Destas mãos que falam, saem gritos d'alma, gemidos de dor, às vezes, letras com amor, pedaços da vida, por vezes sofrida, d'um iletrado escritor. Saem inquietações, também provocações, com sabor, a laranjas ou limões. Destas mãos que falam, saem letras perdidas, revoltas não contidas, contra opressões, das nossas vidas! (AJoão)

sábado, 15 de junho de 2013

Catujal, Loures: Três mortes à porta do infantário Pomba da Paz



«Revoltado com a separação, Pedro Magalhães, de 33 anos, aproveitou a hora de ir buscar a filha ao infantário, no Catujal, em Sacavém, Loures, para se cruzar com a ex-companheira. Mónica Pinto, 27 anos, acabou emboscada e baleada nas costas. Morreu. Inês Cecília, 22 anos, uma amiga que a acompanhava, foi também baleada à traição. Equipas de socorro ainda a tentaram salvar, mas morreu pouco depois no local. Pedro saiu do perímetro do infantário, afastou-se uns metros, e suicidou-se com um tiro. Para cometer esta tragédia usou um revólver de calibre 0,32 mm. No carro tinha ainda uma caçadeira e seis cartuchos, que não chegou a usar.
Mónica e Pedro tinham-se separado há cerca de um mês. Em comum tinham uma filha, Letícia, de 2 anos. E foi na hora de Mónica ir buscar a filha ao infantário da associação Pomba da Paz, pelas 17h30 de ontem, que a mulher foi morta. Caiu junto a umas escadas de acesso ao interior do infantário, isto depois de já ter passado um primeiro portão. Ia acompanhada da amiga Inês, também ela vítima da ira de Pedro e dos disparos pelas costas.
O crime foi premeditado. E tudo porque Pedro já tinha estado no local horas antes. Queria certificar-se de que era Mónica quem ia buscar as filhas, o que uma funcionária do infantário veio a confirmar. O homicida afastou-se do local e esperou pacientemente. Depois cometeu o crime.
"Ouvi os tiros e pareciam bombas de carnaval a rebentar. Depois vi um senhor careca cair e não se mexer mais. Uma das senhoras que ele matou ficou na posição de bruços e a outra de lado", contou ao CM uma testemunha do crime.
O homicida enfrentava uma depressão desde a morte da mãe e não aceitava a recente separação de Mónica. Pai de mais duas crianças de, outra relação, Pedro ainda terá tentado a reconciliação, o que não veio a acontecer. Estava medicado e mostrava-se transtornado nos últimos tempos. "O que aconteceu aqui foi que este homem tinha uma depressão e ninguém o ajudou", disse um familiar de Pedro Magalhães, ainda em choque. A PSP isolou de imediato a zona e uma brigada de homicídios da Polícia Judiciária esteve no local a recolher depoimentos e vestígios.
Ainda havia muitas crianças lá dentro quando a tragédia se deu, mas penso que nenhuma terá visto as duas senhoras a serem atingidas pelos tiros".
O relato emocionado ao CM é de Sami Cassandra, de 42 anos, uma das muitas funcionárias do infantário Pomba da Paz, à porta do qual as duas mulheres foram abatidas.
"O barulho dos tiros foi assustador e os pequenos ficaram extremamente assustados, em pânico com toda esta situação, tal como todas nós", acrescenta Sami Cassandra.
A funcionária do infantário não tem nada a apontar à relação entre Pedro e Mónica. "Nunca me apercebi de qualquer problema mais complicado entre eles. Sabia que estavam em fase de separação, mas nada fazia prever uma situação destas. Nada mesmo", relatou ao CM a funcionária daquele estabelecimento de ensino. "Embora hoje [ontem] eu tenha estranhado o facto de ele ter aparecido por volta das três e meia, algum tempo antes do crime, para saber se era a Mónica que vinha buscar a Letícia aqui ao infantário", conta Sami Cassandra. "Era quase sempre a mãe que a vinha trazer e a vinha buscar ao infantário. Era uma mãe muito carinhosa, muito amorosa, que fazia tudo pela filha", concluiu.
Apesar dos contornos violentos desta tragédia, ninguém conhecia em Pedro quaisquer episódios violentos recentes. Nem mesmo contra a ex-companheira. "Ai o meu menino. Nunca pensei que ele fizesse uma coisas destas. Nada disto parece verdade", desabafava Guida, uma das melhores amigas da família, nomeadamente da mãe do homicida, que faleceu há aproximadamente um ano.
Aliás, foi a morte da mãe que fez Pedro enfrentar numa enorme depressão, a ponto de ter sido medicado nos últimos tempos. Guida não consegue encontrar um motivo para este desfecho trágico.
"Ele era um homem muito responsável, muito dedicado à família. Era bastante trabalhador, não bebia, não se metia em confusões. Como é que isto aconteceu?".
O Pomba da Paz funciona como infantário e ATL. No total, é frequentado por 115 crianças: 75 frequentam o infantário "tem três salas, ocupadas com 25 crianças cada" e 40 frequentam o ATL.»


in CM online, 15-6-2013

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"Horta do Zorate" é um blogue pessoal, editado por Alberto João (Catujaleno), cidadão do mundo, fazedor desencostado, em auto-construção há 59 anos.