Destas mãos que falam, saem gritos d'alma, gemidos de dor, às vezes, letras com amor, pedaços da vida, por vezes sofrida, d'um quase iletrado escritor. Saem inquietações, também provocações, com sabor, a laranjas ou limões. Destas mãos que falam, saem letras perdidas, revoltas não contidas, contra opressões, das nossas vidas! (Alberto João)

domingo, 4 de abril de 2010

Sobre o Caifás português, foi dito por Vasco Valente Correia Guedes, mais conhecido por Vasco Pulido Valente...



«O cardeal-patriarca de Lisboa disse o seguinte sobre a pedofilia: "Senhor, perdoai os pecados da Vossa Igreja".»








Texto de Vasco Pulido Valente, in Público online, 04-4-2010

sábado, 3 de abril de 2010

Apenas para lembrar que isto não acontece só aos outros...

Carlos Amaral Dias: A depressão ligeira não se cura com comprimidos...


O psiquiatra e psicanalista critica o abuso de medicamentos para tratar perturbações que deviam ser acompanhadas por psicoterapias.





O primeiro estudo nacional sobre o assunto conclui que 23% dos portugueses já tiveram uma perturbação mental. Como interpreta este dado?

Grande parte destes transtornos têm um problema associado que é a forma como são seguidos, a maior parte com medicação psiquiátrica. E isso vai contra todos os estudos. As depressões major precisam de medicação. Mas nas depressões ligeiras e na ansiedade sem pânico uma psicoterapia, a uma média de duas vezes por semana, é muito mais efectiva.

O consumo desses medicamentos é elevado no país. É a prova de que as pessoas são mal tratadas?

Exactamente. Há uma correlação. E isso é um problema. Temos que nos perguntar porquê.

Por que tomar um comprimido é mais fácil? Ou por que não há apoios para as psicoterapias, e elas são caras?

Os psiquiatras mais jovens são cada vez mais treinados dentro da psiquiatria biológica. A formação na psiquiatria mais compreensiva tem vindo a diminuir. Isso é preocupante. Ao mesmo tempo, não há, e seria importante que houvesse, uma forma de o Estado subsidiar efectivamente pelo menos uma parte das sessões. A consulta de psiquiatria é paga como qualquer acto médico, mas as psicoterapias têm uma comparticipação irrisória. Há uma discriminação negativa das psicoterapias.

O princípio dos cuidados universais e tendencialmente gratuitos não se aplica à saúde mental?

O Estado não fornece os cuidados necessários aos pacientes. E isso é uma coisa importantíssima na saúde mental em Portugal. Preocupa-me o uso indiscriminado de psicofármacos. Muitas situações que fazem parte dos processos de vida são hoje tratadas com fármacos. É excessivamente frequente dar comprimidos para tratar um trabalho de luto quando é um processo normal na vida, que requer um tempo para a elaboração da perda e desinvestimento no objecto de amor perdido. Esta situação pode ser susceptível de psicoterapia, mas não é susceptível de medicação.

Esse tipo de tratamento funciona apenas como um adormecimento? Tem consequências para o paciente?

Tem. Por exemplo, numa pessoa com ataques de pânico podemos distinguir entre o sintoma e aquilo que chamo o sintoma enigma: a história do paciente. Se não decifrar o enigma, não vai livrar-se da razão pela qual tem os ataques de pânico. Eles podem não ocorrer enquanto estiver medicado, mas quando se tira a medicação descompensa outra vez. Se trabalharmos esses sentimentos com a pessoa, a ajuda efectiva é maior do que apenas quando se dá um fármaco. A capacidade de estar com o doente é muito importante. Tive uma adolescente de 18 anos que tinha um conjunto de questões complexas, um longo passado psiquiátrico, com medicação. Mas nunca tinha falado dos seus problemas. Tinha ataques de pânico, medicaram-na e mandaram-na voltar três meses depois.

Há perturbações mentais típicas de cada época? Que tipo de consequência tem actual crise, o aumento do desemprego, da instabilidade?

As guerras, crises económicas e sociais não aumentam nem diminuem as doenças psiquiátricas graves, como a esquizofrenia. Mas aumentam os transtornos mentais comuns. Uma pessoa deixa de ter dinheiro para pagar a casa, não pode cumprir os compromissos habituais, cuidar dos filhos como deseja... É um factor de fragilização emocional, facilmente pode entrar numa situação depressiva. Os transtornos da ansiedade e a depressão são os mais frequentes. Mas só a crise não justifica os 23% de perturbações, porque essa crise também se encontra noutros países e a prevalência é menor. Provavelmente Portugal não é assim tão semelhante aos países do Sul da Europa como se pensa, tem uma especificidade que merecia ser estudada. Somos muito mais reservados, introvertidos, há um maior sentimento de pessimismo, de dúvida sobre o futuro. O sentimento de que o país está mais fragilizado é maior.

Há alterações no perfil do paciente que chega aos consultórios?

O que se alterou significativamente são as chamadas patologias Borderline, os estados de fronteira. Nem são neuróticos nem psicóticos, não são graves nem ligeiros, encontram-se entre uma coisa e outra, têm muitas vezes associadas outras coisas, como patologias do impulso, misturadas com coisas depressivas, perturbações de dependência, toxicodependências, anorexia. Estão em nítido crescimento. No tempo de Freud, a histeria correspondia ao doente tipo, hoje a patologia Borderline está a crescer. E esses pacientes são graves.

São mais difíceis de tratar?

São. Primeiro porque não têm uma sintomatologia clara. Estão muito associados à perturbação da dependência. Se este paciente encontra no seu caminho drogas, vai transformar-se num toxicodependente. Mas a perturbação da dependência era anterior, as drogas são um acontecimento fortuito. O mesmo acontece com as anorexias. Muitos casos eram raparigas muito certinhas, não davam problemas, muito dependentes do que os pais pensavam delas. De repente fazem uma anorexia. Quando estudamos para trás encontramos personalidades muito dependentes. Às vezes, é também um factor fortuito, a jovem entra numa loja para comprar umas calças e alguém lhe diz que estão um bocadinho apertadas. Só isso pode ser suficiente para funcionar como um click na cabeça daquela pessoa. Mas é uma coisa secundária em relação a um quadro primário, que é a perturbação de dependência. É um sintoma complexo. Na histeria, havia um problema que era ligado à sexualidade, na patologia Borderline está ligado à dependência. São problemas muito mais primitivos na organização psicológica e têm a ver com o factor de proximidade da relação mãe/filho, o tempo que a mãe dispõe para o filho, o que se estabelece de verdadeiramente significativo entre uma mãe e uma criança. E no nosso tempo esta patologia está a aumentar.

O que explica esse aumento?

Historicamente, as mulheres passaram a privilegiar os factores de progressão, a carreira, a estabilidade emocional, social e financeira. E um filho acaba por ser um problema que vem perturbar esta carreira. São mães mais tardias e têm pouco tempo para os filhos. Privilegiaram o sucesso delas próprias. A culpa é delas? Ou é da pressão social? Certo é que o tempo que dispõem para os filhos é menor. Logo, a perturbação da dependência é maior. Certas funções que cabiam ao materno passam a ser cumpridas pelas creches, infantários, pelos berçários...

Essas funções primárias não podem ser assumidas pelo pai?

Uma coisa são as pessoas, outra são as funções. A mãe não é apenas uma pessoa, é um conjunto de funções para a criança, a de cuidar, alimentar, estar atenta aos sinais, adormecer. Isso pode ser desempenhado pela mãe ou pelo pai. Mas a questão não é essa. Os homens e as mulheres do nosso tempo dispõem verdadeiramente desse tempo? O problema também se coloca no homem.

Temos crianças mais carentes?

Mais carentes de organização de uma dependência normal. Há um tempo de satisfazer uma carência, um tempo de desenvolvimento em que temos uma dependência normal, que nos satisfaz, e então podemos partir dessa dependência. Quando não a satisfazemos, andamos à procura dela toda a vida. E isso acontece hoje muito mais.

Essa ideia da diferença entre o papel masculino e feminino ainda faz sentido com os novos conceitos de família?

As funções primárias, como as de alimentar, podem ser desempenhadas tanto por uns e outros. As sexuadas, que são secundárias, não. É a diferença entre o objecto de necessidade e o de desejo. As primeiras podem ser desempenhadas pelo pai, embora se deva dizer que uma criança ao quinto dia discrimina o cheiro de uma t-shirt vestida pela mãe, interage mais com os sons mais agudos da mulher. Provavelmente preferiria ser cuidada por uma mulher. Mas, à falta de melhor, podem ser desempenhadas pelos homens, desde que cumpra as funções. Agora, nos objectos de desejo, a questão já é outra. Implica representatividade do masculino e do feminino.

É a favor da adopção por casais do mesmo sexo?

Eu sou favorável. Há uma série de estudos, não são um nem dois, são muitos, sobre as crianças criadas por pais do mesmo sexo. Não se verificam alterações nas escalas de comportamento moral, no desempenho na escola, e não há um maior número de homossexuais.

Os dados científicos provam então que não há quaisquer malefícios para a criança.

Provam, e isso vale a pena ser dito. Eu não tenho nenhuma visão ideológica sobre o assunto. Tenho um ponto de vista objectivo: não há prejuízo para a criança. Este é um debate muito marcado pela ideologia e muito pouco pela ciência. E devia ser marcado pela ciência.

Quando fala na representatividade do masculino e do feminino - o próprio conceito do complexo de Édipo assenta na ideia de a criança perceber que o pai e a mãe são diferentes, identificar-se com um e desejar o outro -, como se processa num casal homossexual?

Da mesma forma que acontece numa criança que perde o pai ou a mãe. Há figuras substitutivas, quantas e quantas existem no quotidiano? O avô, a avó, o tio... Não têm que existir necessariamente em casa. Não há apenas o pai e a mãe, há muitos outros canais.

Essa posição é consensual dentro da classe?

Não. Devo estar numa posição minoritária. Mas nunca deixei que factor ideológico prevalecesse sobre o científico.

Por que não há consenso científico ou também por uma questão ideológica?

Porque a ideologia se sobrepõe.
Entrevista in "i" online, 03-4-2010
Imagem in Google

Se a eleição fosse agora, Cavaco Silva seria reeleito Presidente da República Portuguesa...

Segundo 47% dos votantes no inquérito deste blogue, se as eleições Presidenciais fossem agora, Aníbal Cavaco Silva, seria reeleito Presidente da República:


Manuel Alegre é o preferido de 27% dos votantes:





Fernando Nobre com 25% dos votos, ficaria na 3ª. posição:





Notas do Zorate:
Dias de votação: 30
Votantes: 74
Cavaco Silva: 35 votos
Manuel Alegre: 20 votos
Fernando Nobre: 19 votos


Cada votante votou uma vez. Caso tenha votado uma segunda vez, o segundo voto eliminou o primeiro. Este inquérito não obedeceu aos critérios de validade científica das sondagens e não pretendeu representar com rigor as opções do público em geral nem as dos utilizadores da Internet. Ele teve um valor meramente indicativo das preferências dos leitores deste blogue.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Não acreditou na Justiça dos seus pais (Juiz e Procuradora), e matou em Santo António dos Cavaleiros, Loures...

Filho de magistrados mata agressor a tiro.


Rapaz comprou caçadeira e abateu pai da namorada para a defender de violência doméstica.



- Santo António dos Cavaleiros, freguesia do concelho de Loures -



Revoltado pelos constantes maus tratos de que a namorada era vítima em casa, agredida violentamente às mãos do próprio pai, o rapaz de 17 anos perdeu a cabeça. Na noite de segunda-feira decidiu enfrentar Joãozinho Pereira, 51 anos, e na sequência da discussão matou-o com dois tiros no peito, no meio da rua, em Santo António dos Cavaleiros, Loures. Filho de uma procuradora do Ministério Público e de um juiz, perdeu a esperança na Justiça e comprou uma caçadeira para travar o caso de violência doméstica.

A mãe do jovem suspeito, ao que o CM apurou, é a procuradora da República Auristela Gomes Pereira, responsável pelas investigações aos casos Portucale, pelas suspeitas de abate ilegal de sobreiros, e da compra dos submarinos pelo Estado, no Departamento Central de Investigação e Acção Penal.

Tanto a magistrada como o marido, que é juiz desembargador no Tribunal da Relação do Porto, receberam um telefonema na noite de segunda--feira: o filho de 17 anos acabara de se entregar à Polícia Judiciária depois de cometer um homicídio. Um juiz, em Loures, decidiu que vai aguardar julgamento em casa com pulseira electrónica.

FUGIU DO LOCAL DO CRIME, MAS ENTREGOU-SE À JUDICIÁRIA

O jovem de 17 anos comprou uma caçadeira e foi ao encontro do pai da namorada, pelas 22h00 de segunda-feira, na praça Alexandre Herculano, em Santo António dos Cavaleiros. Joãozinho Pereira estava com um filho de cinco anos junto ao campo de futebol, que assistiu a toda a discussão e aos dois tiros de caçadeira no peito do pai – acabou por morrer já no Hospital de Santa Maria, quando o estavam a operar. E o jovem suspeito, filho de dois magistrados, fugiu do local do crime, mas acabou por se entregar mais tarde, cerca de duas horas depois, à Polícia Judiciária. Joãozinho Pereira, 51 anos, vivia em Ramada, Odivelas, e deixa mulher e dois filhos – os três familiares que seriam alvo de violência doméstica.

PRISÃO DOMICILIÁRIA

Por decisão do juiz de instrução criminal, em Loures, o rapaz de 17 anos vai aguardar julgamento com pulseira electrónica, em prisão domiciliária.

AGREDIA A FAMÍLIA

Mulher e filhos seriam vítimas de agressões de Joãozinho Pereira. Jovem de 17 anos terá cometido crime para defender a namorada.

CRIMES DE HOMICÍDIO

A procuradora Auristela Pereira passou pelo DIAP de Lisboa e liderou precisamente investigações a crimes de homicídio.




Texto in CM online, 02-4-2010
Imagens in Google

Austríaco crucificou-se para recordar vítimas de abusos sexuais da Igreja...

Um artista austríaco crucificou-se hoje, sexta-feira santa, de forma simbólica, na catedral de Santo Estêvão, na Áustria, para recordar as vítimas dos abusos sexuais e os maus-tratos perpetrados por religiosos católicos.





Emmerich Weissenberger içou-se a 20 metros de altura na fachada em obras do templo gótico situado no centro da cidade de Viena, para expressar a sua repulsa perante a onda de abusos sexuais contra crianças recentemente conhecidos no país. Alguns transeuntes aplaudiram a acção do artista, que envergava apenas uma toalha em volta da cintura e uma coroa de espinhos. Weissenberger foi detido pela polícia depois de permanecer 15 minutos "crucificado".

"No dia da crucificação de Cristo, crucifico-me por todos os indefesos", explicou o artista sobre a sua "performance", num vídeo em que anunciava os seus propósitos. "Sacrifico-me para que as vítimas recuperem a dignidade que lhes roubaram".

O pároco da catedral, Toni Faber, declarou à imprensa que considera legítimo que os artistas protestem contra a Igreja, mas não "a partir de uma altura vertiginosa em Santo Estêvão, pondo em perigo a vida do próprio artista e a de outras pessoas".

A porta principal da catedral esteve fechada durante o tempo em que Weissenberger esteve "crucificado", devido ao receio de que pudesse cair em cima de quem aguardava a entrada no templo.

Na mesma catedral realizou-se, quarta-feira, uma cerimónia religiosa na qual algumas vítimas de abusos sexuais e maus tratos manifestaram a sua frustração em relação à Igreja pelo sucedido. O arcebispo de Viena e presidente da Conferência Episcopal, Christoph Schönborn, pediu então perdão às vítimas e expressou o arrependimento as Igreja pelo que aconteceu.

A Igreja Católica da Áustria recebeu até agora a comunicação de 566 presumíveis casos de abusos sexuais e maus tratos perpetrados pelos seus religiosos.




in JN online, 02-4-2010

Submersão estratégica...






Cartoon de Henrique Monteiro
in

Contador, desde 2008:

Localizador, desde 2010:

Acerca de mim

A minha foto
"Horta do Zorate" é o blogue pessoal de Alberto João (Catujaleno), cidadão do mundo em autoconstrução desde 1958.