-8-2011

Líbia: Fim do regime de Kadhafi está próximo


«“O fim do regime de Kadhafi" está próximo, afirmou esta segunda-feira Michael Mann o porta-voz da chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, que pediu ainda ao líder líbio para sair do poder "imediatamente".

"Parece que estamos a assistir ao fim do regime de Kadhafi", referiu o porta-voz, Michael Mann, em declarações à agência noticiosa francesa AFP.

"Kadhafi deve sair imediatamente do poder e evitar que mais sangue seja derramado", acrescentou o representante.

O porta-voz da Alta Representante da União Europeia (UE) para a Política Externa e Segurança apelou ainda para a moderação dos rebeldes, pedindo que as aspirações do povo líbio, que deseja uma verdadeira mudança democrática, sejam respeitadas.

"É importante que as forças da oposição respeitem plenamente o direito humanitário, os direitos humanos e protejam os cidadãos", afirmou.

"É essencial que as autoridades trabalhem para honrar as aspirações da revolução [Líbia] de forma a estabelecer uma Líbia democrática, justa e próspera", referiu Michael Mann.

A Líbia "está no início do processo de transição", acrescentou o porta-voz, prometendo uma ajuda "concreta e prática" da Europa "para as próximas semanas, meses e anos".

Os rebeldes líbios entraram em Tripoli no domingo, no âmbito da revolta iniciada em Fevereiro para depor o coronel Muammar Kadhafi, no poder desde 1969.»


in CM online, 22-8-2011

Líbia: Kadafi ainda está na residência de Tripoli cercada por rebeldes


«O ex-líder da Líbia Muammar Kadafi ainda estará na residência em Bab Al-Aziziyah, Tripoli. O coronel Kadhafi "continua em Tripoli e está actualmente na residência em Bab Al-Aziziyah", disse um diplomata. Na capital Líbia, existem ainda "bolsas de resistência" fiéis a Kadafi que trocam tiros com os rebeldes.

Segundo a estação de televisão Al-Jazira, os rebeldes líbios, que ocupam a quase totalidade de Tripoli, continuam sem saber o paradeiro de Kadafi e adianta que ainda existem "bolsas de resistência" na capital, estimando que "entre 15 e 20%" da cidade continue sob controlo do regime.

Violentos combates estavam a ser travados hoje manhã em redor da residência do ex-líder líbio em Tripoli, depois de os rebeldes terem assumido no domingo o controlo de vários bairros da capital, observou um jornalista da AFP no local.

Vários combates estavam também a ser travados no sul da capital e cerca das 6:30 horas locais (5.30 horas em Portugal continental) eram ouvidos tiros junto ao hotel Rixos, onde está alojada a imprensa internacional, de acordo com o repórter da AFP em Tripoli.

Os rebeldes líbios assumiram, durante a noite, o controlo da Praça Verde em Trípoli e anunciaram a detenção de três filhos de Muammar Kadafi. Um deles é Seif al-Islam, acusado de crimes contra a humanidade e que será esta segunda-feira transferido para o Tribunal Penal Internacional, em Haia. A população saiu de imediato às ruas da capital e Benghazi para festejar. Combatentes fiéis ao regime despiram os uniformes e a abandonaram posições. O paradeiro do coronel líbio é desconhecido.

A detenção de Kadafi foi confirmada na televisão al-Arabia por um porta-voz do Tribunal Penal Internacional, que não adiantou pormenores nem revelou quem teria a custódia do líder líbio. A agência Reuters também difundiu a informação, mas pouco depois fez uma rectificação, dizendo que a detenção confirmada é de um dos filhos do coronel.

A captura de dois filhos do líder líbio, Seif al-Islam e Saadi, numa zona turística a oeste de Trípoli, foi anunciada por um dos porta-vozes da força rebelde, Aboubakr Traboulsi, na televisão al-Jazeera.

Posteriormente, o procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno-Ocampo, confirmou a detenção de Seif al-Islam, que era o "braço direito" do regime e alvo de um mandado de prisão do TPI por crimes contra a humanidade cometidos na Líbia. Será transferido, esta segunda-feira, para Haia, acrescentou. Também o filho mais velho de Kadafi, Mohamed, está sob custódia dos rebeldes depois de se ter rendido. "Estão em lugar seguro", disse um porta-voz dos rebeldes à televisão al-Jazeera, já de madrugada.

O anúncio da detenção dos filhos de Kadafi foi divulgado quando os rebeldes conquistavam Trípoli e a Praça Verde, local onde os partidários de Kadafi costumavam juntar-se para manifestar apoio ao coronel. Há indicação de que a guarda presidencial optou pela rendição. E a Internet foi restabelecida, seis meses depois do início da ofensiva contra o líder líbio.

"Regime está a colapsar"

Sinais de que a queda do regime é inevitável, aos quais se juntam as declarações da NATO. "O regime de Kadafi está claramente a colapsar", defendeu o secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, em comunicado. "É tempo agora de criar uma nova Líbia, um Estado assente na liberdade, não sobre o medo, sobre a democracia, não sobre a ditadura, conforme a vontade de todos e não ao sabor do capricho de alguns", considerou.

O secretário-geral da NATO prometeu ainda ajudar os rebeldes na reconstrução de uma Líbia democrática, após cerca de 40 anos de ditadura de Kadafi. Já durante o dia, este era o desfecho previsto. "O que estamos prestes a assistir esta noite é o colapso do regime", disse a porta-voz da Aliança Atlântica, Oana Lungescu.

Kadafi não cede

Os rebeldes garantem que os combates só param assim que Kadafi renuncie ao poder. Mas o coronel líbio, cujo paradeiro é desconhecido, não cede. "Vida ou morte", declarou numa mensagem àudio difundida pela televisão, na qual voltou a pedir à população que salve a capital. "Receio que se não agirmos ele incendeiem Trípoli", disse. "Não haverá água, alimentos, electricidade ou liberdade", acrescentou.

O porta-voz do governo líbio, Moussa Ibrahim, anunciou que pelo menos 1667 pessoas morreram nas últimas 24 horas em Tripoli, com o início da ofensiva dos rebeldes sobre a capital. Defendeu ainda um cessar-fogo e garantiu a existência de milhares de combatentes dispostos a defender o regime.

A televisão líbia continuou a passar imagens gravadas de apoiantes de Kadafi. Mas as imagens em directo de Trípoli não deixam dúvidas: a população saiu à rua para festejar, disparando tiros para o ar e pisando fotografias de Kadafi. "Deus é grande", "Liberdade, liberdade" e "Kadafi caiu" grita a multidão em euforia.

Fim de seis meses de ofensiva

A "conquista" de Trípoli pelos rebeldes aconteceu depois do lançamento de uma acção que estava a ser planeada há meses e que juntou os rebeldes líbios - os que combatem abertamente no terreno e os que actuam em segredo na capital. A oposição juntou os seus esforços aos de diversos imãs islâmicos que, aos altifalantes das mesquitas, incitaram o povo líbio a sair à rua para se revoltar contra o regime.

A denominada "Operação Sereia" arrancou no sábado à noite e teve um dos pontos altos, domingo, com o bombardeamento, por parte dos aviões da NATO, do quartel-general de Kadafi e do aeroporto de Maitika. Os rebeldes conseguiram ultrapassar as defesas montadas pelo regime nos limites exteriores de Trípoli e avançaram em carrinhas e camiões em direcção à capital, iniciando o assalto final ao reduto de Kadafi, seis meses após o início da ofensiva.»

in JN online, 22-8-2011

domingo, 21 de agosto de 2011

Líbia: “Deus é grande!” e “Estamos livres!” são os cânticos que se ouvem nas ruas de Trípoli


«“Deus é grande!” e “Estamos livres!” são os cânticos que se ouvem nas ruas de Trípoli, de acordo com um correspondente da BBC no terreno. “Mas há também muita incerteza, porque as pessoas pensam que está tudo a acontecer de forma demasiado fácil”, acrescenta.»


in Público online, 23h45, 21-8-2011

Líbia: Dois aviões sul-africanos no aeroporto de Trípoli


«A Al Jazira avança, no Twitter, que foram avistados dois aviões sul-africanos no aeroporto de Trípoli. África do Sul chegou a oferecer-se para receber Muammar Khadafi.»

in Público online, 21-8-2011

Líbia: Conselho Nacional de Transição oferece a Khadafi saída segura do país



«Conselho Nacional de Transição oferece a Khadafi uma saída segura da Líbia, se o coronel resignar, noticia a Al Jazira.»

in Público online, 21-8-2011


Líbia: Mohammed Khadafi, o filho mais velho de Khadafi, rendeu-se



«Al Jazira avança que Mohammed Khadafi, o filho mais velho de Muammar Khadafi, se rendeu às forças da oposição.»


in Público online, 21-8-2011

Líbia: Kadhafi está prestes a cair


«É a batalha final pela Líbia. Os rebeldes já dominam largas partes da capital e a população celebra nas ruas da cidade.

Está em curso o último acto da guerra civil líbia iniciada em Fevereiro. Depois de um primeiro ataque frustrado na noite de sábado, grupos de homens armados combatem neste domingo já no interior de Tripoli, a capital da Líbia, controlando a Praça Verde e outras posições estratégicas na cidade. Centenas de presos foram libertados e pelo menos duas base militares foram tomadas.

Os grupos revoltosos, que estão a ser bem acolhidos pela população civil, são predominantemente oriundos da própria cidade e não das forças rebeldes que neste momento cercam a capital, o que indiciará uma forte rejeição do regime por parte dos líbios. Os habitantes de Tripoli celebram nas ruas. Bebidas e bolos são partilhados entre vizinhos.

No exterior da cidade, fontes rebeldes afirmam que a queda de Tripoli está «por horas» graças ao levantamento armado dos grupos em acção no interior da capital. Os desenvolvimentos das últimas horas terão sido facilitados em grande medida pela tomada de uma importante base militar e do seu arsenal.

Vários países apelaram nas últimas horas aos seus cidadãos para que abandonem Tripoli. A Alemanha admite ter uma unidade de operações especiais no terreno para proteger os seus diplomatas. O hotel Rixos, onde se concentram os jornalistas estrangeiros, encontra-se há várias horas no centro de uma batalha.»

in SOL online, 21-8-2011

Líbia: 1.700 mortos em Tripoli nas últimas 24 horas, diz porta-voz do regime


«O porta-voz do governo líbio, Moussa Ibrahim, anunciou que pelo menos 1667 pessoas morreram nas últimas 24 horas em Tripoli, com o inico da ofensiva dos rebeldes sobre a capital.»


Lusa, última hora, 21-8-2011

Líbia: Regime de Kadhafi pode entrar esta noite em "colapso"


«O regime de Muammar Kadhafi pode entrar hoje à noite em "colapso", face à ofensiva rebelde sobre Tripoli, considerou uma porta-voz da NATO.

"O que estamos prestes a assistir esta noite é o colapso do regime", disse à agência France Presse a porta-voz da Aliança Atlântica Oana Lungescu. "Kadhafi já percebeu que não tem qualquer hipótese de vencer", referiu a porta-voz, acrescentando que o regime líbio "está claramente no seu último estertor".

Oana Lungescu destacou as mais recentes deserções no seio do regime. "As pessoas estão a fazer as suas malas. Três pessoas importantes desertaram nos últimos dias, e o território controlado por Kadhafi diminui a olhos vistos", vincou.

Mais de 4 mil alvos militares foram danificados ou destruídos desde Abril, salientou, sem entrar em pormenores.»


in DN online, 21-8-2011


Líbia: Rebeldes chegaram à Praça Verde e anunciam detenção de dois filhos de Kadhafi


«Os rebeldes líbios chegaram à Praça Verde e anunciaram a detenção de dois filhos do líder Kadhafi, noticiou a televisão Al-Jazira. A Praça Verde é um dos símbolos do regime líbio.»


Lusa, última hora, 21-8-2011

A quanto está a traição?

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Cartoon de Henrique Monteiro
(21-8-2011)

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Paulo Rodrigues, presidente da ASPP/PSP: "Há polícias a mais. Não tenho dúvidas."

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Paulo Rodrigues, presidente da ASPP/PSP, em entrevista ao "Jornal de Notícias", onde aponta má gestão e critica o excesso de tarefas administrativas exercidas por agentes polícias."Jornal de Notícias", 19/08/2011, reproduzido no Expresso online.


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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Carlos Abreu Amorim, vice-presidente da bancada parlamentar do PSD: “Não gostei nada das declarações do ministro da Economia acerca do TGV”


«Carlos Abreu Amorim, vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, criticou hoje Álvaro Santos Pereira. “Não gostei nada das declarações do ministro da Economia acerca do TGV”, escreveu hoje na sua página no Facebook.




O Governo não pode desdizer-se numa questão tão relevante”, disse Carlos Abreu Amorim sobre as afirmações do ministro da Economia e Emprego, ontem, em Espanha.

O PSD e o CDS garantiram que se tratava de um investimento ruinoso - agora não podem mudar de opinião, de modo mal camuflado, excepto se existirem dados relevantes que a isso obriguem”, afirmou também o vice-presidente da bancada parlamentar social-democrata, acrescentando: “Ora, tudo o que sabemos sobre o TGV continua a provar que não se deve fazer.”

Ontem, em Madrid, Santos Pereira remeteu para Setembro uma decisão sobre a rede de alta velocidade, que, disse, procurará articular com as autoridades espanholas. Já o ministro espanhol do Fomento, José Blanco, disse que Portugal “precisa de tempo” para estudar as formas e os custos das linhas de TGV.

“Em relação ao comboio de alta velocidade, comuniquei ao senhor ministro [José Blanco] que a intenção é chegar internamente a uma decisão em Setembro, articulando essa decisão com as autoridades espanholas”, afirmou Santos Pereira depois do encontro com o governante espanhol no âmbito da ligação ferroviária entre Lisboa e Madrid e entre Porto e Vigo.

Santos Pereira prestou apenas uma declaração na capital espanhola, sem direito a perguntas, tendo José Blanco permanecido depois na sala de imprensa para responder aos jornalistas.»


in Público online, 18-8-2011

Hoje, em Fátima rezei por ti

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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Mário Crespo recebe de Passos Coelho recompensa por ataques cerrados ao governo de José Sócrates


Mário Crespo convidado pelo Governo para correspondente da RTP em Washington

«Convite feito por Miguel Relvas surpreende administração da RTP e viola critérios da direção de informação do operador público para a escolha de correspondentes.




O jornalista da SIC Mário Crespo foi sondado pelo ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, para saber da sua disponibilidade para aceitar o cargo de correspondente da RTP em Washington. A situação está a gerar algum mal-estar na administração da estação pública, que só soube desta intenção do ministro com a tutela da comunicação social após os primeiros contactos informais entre o governante e o jornalista.

Contactada pelo Expresso, fonte oficial do gabinete do ministro dos Assuntos Parlamentares recusou comentar o convite. Mas Mário Crespo não desmente a abordagem. "Não me foi feita nenhuma proposta formal. Mas é um lugar que me honraria muito nesta fase da minha carreira e para o qual me sinto habilitado", respondeu o jornalista ao Expresso, desvalorizando as interpretações que possam surgir na opinião pública pelo facto de ser convidado pelo atual governo, depois de uma convivência turbulenta com o executivo de José Sócrates.

Até à hora de publicação desta notícia não foi possível obter uma reação da administração da RTP. Mas segundo informações recolhidas pelo Expresso, a abordagem feita por Miguel Relvas a Mário Crespo apanhou de surpresa não só a administração mas também a direção de informação da estação.

Primeiro porque a nomeação de correspondentes da RTP é uma incumbência da direção de informação, com posterior aval da administração. Depois, porque estas nomeações têm um regulamento interno com critérios bem definidos: é dada primazia aos jornalistas da RTP interessados em colocações no estrangeiro - o que não é o caso de Mário Crespo, jornalista da SIC - e os candidatos só são escolhidos após avaliação feita por um júri interno.

O certo é que a RTP está sem correspondente em Washington desde março, altura em que o jornalista Vítor Gonçalves regressou a Lisboa para integrar a nova direção de informação do operador público, liderada por Nuno Santos, após as saídas de José Alberto Carvalho e de Judite de Sousa da RTP para a TVI. Por isso, a direção de informação do canal público estava a preparar-se para lançar um concurso interno para o preenchimento da vaga. Processo este que poderá agora ser anulado pela provável adjudicação direta do cargo a Mário Crespo.

Caso se confirme o convite ao jornalista - e este mantenha a disponibilidade para aceitá-lo - , Mário Crespo regressará à RTP onze anos depois de ter saído da empresa para ingressar na SIC Notícias. No operador público, de resto, Crespo também já ocupara, durante a década de 90, os cargos de correspondente da estação em Washington e Nova Iorque. »


Texto in Expresso online, 17-8-2011
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Título do post de Zorate

Uma imagem que vale por 1000 palavras

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Imagem recebida por e-mail

A esperança europeia

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Cartoon de Henrique Monteiro
(17-8-2011)

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O Dr. Passos Coelho mentiu aos portugueses

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«O que para o Dr. Passos Coelho em Maio era uma verdade inquestionável, uma garantia e uma promessa eleitoral aos portugueses a semana passada caiu por terra. E com isto caiu por terra o mito de que Passos é diferente de Sócrates ou de qualquer outro, que do seio de um destes dois partidos apareça em bico dos pés e vontade de ganhar eleições com meia dúzia de promessas guardadas num bolso descosido.

"O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, garantiu hoje que, se ganhar as eleições, "não vai mexer nas taxas de IVA" e que pretende recolher mais dinheiro dos impostos "alargando a base". "Eu já tive ocasião de dizer que o PSD, e eu próprio, não vamos mexer naquilo que são as taxas de IVA que estão previstas, nomeadamente no acordo que foi estabelecido com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional. Nós vamos ter de recolher mais dinheiro dos impostos alargando a base, que não aumentando ou agravando as taxas do imposto", disse."

Passos Coelho falava numa acção de campanha em Valença do Minho, durante a qual ouviu as preocupações dos comerciantes e dos autarcas locais sobre a disparidade já existente entre o IVA em Portugal e em Espanha." LUSA/SOL 30 de Maio de 2011

Lembra-se desta promessa Dr. Passos Coelho? Tem a certeza?

 O que fez esta semana relativamente à subida de taxa do IVA de dois bens como a electricidade e o gás natural da taxa mínima (6%) para a taxa máxima (23%) provocando um aumento nas despesas mensais das famílias portuguesas (que se traduz num acréscimo de 12,75 euros à factura para uma família com consumo de 50 euros mensais de electricidade e 25 euros de gás natural) é um roubo. Repito: UM VERDADEIRO ROUBO!

Para quem prometeu cortes significativos na despesa e não o aumento sucessivo da receita via os mesmos de sempre o senhor faltou à verdade. Como vai explicar às famílias, aos empresários, aos proprietários de todo o tipo de comércio e restauração que acreditaram em si, que em si votaram e que agora o vêem fazer exactamente o mesmo que a figurinha que o antecedeu no governo fez durante 6 anos, e que o senhor criticou veemente por agir dessa forma despudorada. Afinal o que o diferencia do seu antecessor? Qual é a seriedade de quem promete e, três meses volvidos e eleições ganhas à custa dessas mesmas promessas, age de forma contrária ao esperado, anunciado e prometido. O que vale afinal a sua palavra? Nada? Ou terá um prazo de validade de três meses?

E não se desculpe com novos desenvolvimentos e desconhecimento do verdadeiro estado de coisas. Se não sabia o que ia encontrar não prometesse de olhos fechados, só por antítese e com sorrisinhos de eleições à vista. Uma pessoa que promete algo com conhecimento de causa é um optimista, uma que promete sem saber se vai ter sequer condições para tentar cumprir o que prometeu é não só um verdadeiro inconsciente como um malabarista. Estamos a falar de um país inteiro, Dr. Pedro Passos Coelho.

O senhor está a ir ao bolso de forma execrável aos portugueses, e pior, não faz sequer ideia do impacto catastrófico que estas medidas a nível familiar e a ao nível das empresas. Eu não acredito em si. E não vou acreditar nunca. É mais um a servir-se e a colocar os amigos nos lugares chave. Mais do mesmo, novamente.»

in Expresso online, 16-8-2011

 

Este governo tem colhões babilónicos ou é só conversa?

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Dr. Passos, V. não terá uma terceira chance

Passaram dois meses, mas já começo a ficar farto deste governo. Ainda não vimos cortes de despesa a sério. Existe um desejo de cortar, mas só isso. Bem sei que não está fácil, que a casa parecia um bordel socialista, etc. Donde a aceitação resignada do imposto extraordinário em Julho . Mas há limites. Na semana passada, a par do novo aumento de impostos, o ministro das finanças devia ter apresentado cortes concretos e brutais na despesa. Como Gaspar não fez isso, ficámos apenas com mais um aumento de impostos e, ai que bom, com umas entrevistas e declarações (Gaspar, Moedas e Passos) a colocar em cima da mesa o desejo de cortar historicamente na despesa. Pois, muito bem, meus caros Gaspar, Moedas e Passos: esse corte histórico na despesa tem mesmo de aparecer, porque V. Exas. não terão uma terceira chance. Se apresentarem mais aumentos de impostos sem uma redução pantagruélica da despesa, o caldo entornar-se-á, meus caros.

O momento chave será a apresentação do Orçamento de 2012. Até esse momento, este governo estará, no fundo, a gerir o caos herdado. Mas após a apresentação do OE 2012, as desculpas acabarão. A herança socrática continuará a pesar , mas todos os instrumentos já estarão na posse deste governo. Será nesse momento que veremos uma coisa: este governo tem cojones babilónicos ou é só conversa? Há coragem para cortar ou não? Este governo quer fazer história ou quer ser só mais um? Há 14 mil instituições atreladas ao Orçamento. 14 mil. Querem um desenho? O país vai perceber os cortes e o encerramento de milhares dessas instituições. Aumento de impostos sem o sacrifício desta galáxia estatal é que não é aceitável.

E, já agora, uma palavrinha especial sobre uma despesa especial: Dr. Passos, não se atreva a pagar tudo ao dr. Jorge Coelho & afins. Aquelas PPP têm de ser renegociadas em nome do interesse nacional . Se não se importa, meu caro, eu não quero ser um escravo fiscal das PPP de Sócrates & Lino. Por uma vez na vida, a Mota-Engil & afins têm de sentir o peso do Leviatã. Se pagar tudo ao dr. Coelho, V. Exa. passará a ser igual ao indivíduo que ocupou o seu lugar até Junho passado. Sabe o que isso significa? Que a malta vai deixar de ser bem-educada.


Imagem, subtítulo e texto in Expresso online, 16-8-2011
Título do post retirado do texto com tradução de Zorate


Os negligentes

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Cartoon de Henrique Monteito
(16-8-2011)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Pombos

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Notas do Zorate:
No meu pombal habitam mais de 100 pombos.
Estão em regime aberto: saem, voam e entram quando querem.
A cena da imagem (que não é minha) já a vi dezenas de vezes.


Imagem recebida por e-mail

Mosteiro da Serra do Pilar








«Inserido na área classificada em Dezembro de 1996 como Património Mundial da UNESCO, o Mosteiro da Serra do Pilar, ex-libris de Gaia, preserva a interessante igreja e o claustro, de planta circular, exemplar único em Portugal.

A Igreja, caracterizada pela sua forma circular, é uma réplica da Igreja de Santa Maria Redonda, em Roma, e é coberta por uma abóbada hemisférica. Foi construída em 1538 pelos mestres Diogo de Castilho e João de Ruão para os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Levou 72 anos a concluir, devido à falta de verba dos cónegos e à situação política da altura - o reino de Portugal tinha sido tomado pela vizinha Espanha, tendo mesmo este local adoptado o nome de uma santa espanhola, a Nossa Senhora do Pilar.

Em 1832, durante o Cerco do Porto, foi reconhecido o valor militar do local e o convento foi transformado em fortaleza improvisada. No início do século XX, tornou-se Quartel das Tropas, estando actualmente sob a alçada do Regimento de Artilharia da Serra do Pilar.

No interior, são de salientar alguns retábulos de talha dourada, com colunas salomónicas, e as esculturas de madeira policromada, setecentistas, figurando Santa Eulália, Santa Apolónia e Santo Agostinho.

Defronte da Igreja, existe um magnífico miradouro, de onde se pode observar a cidade do Porto e o rio Douro.»

Imagens in Google


Notas do Zorate:
Cumpri cerca de metade do serviço militar obrigatório no RASP (Regimento de Artilharia da Serra do Pilar), unidade militar instalada precisamente no Mosteiro da Serra do Pilar, em Vila Nova de Gaia. A primeira parte tinha sido no RALIS (Regimento de Artilharia de Lisboa).
Já lá vão mais de 30 anos.
Guardo boas recordações da minha passagem por Vila Nova de Gaia e Porto.

domingo, 14 de agosto de 2011

E agora senhor Dr. José Pedro Aguiar-Branco?


«Duas espingardas, duas pistolas metralhadoras e duas pistolas foram roubadas da base da Marinha no Alfeite, em Almada, disse à Agência Lusa fonte oficial da Marinha, acrescentando que o armamento é igual ao usado pelo corpo de fuzileiros.

- José Pedro Aguiar-Branco, Ministro da Defesa Nacional -

O roubo foi detectado durante uma "ronda de vigilância ao final da tarde" deste domingo, disse o comandante Santos Fernandes, relações públicas da Marinha, à Agência Lusa.

Desapareceram do local "duas espingardas, duas pistolas metralhadoras e duas pistolas", de acordo com a mesma fonte.

As seis armas estavam inseridas numa exposição a decorrer na base da Marinha e destinavam-se a mostrar o tipo de armamento usado pelo corpo de fuzileiros. "O material de guerra, em que se incluíam as seis armas, estava disponível para uma exposição no decurso do Dia da Defesa Nacional. Quando não estavam em exposição em vitrines, o armamento era guardado no interior do edifício, numa arrecadação protegida por uma porta-grade de segurança. Essa porta foi violada", explicou o comandante Santos Fernandes.

A área foi selada, após o roubo ter sido detectado, de modo a preservar as provas.

A Polícia Judiciária Militar já está a investigar o caso, que foi avançado, esta noite, pela televisão SIC.»


in JN online, 14-8-2011
Notas do Zorate:
E agora senhor Dr. José Pedro Aguiar-Branco?
Enquanto ministro da Defesa Nacional, responsável máximo pelo funcionamento das Forças Armadas, assume a responsabilidade politica deste acontecimento insólito?
Ou vai assobiar para o lado e fingir que não é nada consigo, como fez o seu antecessor no caso das violentas agressões ocorridas naquela mesma unidade militar?

General Loureiro dos Santos: "Merkel está a conseguir aquilo que Hitler não conseguiu"


«Quando o i rumou a Carnaxide para uma entrevista de fundo com José Alberto Loureiro dos Santos, não esperava mais que uns minutos de viagem. Foi depois de nos sentarmos no sofá com o general que ela começou. Duas horas de conversa levaram-nos de Londres ao Afeganistão e de regresso à Europa, do século xx à Idade Média e de regresso à actualidade. A casa da partida - e o mote da entrevista: os motins que têm varrido Londres.




Londres tem estado a ferro e fogo. Que leitura faz destes acontecimentos?Olho para isto em duas fases: o eclodir dos acontecimentos e os acontecimentos em si, a persistência das acções de vandalismo.

É apenas vandalismo gratuito?

As razões profundas estão ligadas à construção das sociedades, começam nos guetos das cinturas explosivas das grandes cidades e há uma série de razões que originam situações assim. Não é a primeira vez que isto acontece em Inglaterra. Vemos as imagens de 1980 e são as mesmas. A segunda fase é que acho que mostra impunidade. Aquilo prosseguiu daquela forma porque a resposta não foi suficiente.

Refere-se à actuação das autoridades?

Sim. O Reino Unido é muito restritivo no que respeita aos direitos humanos, o que faz com que as polícias não tenham capacidade de resposta imediata. E para elevar o grau de força há delongas que têm razão de ser e que me parecem razoáveis. Só que esta situação aconselha o uso da força, que tem de ser proporcional ao que acontece. E ser proporcional não significa tratar mal os bandidos, os gangues ou aqueles que nem eram bandidos nem de gangues mas aproveitaram, por oportunismo e pela impunidade. Aqueles miúdos fizeram isto pela impunidade, "estou aqui e faço isto porque não me acontece nada". Aqui é que devia entrar o uso da força e eles tinham condições para isso! Cameron até disse uma coisa interessantíssima sobre as pessoas andarem com máscaras. Então saem leis que impedem as muçulmanas de usar burkas e eles andam encapuzados e não se faz nada? Não me passa pela cabeça que um polícia nosso não possa, numa situação de confusão, perante indivíduos mascarados, obrigá-los a tirar as máscaras!

Fala nas condições que propiciam situações destas. Quais são elas?

Discriminação social e o sentimento de que não são tratados como os outros. E depois a diferença entre os que têm muito e os que têm muito pouco...

E esse fosso está a aumentar...

Exacto. E o problema novo que altera tudo é que as sociedades foram sempre constituídas por dois mundos diferentes, mas não havia o que há hoje, que é a informação permanente. Ela transformou as coisas. Tudo aquilo que sempre existiu passível de originar actos de revolta agora está perante os nossos olhos, portanto os pobres, os que vivem mal, os que se sentem injustiçados ou discriminados, os que não sabem bem onde pertencem, comparam-se com os outros. E esse conhecimento permanente gera indignação.

Podemos extrapolar esta situação e dizer, como alguns, que é um prenúncio do que vai acontecer em todo o lado?

Acho que tem de haver respostas rápidas a isto, porque esta crise trouxe uma situação nova. É que no passado, quando se falava de desemprego e utilizando linguagem militar, quem ia para o desemprego eram os soldados, os operários. Agora não, agora vão os soldados, os sargentos, os capitães, os majores, vão todos para o desemprego e há gente da classe média, até da média alta, desempregada e desesperada. Isto pode conduzir a revoltas organizadas e, em desespero, podem fazer-se muitas coisas. E esta situação deve merecer muita atenção dos responsáveis políticos, principalmente em termos preventivos. É preciso encontrar políticas que evitem estas situações.

Que tipo de políticas?

Não sei. Até agora eram apoios sociais, para amenizar as dificuldades, mas por causa da crise o que está a acontecer é que os apoios sociais estão a desaparecer. E isto está tudo inserido numa grande transformação estratégica.

Em 2009 disse ao i que "na história não se conhece uma alteração das forças globais num tão curto período".

Exactamente. E aquilo a que assistimos agora é a adaptação à realidade. O poder dos países emergentes e reemergentes está a mudar e na Europa há um caso.

A Alemanha?

Exacto. O poder está a ser transferido dos países ditos desenvolvidos para o Sul e para o Leste e na Europa os países estão a perder poder para a Alemanha. Isso acontece pelas dívidas desses países que não têm riqueza - e poder é riqueza. É isso que acontece diariamente com as bolsas. Nestes últimos dias, por causa da queda das bolsas, o Ocidente ficou mais pobre 900 mil milhões de euros. Portugal, nestes últimos dias, perdeu 10 mil milhões de euros. Isto é perda de poder! E no meio disto dá--me a ideia de que os países que perdem mais poder e riqueza e que têm de mudar completamente os seus comportamentos são os europeus, excepto a Alemanha.

Numa crónica recente falou na fatalidade de os países do Sul ficarem completamente dependentes dela...

Nesse artigo também levanto uma dúvida: dizem muito mal da Merkel mas eu interrogo-me sobre se há razões para isso. A táctica de não decidir logo é fenomenal! Pode não significar fraqueza, pode ser intencional, porque ela sabe que não decidindo logo vai criando desespero, os países aflitos vêem as dívidas crescer e a certa altura ficam disponíveis para aceitar tudo o que a Merkel quiser impor e é isso que se está a passar. Com o tempo, a própria legislação da UE altera-se para dar poder à Alemanha, que está em condições de conseguir algo que nunca conseguiu...

Nem com o Kaiser nem com Hitler?

Exactamente, escrevi isso. O grande problema da Alemanha, como da Rússia, é não terem fronteiras defensáveis. A Rússia compensa isso por ter muito espaço, que desgasta o adversário. Foi o que aconteceu quando Napoleão invadiu a Rússia e quando Hitler invadiu a Rússia: foram por aí fora, chegaram lá exaustos, perderam e vieram-se embora. A Alemanha para conseguir fronteiras defensáveis tem de ir para as praias. Tentou fazer isso pela guerra, com o Kaiser e com Hitler, e agora está a fazê-lo pela via económica, pagando as fronteiras. E isto é uma alteração brutal no campo estratégico.

A Alemanha vai dominar-nos?

Ouça, a dada altura pensámos que a UE era o reino da solidariedade, mas eu já digo há muitos anos: em relações internacionais não há solidariedade, só interesses. Quando um país entra numa organização de vários estados é porque está convencido de que é melhor estar dentro. E aí cada um procura sempre defender os seus interesses.

Acha que o sonho europeu falhou?

Houve uma série de pessoas com esse sonho, que viam uma Europa tipo Estados Unidos. Mas desde o início foi claro que nem a Alemanha, nem a França nem o Reino Unido estavam interessados nisso, porque não queriam que houvesse uma câmara alta em que o Luxemburgo pudesse pesar tanto como a Alemanha. Como é que a Alemanha podia admitir isso? Na UE nunca houve solidariedade. Eu escrevo isso desde o ano 2000. Que não pensemos que outros vão vir em nosso socorro. Como esta subida do preço dos alimentos: alguém pensa que, se nós estivermos aflitos sem dinheiro para comer, a Alemanha ou a França nos vêm dar alimentos e ficam eles com fome? Que ninguém pense nisso! Em Portugal houve líderes que se convenceram de que agora éramos todos iguais, podíamos ser todos ricos e andámos a gastar o que não tínhamos! Isto explica a nossa actual situação e não fomos só nós que o fizemos, foi a maior parte dos países. Não há solidariedade internacional e a prova é o que está a acontecer na UE.

Já falámos no desespero generalizado e na rapidez dos acontecimentos. Que previsões faz a médio prazo?

Em 2009 eu dizia que se previam cinco ilhas de poder mundial, estados com capacidade de intervenção global: EUA, Rússia, China, Índia e Brasil. E havia duas áreas que podiam ser ilhas de poder mundial, mas que não eram nem eu esperava que viessem a ser. Uma, a Europa - se se unisse sob um poder comum; a outra, o Médio Oriente. Ambas têm muita população e são muito ricas. Só que, não tendo poder político único, as políticas internas chocam e inviabilizam a projecção exterior.

Esta Primavera Árabe mostra isso...

Sim. E na Europa, qual era a possibilidade? Era que a Alemanha dominasse! [risos] Eu escrevi isso! Se a Alemanha arranjasse maneira de se impor à Europa, transformava-se na sexta ilha do poder mundial. E em 2009 eu estava convencido de que isso ia acontecer, mas nunca tão depressa. As coisas estão a cavalgar. Na altura dizia que os EUA seriam a potência directora, mas estou a ver agora que dentro de uns anos vão deixar de marcar a agenda internacional. Será a China, a Índia ou até a Alemanha, se conseguir submeter a Europa. Basta ver pelos ratings. Agora só há meia dúzia de países com AAA e dos grandes julgo que é só a Alemanha.

Falando em rating, o que pensa dessas agências? Ultimamente tem-se questionado muito a sua existência e poder.

O poder é-lhes dado pela forma como os estados reagem aos seus anúncios. Não são elas que detêm poder, quem lhes dá o poder são os estados. Quando os EUA ficam completamente à nora com a baixa do rating estão a dar-lhes muito poder. O capitalismo já não é aquele que os teóricos do século xx referiam. Agora quem controla são organizações acéfalas, que não se sabe bem o que são, nem quem manda lá... Mas são eles que manobram a economia mundial. E mais, hoje o dinheiro é virtual, são bits, aquelas coisas do computador, que não é nada [risos]. Se não houver mudanças nos estados democráticos, se não arranjarem forma de sair desta tendência quase inevitável, vamos caminhar para capitalismos do género russo ou chinês, autoritários, sem liberdades, sem democracia, e isso é um perigo. Os países democráticos têm de evitar que o actual capitalismo sem rosto se transforme em sistemas ditatoriais.

O que é que pode ser feito?

Têm de ser os jovens. O problema principal deles, hoje em dia, não se punha no meu tempo. Antigamente ter segurança no trabalho era um dado adquirido, não se pensava na fonte de rendimento. Agora isto cria desespero nos jovens. Mas há uma coisa que me espanta nos jovens hoje. No passado, com a revolta dos jovens de Maio de 68, havia propostas, coisas novas. Agora não, aquilo que os indignados dizem é que isto está mal e depois apresentam questões pontuais que passam por "dêem--me emprego". A ideia que dá é que eles concordam com este modelo, desde que lhes dêem um emprego. Isso é errado, porque o modelo é que está mal, foi o modelo que levou a esta situação! Têm de aparecer propostas e os jovens são os únicos com condições para as apresentar.

Uma ideia é pedir uma auditoria dos cidadãos à dívida pública.

Isso nem sequer é uma ideia original, mas parece-me razoável. As ameaças à segurança nacional neste momento não são susceptíveis de resposta militar, têm de ter respostas políticas, económicas, sociais, e espero que não venham a precisar de resposta militar. Há muita gente que vaticina isso, que diz que o que está a acontecer é o que se passou a seguir à grande crise dos anos 30, que começou por aqui: dívidas, nacionalismos, fascismos, guerra. Espero que não chegue aí, sinceramente, até porque as sociedades estão de tal forma vulneráveis e frágeis, por serem tão complexas, que não vão resistir a um abalo. Julgo que vamos passar por um período muito complicado, que não deverá ser muito prolongado - porque isto hoje está muito acelerado - e vão surgir soluções. O mundo nunca deixou de encontrar uma solução. Não pensemos que vamos desaparecer, até porque essas ideias são vendidas pelos mais velhos [risos].

Isso é uma mensagem de optimismo à juventude?

Sim, sim. Eu digo muitas vezes à minha neta, acho bem que vocês se mexam, que tenham ideias, que questionem as coisas. Quando era director do Instituto de Altos Estudos Militares dizia sempre: "Nós aqui temos duas missões: uma é ensinar as doutrinas aos oficiais e a outra, que é a verdadeira missão, é pôr essas doutrinas em causa." Está tudo em causa, nada é dado como facto consumado, nada é definitivo. Quando falo com a minha neta digo-lhe: "Vocês ponham isto tudo em causa!" Aqueles que se sentem mal, esses é que têm de procurar uma solução. Isso pode trazer alguma dor, muitas vezes essas coisas são um bocado dolorosas, mas paciência, tem de ser. Os resultados depois são positivos.

No rescaldo dos atentados de Oslo, disse que era provável que tivessem sido radicais islâmicos...

O dado novo com o que se passou em Oslo é que pela primeira vez, os métodos utilizados pela jihad muçulmana estão a ser utilizados pela jihad cristã. Quando esta direita ia para a violência, tentava aliciar instituições e com elas procurava derrubar o poder político instituído. Agora o que este homem da extrema-direita fez é tudo o que os muçulmanos extremistas advogam: matar inocentes, chamar a atenção com espectáculo, até admitir o martírio. Quando estamos a comentar as origens de um acontecimento, o raciocínio parte dos factos que conhecemos. Foi isso que fiz quando se deram os atentados de 11 de Março em Madrid. Até o governo espanhol da altura dizia que era a ETA e eu disse "isto não me parece um atentado da ETA, isto parece um atentado islamita". Ora eu fiz o mesmo vaticínio para estes de Oslo. Quando depois se chegou à conclusão de que afinal foi um extremista de direita então é um novo terrorismo que aparece a mimetizar o terrorismo jihadista.

A morte de Bin Laden vem mudar esse terrorismo jihadista?

A morte do Bin Laden, do ponto de vista local, pode ter tido algum efeito, mas em boa verdade Bin Laden já não era um comandante operacional, já ninguém seguia aquilo que ele mandava.

Que quer dizer com isso?

A Al-Qaeda central está praticamente desmantelada. As organizações que existem agora são regionais, como a Al-Qaeda da Península Arábica ou para o Magrebe Islâmico; têm pretensões globais, porque copiam a doutrina jihadista, mas existem por razões locais. Este terrorismo jihadista que se mantém eliminou as ameaças da Al-Qaeda central, mas não quer dizer que uma destas organizações não tenha capacidade para fazer atentados globais. O importante com Bin Laden foi a sua doutrina e objectivos. Ele será sempre um grande imã porque teve aquelas ideias: restaurar o califado, voltar ao período da Idade Média, em que o islão era rico, poderoso e dominava o mundo. Qual é o muçulmano que não quer estar numa situação dessas, diga-me lá? [risos] É claro que todos querem. O terrorismo está aí para continuar e vai tendo cada vez mais filhotes. Agora foi um filhote da extrema-direita. Agora até a extrema-direita achou conveniente esta doutrina para levar a cabo os seus objectivos políticos.

Já escreveu que o sistema de defesa nacional português tem lacunas. O que acha da proposta do governo - que também fazia parte do programa do PSD - de unir questões de defesa a questões de segurança?

O programa do PSD não me preocupa, o que me preocupa é o programa do governo. Eu sempre critiquei o sistema de segurança nacional, porque em Portugal os responsáveis políticos ainda estão convencidos de que a segurança nacional é só feita por militares. O programa do governo, a meu ver, tem bons auspícios: pela primeira vez o primeiro-ministro assume a junção da defesa e da segurança ao nomear o primeiro assessor de Defesa Nacional.

Mas a Administração Interna e a Defesa Nacional têm papéis distintos.

Sim, só que o tipo de ameaças hoje alterou-se e quando se dá um atentado terrorista num território nacional não se sabe se foi perpetrado pelo Bin Laden - pelo Bin Laden já não pode ser, mas pelo Zawahiri, ou por um vizinho paquistanês que vive aqui em Carnaxide. De acordo com a nossa Constituição, se for perpetrado por um vizinho meu de Carnaxide que não pertence a uma organização no exterior, esse problema é tratado pela Administração Interna. Se for pelo Zawahiri, já pode ser tratado pelo Ministério da Defesa. Mas a realidade não se compadece com esta legislação, porque quando foram feitas estas leis não havia estas ameaças que por vezes exigem respostas que só as Forças Armadas podem dar.

Propõe então alterações na lei?

De acordo com a legislação, isso só pode acontecer se for declarado um estado de excepção, ou seja, situação de guerra, estado de sítio ou estado de emergência. Ora bem, imagine o caso de um avião: damos conta de que vem um no espaço aéreo e passados 20 minutos está em Lisboa a cair num estádio nacional cheio de gente a assistir ao Benfica-Porto no final da taça. Ora isto não é compatível com a declaração de um estado de excepção, não há tempo para se reunir a assembleia. Temos de criar legislação que permita isso, o que pode passar por alterar a Constituição. O governo anterior teve uma ideia engenhosa. Disse que, em certas circunstâncias, as Forças Armadas podem colaborar com as forças de segurança interna contra ameaças transnacionais. Mas essa expressão não existe na Constituição, portanto pode ser declarado inconstitucional.

Pura semântica?

[risos] Essa expressão é muito boa. Tem de haver um plano aprovado pelos órgãos de soberania todos que diga que, quando acontecer isto, o chefe do Estado-Maior tem autoridade para mandar abater o avião. A nossa legislação não cobre isto, portanto tem de se alterar. É este o ponto de encontro entre a Administração Interna e a Defesa Nacional. Agora a legislação que houver nesse sentido tem de dizer muito claramente que o emprego das Forças Armadas em território nacional tem sempre carácter excepcional. Antes do 25 de Abril a legislação não era tão restritiva e passei por uma situação terrível.

Que situação foi essa?

Eu era tenente em Vendas Novas e, em 1958, houve eleições presidenciais. Há um dia em que o comandante manda tocar oficiais e diz: "Recebi ordens do chefe do Estado-Maior do Exército para enviar uma companhia para Setúbal porque vai haver um comício do general Humberto Delgado. O governo receia que a polícia e a GNR não consigam conter qualquer problema que surja e o Exército pode ter de avançar." Sem declaração de estado de emergência sem nada. Foi nomeada uma companhia com três pelotões e eu comandava um deles. Não imagina a noite angustiante que passei. Felizmente não foi preciso actuar, mas eu interrogava-me: "Se me mandarem fazer alguma coisa, o que é que eu vou fazer? Eu nunca ensinei isto aos meus militares, eles não são polícias." Eu só pensava que podia matar inocentes. Foi um drama pessoal terrível e que felizmente se resolveu.

Então o governo está no bom caminho?

A forma como é abordada a questão da segurança nacional parece-me razoável, inovadora e ajustada. Mas no pormenor tem muitos aspectos criticáveis.

Quais?

Por exemplo, não concordo nada com acabar com as polícias ou uni-las. As Forças Armadas têm três ramos e cada um tem a sua identidade e não abdica dela, mas fazemos operações em conjunto. Então porque é que na segurança interna não se faz o mesmo? Porque é que um secretário-geral da Segurança Interna não tem um poder face às polícias idêntico ao que o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas tem face aos três ramos? Isso é possível, nós até podemos ensinar-lhes como se faz. A Judiciária existe com uma certa finalidade que não é a mesma da GNR nem do SEF nem da PSP. Todas foram criadas para coisas distintas e cada uma tem uma identidade própria. Se acabarem com isso, acabam com parte da eficácia delas, não tenho dúvida nenhuma.»


Texto e imagem in jornal i online, 13-8-2011

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"Horta do Zorate" é um blogue pessoal, editado por Alberto João (Catujaleno), cidadão do mundo, fazedor desencostado, em auto-construção há 59 anos.