Destas mãos que falam, saem gritos d'alma, gemidos de dor, às vezes, letras com amor, pedaços da vida, por vezes sofrida, d'um quase iletrado escritor. Saem inquietações, também provocações, com sabor, a laranjas ou limões. Destas mãos que falam, saem letras perdidas, revoltas não contidas, contra opressões, das nossas vidas! (Alberto João)
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domingo, 12 de outubro de 2008

Faz hoje 36 anos que Ribeiro Santos foi assassinado pela PIDE...



"José António Ribeiro Santos foi um conhecido dirigente estudantil, militante de uma organização maoista então na clandestinidade, o MRPP. A sua morte pesou enormemente no movimento estudantil e revolucionário de então, mobilizou um grande número de pessoas até então não despertas para a luta política e o seu funeral transformou-se numa grande batalha contra o fascismo e contra a guerra colonial. O exemplo político e o exemplo do carácter pessoal de Ribeiro Santos perduraram durante décadas e, apesar das actuais tentativas para os diluir ou mistificar, continuam bem fundas no coração dos revolucionários e antifascistas portugueses."

in: http://www.paginavermelha.org/








Vararam-te no corpo e não na força
e não importa o nome de quem eras
naquela tarde foste apenas corça
indefesa morrendo às mãos das feras.

Mas feras é demais. Apenas hienas
tão pútridas tão fétidas tão cães
que na sombra farejam as algemas
do nome agora morto que tu tens.

Morreste às mãos da tarde mas foi cedo.
Morreste porque não às mãos do medo
que a todos pôs calados e cativos.

Por essa tarde havemos de vingar-te
por essa morte havemos de cantar-te:
Para nós não há mortos. Só há vivos.

(José Carlos Ary dos Santos)









segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Amália, 9 anos depois...


"Desde que existe a morte, imediatamente a vida é absurda. Sempre pensei assim."
Amália


Biografia:


1920
Amália da Piedade Rodrigues nasceu na Rua Martim Vaz, na freguesia da Pena, próximo da Mouraria, em Lisboa. Os pais eram naturais da Beira Baixa mas radicados em Lisboa durante alguns anos. É a quinta de nove filhos. A data certa do nascimento é desconhecida: em documentos oficiais nasceu a 23 de Julho, mas Amália sempre considerou que nasceu no primeiro dia desse mês. Não é o que ficou declarado no Registo Civil. Para ela o que importava é que foi no tempo das cerejas e no signo do Leão.


1921
Os pais de Amália, por dificuldades de subsistência, regressam para a Beira Baixa deixando Amália em Lisboa a cargo dos avós maternos.


1929
Inicia a escola primária em Lisboa, na Escola Primária da Tapada da Ajuda. É numa festa da escola que canta pela primeira vez em público.Os pais de Amália voltam novamente para Lisboa, mas Amália continua a viver com os avós.


1932
Arranja emprego como bordadeira depois de terminar a escola primária.


1933
Emprega-se nas fábricas de bolos da Pampulha, em Lisboa.


1934
Passa a morar com os pais e os irmãos na zona operária junto ao Tejo.


1935
Vai trabalhar com a irmã Celeste, dois anos mais nova, no Cais da Rocha, acompanhadas pela mãe, vendedora de fruta. Sai na Marcha de Alcântara, depois de os seus responsáveis a ouvirem cantar na rua, como era seu hábito, cantando como solista "Fado de Alcântara". As marchas populares ficarão para sempre no reportório de Amália.Numa festa de beneficência, Amália canta pela primeira vez em público acompanhada à guitarra, pelo tio João Rebordão.


1938
Concorre ao Concurso da Rainha do Fado dos Bairros, no qual não chega a participar pois as outras concorrentes ameaçam desistir se ela concorrer, e Amália acaba por desistir da participação. Neste concurso conhece Francisco da Cruz, um jovem de 23 anos, torneiro mecânico e guitarrista amador, com quem se casará em 1940, casamento que dura dois anos. Nos ensaios do Concurso da Rainha do Fado dos Bairros, Amália é notada por um assistente que a recomenda a Jorge Soriano, director da casa de fados Retiro da Severa. A audição foi um sucesso, mas para não contrariar a família, acaba por não aceitar o convite. Como fadista amadora exibe-se em vários locais com o nome de Amália Rebordão, devido ao seu irmão Filipe Rebordão, pugilista relativamente conhecido.


1939
Estreia-se no Retiro da Severa, como fadista profissional. O êxito no Retiro como artista exclusiva é um sucesso, e espalha-se por toda a Lisboa pela boca do público. Imediatamente passa a cabeça de cartaz.


1940
Canta no Solar da Alegria, Café Mondego e Retiro da Severa, como artista exclusiva e já com reportório próprio. É no Solar da Alegria que José de Melo passa a ser seu empresário. É José de Melo que afasta Amália da gravação de discos, com o argumento de que os discos iriam afastar o público das casas de fado.Inicia a sua colaboração com o poeta Linhares Barbosa, e com Frederico de Brito e Gabriel de Oliveira.Amália e Francisco da Cruz casam mudando-se para casa da família dele, em Algés.Estreia-se nos palcos no Teatro Maria Vitória na revista Ora Vai Tu!. Amália é atracção convidada.Inventa a fadista vestida de negro com xaile negro.


1941
O realizador António Lopes Ribeiro convida-a para integrar o elenco do filme O Pátio das Cantigas, mas o maquilhador António Vilar aponta-a como pouco fotogénica e o seu papel acaba por ser atribuído a Maria Paula.Canta na Cervejaria Luso, recebendo um conto de réis por actuação, quantia nunca antes paga.É atracção da revista do Teatro Variedades Espera de Toiros, onde Amália interpreta três fados. Do elenco fazem parte Mirita Casimiro e Vasco Santana.


1942
Estreia a revista Essa É Que É Essa no Teatro Maria Vitória, onde Amália é primeira figura e onde cria "Maria da Cruz". Aqui encontra o compositor Frederico Valério que compreende toda a beleza da sua voz, escrevendo-lhe grandes êxitos. Do elenco fazem parte Alberto Ribeiro, Laura Alves, Costinha e Luísa Durão.Estreia no Variedades da revista Boa Nova, onde Amália interpreta quatro fados e cuja canção-título é mais um êxito. Do elenco fazem parte Hermínia Silva, Erico Braga e Costinha.


1943
Primeira actuação no estrangeiro. O embaixador Pedro Teotónio Pereira convida-a a actuar em Madrid, onde assistiu a grandes espectáculos de flamenco, música com a qual se identifica. É a esta viagem que Amália atribuía o seu prazer em cantar canções espanholas e flamenco.Estreia no Teatro Apolo da revista Alerta Está!, onde Amália actua ao lado de Mirita Casimiro e Vasco Santana, interpretando quatro temas.Amália e Francisco da Cruz separam-se, regressando Amália para casa dos pais.


1944
Na opereta Rosa Cantadeira, onde cria o "Fado do Ciúme", de Frederico Valério, Amália tem já um papel de destaque, ao lado de Hermínia Silva. Estreada no Teatro Apolo, a opereta fica dois meses em cartaz.Amália canta três fados na nova montagem da opereta A Senhora da Atalaia, onde tem o papel principal.Estreia da revista Ó Viva da Costa no Teatro Apolo onde Amália é já primeira figura.Viaja pela primeira vez para o Brasil, onde actua no Casino de Copacabana, o mais famoso casino da América do Sul, num show para ela concebido (Numa Aldeia Portuguesa), em festas, na rádio. O sucesso é tão grande que a sua estada de seis semanas é prolongada por três meses, e Amália só regressa a Portugal com a promessa de voltar no ano seguinte.


1945
Regressa ao Brasil onde permaneceu dez meses, com a Companhia de Revistas Amália Rodrigues. No Teatro República, no Rio de Janeiro, Amália será a vedeta, primeiro, da revista Boa Nova e, depois, da opereta Rosa Cantadeira, ao mesmo tempo actua no Casino de Copacabana no dia de folga da companhia.Estreia no Teatro República, no Rio, de Boa Nova, onde Amália interpretará seis canções. É o "Fado Carioca" de Frederico Valério, mais conhecido por "Fado Xuxu", que ficará como momento alto da revista.Estreia de Rosa Cantadeira, onde Amália interpreta seis fados. Três ficarão como clássicos: "Fado do Ciúme", "Perseguição" (o ex-libris de Amália no Brasil) e "Ai Mouraria".Amália grava os seus primeiros discos, oito 78 RPM com um total de 16 gravações, para a editora brasileira Continental.


1946
Regressa a Lisboa, onde é atracção da revista do Teatro Apolo Estás na Lua!, com Laura Alves e Costinha.Inicia as filmagens de Capas Negras, sendo substituída por Ercília Costa no elenco de Estás na Lua!,.É a vedeta de uma nova montagem da opereta Mouraria, no Teatro Apolo, propositadamente feita para ela, onde aparece de vestido negro comprido, com um grande xaile negro, que seria o protótipo dos seus futuros trajes de cena.


1947
Atracção de Se Aquilo que a Gente Sente (última revista em que participou), com Irene Isidro, Vasco Santana e António Silva.Estreia-se o filme de Armando Miranda Capas Negras, um enorme sucesso comercial que marca a estreia no cinema de Amália e bate todos os recordes de exibição até então, com 22 semanas consecutivas em cartaz no cinema Condes, em Lisboa e onde cria "Não Sei Porque Te Foste Embora", de Frederico Valério. Contracena com Alberto Ribeiro, que cria aqui "Coimbra" sem grande sucesso; só mais tarde, na voz de Amália, a canção correrá mundo.Filma, em Madrid, 10 Fados, complementos curtos que depois serão exibidas num sem-número de cinemas portugueses entre 1947 e 1949, onde cria Fado Malhoa, Fado Amália, Só à Noitinha.Estreia-se, no Coliseu do Porto, o filme de Perdigão Queiroga Fado - História de Uma Cantadeira, com Virgílio Teixeira, fortemente publicitado como inspirado pela vida de Amália (o que não corresponde à verdade), e que é um novo êxito comercial.Estreia no Cinema Eden o primeiro dos 10 Fados filmados em Espanha, Fado da Rua do Sol.


1948
Estreia em Lisboa, no Teatro da Trindade, de Fado - História de Uma Cantadeira.Recebe o Prémio do SNI para a Melhor Actriz de Cinema pela sua interpretação em Fado - História de Uma Cantadeira.


1949
Divorcia-se de Francisco da Cruz.Canta no Café Luso e Casino Estoril.Canta pela primeira vez em Paris (no Chez Carrère), Londres (no Ritz), Rio de Janeiro e S. Paulo.Estreia de Sol e Toiros, filme de José Buchs onde Amália canta, como convidada, o "Fado do Silêncio" de Raul Ferrão.Regressa ao Brasil, mas uma doença de voz impede-a de assumir na íntegra os contratos celebrados.Estreia em Portugal do filme de Leitão de Barros Vendaval Maravilhoso, uma co-produção luso-brasileira narrando a vida do poeta brasileiro Castro Alves. Amália interpreta o papel da musa do poeta, Eugénia Câmara.


1950
Actua nos espectáculos do Plano Marshall para a Europa (Berlim, Dublin, Paris, Berna), como única intérprete ligeira no meio de um elenco predominantemente clássico. Cria Foi Deus, de Alberto Janes. Durante um espectáculo em Dublin, Amália canta "Coimbra", que fica no ouvido da cantora francesa Yvette Giraud, que a populariza em França como "Avril au Portugal".


1951
Grava pela primeira vez em Portugal, para a editora Melodia (Rádio Triunfo).Primeira grande tournée por África: Moçambique, Angola e Congo Belga.Canta em Biarritz, San Sebastian e Madrid.


1952
Canta pela primeira vez em Nova Iorque, na boite La Vie En Rose, onde ficará quatro meses em cartaz, recebendo convites para actuar na Broadway, cantando em inglês.Actua em Genebra, Lausana e Madrid.Assina contrato com a Valentim de Carvalho, fazendo as suas primeiras gravações para a companhia nos estúdios da EMI inglesa, nos estúdios de Abbey Road, em Londres. Esta colaboração só foi interrompida, no final dos anos 50, por uma passagem breve pela editora francesa Ducretet-Thomson, após o que Amália regressou à Valentim de Carvalho de vez.


1953
Actuações no México, começando a cantar rancheras.Foi a primeira artista portuguesa a actuar na televisão, no programa Eddie Fisher Show, na cadeia NBC, em Nova Iorque.


1954
Em Hollywood, actua no Mocambo, sendo convidada para o cinema. É convidada para um pequeno papel no filme de Henri Verneuil Os Amantes do Tejo, produção francesa rodada em Lisboa e Paris, com Daniel Gélin e Trevor Howard. No filme Amália canta "Canção do Mar" e "Barco Negro", que se tornam bastante conhecidas arrastadas pelo sucesso do filme.É editado o seu primeiro LP: Amália Rodrigues Sings Fado from Portugal and Flamenco from Spain, pela Angel Records, EUA. Álbum que nunca foi editado em Portugal, mas teve edições em Inglaterra e França.


1955
Estreia em Portugal de Os Amantes do Tejo.No Teatro Monumental estreia-se a nova montagem do drama de Júlio Dantas A Severa, numa produção do empresário Vasco Morgado, que constitui e estreia de Amália no teatro declamado, no papel da Severa e Paulo Renato como Marialva.Estreia em Londres e Paris do filme Os Amantes do Tejo.Amália muda-se para a Rua de S. Bento, onde morou até à sua morte.Filma na Cidade do México o documentário Musica de Siempre, com Edith Piaf, onde Amália interpreta "Lisboa Antiga".Filma duas canções para a curta-metragem britânica April in Portugal, estreada ainda em 1955 na Royal Film Performance de Londres, onde canta "Coimbra", de Raul Ferrão. Edita o seu primeiro LP em França, através da Pathé-Marconi.Canta no Brasil, México e Espanha.


1956
Canta pela primeira vez no Olympia, em Paris, na festa de despedida de Josephine Baker.Estreia-se no Olympia como «vedeta», encerrando a primeira parte do show. O sucesso é tal que, terminadas as três semanas do contrato, Amália é convidada para o prolongar mais outras tantas semanas.Actua na Côte d'Azur, Bélgica, Argélia, México e BrasilEstreia em Portugal da curta-metragem April in Portugal.


1957
Estreia-se no Olympia de Paris como primeira vedeta absoluta, começando a cantar em francês, criando "Aie, mourir pour toi", escrito expressamente para ela por Charles Aznavour.Actua no documentário mexicano Canções Unidas, onde filma "Uma Casa Portuguesa".Canta em França, Suécia, Suíça e Venezuela.


1958
Assina contrato com a editora francesa Ducretet-Thomson, para a qual gravará dois álbuns e cinco EP antes de regressar à Valentim de Carvalho definitivamente.Estreia o filme de Augusto Fraga Sangue Toureiro, onde Amália é protagonista e interpreta cinco fados de Frederico Valério.É condecorada por Marcelo Caetano, Ministro da Presidência, na Feira de Bruxelas, com a Ordem Militar de Santiago da Espada, grau de cavaleiro.Canta pela primeira vez na televisão portuguesa, onde também representa o papel principal da peça O Céu da Minha Rua, de Romeu Correia.


1959
Recebe a Medalha de Honra de Prata da Cidade de Paris das mãos do presidente da Câmara.Actua no Olympia de Paris e por toda a França, Espanha, Tunísia, Argélia, Grécia e IsraelEstreia em Portugal de Musicas de Siempre.


1961
Casa, no Rio de Janeiro, com o engenheiro César Seabra, que conhecera seis anos antes no Brasil, anunciando abandonar a vida artística. Vive dez meses no Brasil.Estreia em Portugal de Canções Unidas.


1962
Canta no Festival de Edimburgo, Angola, Espanha, e no Théâtre ABC e na boite La Tête de l'Art de Paris.É editado o LP Asas Fechadas, também conhecido como Busto, grande viragem na sua vida artística. Nele canta o seu próprio poema Estranha Forma de Vida, Povo Que lavas No Rio, de Pedro Homem de Mello, poemas de David Mourão-Ferreira e, pela primeira vez, músicas de Alain Oulman. Os 12 temas do álbum serão publicados, no início de 1963, divididos por três EP.


1963
Faz grande temporada no La Tête de l'Art de Paris, Savoy, de Londres, França e Líbano.É editado o EP Marchas de Lisboa.


1964
É-lhe atribuído o papel principal do filme As Ilhas Encantadas, de Carlos Vilardebó, baseado numa novela de Herman Melville. É durante as filmagens nos Açores que Amália conhece Augusto Cabrita, que se transformará, até à sua morte, no fotógrafo oficial de Amália.Volta a gravar alguns dos seus maiores clássicos, como "Estranha Forma de Vida" e "Ai Mouraria".Volta a gravar marchas populares, agora com a orquestra de Ferrer Trindade, para edição num EP ainda durante o mês de Junho.Estreia de Fado Corrido, filme de Jorge Brum do Canto baseado num conto de David Mourão-Ferreira, onde Amália tem um dos papéis principais e cria "Cantiga da Boa Gente".Actua no La Tête de l'Art de Paris, Itália, Bélgica, França, Holanda e Espanha.


1965
No meio de grande polémica, canta poemas de Luís de Camões, com música de Alain Oulman, a que se seguiram outros grandes poetas de língua portuguesa. Do LP, intitulado Fado Português, destacam-se 3 temas com poemas de Luís de Camões, que serão editados, separadamente, em Fevereiro no EP Amália Canta Luís de Camões, que inclui "Lianor", "Erros Meus" e "Dura Memória".Estreia em Portugal de As Ilhas Encantadas. O filme é mal recebido pela crítica e pelo público, e Amália não voltará a aceitar um papel principal no cinema, apesar da insistência de amigos como Anthony Quinn, que chegou a acordo com os herdeiros de Federico Garcia Lorca para filmar a sua peça Bodas de Sangue com Amália.Canta no Bobino, em França, Espanha, Bélgica e Holanda.Pelo terceiro ano consecutivo, Amália grava marchas populares para edição num EP.Recebe o Prémio do SNI para a Melhor Actriz do Ano por As Ilhas Encantadas.


1966
Grava um EP com quatro dos seus fados clássicos dos anos 40, que gravara pela primeira vez no Brasil, com a orquestra de Joaquim Luís Gomes e o conjunto de guitarras de Raul Nery: "Fado do Ciúme", "Não Sei Porque Te Foste Embora", "Só à Noitinha" e "Maria da Cruz".Actua no Lincoln Center em Nova Iorque com o maestro André Kostelanetz, num concerto de temas folclóricos portugueses acompanhados a orquestra. O concerto será posteriormente repetido no Hollywood Bowl, em Los Angeles.Estreia em Paris de As Ilhas Encantadas.Estreia em Portugal do filme de Jean Leduc Via Macau, onde Amália interpreta "Le premier jour du monde". Simultaneamente, é editado um EP com o tema.Inspirada pelos concertos americanos do Verão, com André Kostelanetz, Amália grava nos estúdios da Valentim de Carvalho temas do folclore português com orquestra, com arranjos dos maestros Joaquim Luís Gomes e Jorge Costa Pinto.Recebe o Prémio Pozal Domingues pelo disco "Fandangueiro".Faz parte do júri do Festival da Canção do Rio de Janeiro, escolhendo igualmente Simone de Oliveira como representante de Portugal no Festival.Canta em Israel, Brasil, África do Sul, Angola e Moçambique.Canta na festa da inauguração da ponte sobre o Tejo.


1967
Em Cannes, recebe das mãos do actor Anthony Quinn, o prémio MIDEM 1965/66, destinado a premiar o artista que mais discos vende no seu país, proeza só alcançada pelos Beatles. Amália voltará a receber este prémio em 1968 e 1969.São editados três EP com gravações de folclore: Folclore 1 - Amália Canta Portugal, Malhão de Cinfães e Tirana.Inicia uma temporada no Olympia como figura central de um espectáculo denominado "Grand Gala du Music-Hall Portugais", dedicado a Portugal com um elenco português do qual fazem parte Simone de Oliveira, Duo Ouro Negro e Carlos Paredes, entre outros.Grava com o conjunto de guitarras de Raul Nery uma série de fados clássicos que serão publicados num álbum com o título Fado'67.Grava o "Concerto de Aranjuez", de Joaquín Rodrigo, com uma letra em francês, "Aranjuez, mon amour", acompanhada pela orquestra de Joaquim Luís Gomes.A Enciclopédia Larousse considerou-a a maior artista de música ligeira, situando-a a par de Sammy Davis Jr.Serge Reggiani considerou-a alguém que pertence aos portugueses mas, também, pertence ao mundo.


1968
Grava alguns EP de marchas populares.É editado pela primeira vez, em single, "Vou Dar de Beber à Dor", uma composição do estreante Alberto Janes que se tornará num dos maiores êxitos de Amália, estabelecendo o recorde absoluto de vendas em Portugal, imediatamente com versões em italiano, espanhol e francês. O tema será editado mais tarde em EP.Interpreta, na televisão, a protagonista de A Sapateira Prodigiosa, de Federico Garcia Lorca.Volta ao Lincoln Center com a orquestra de André Kostelanetz.Actua na Roménia, Espanha, França e Canadá.É condecorada pelo Estado espanhol com a Ordem de Isabel, a Católica, laço de dama.


1969
Efectua uma grande tournée pela União Soviética, onde actua pela primeira vez.Pouco tempo depois da edição do seu quinto EP de marchas populares, é lançado o álbum Marchas de Lisboa, reunindo uma selecção das melhores marchas gravadas entre 1963 e 1968.Recebe o Prémio Pozal Domingues pelo disco "Vou Dar de Beber à Dor".É convidada de honra do Festival do Marais, em França, e das Olimpíadas da Canção, em Atenas.Canta em Nova Iorque, França, Moçambique, Rodésia e África do Sul.É editado o álbum Vou Dar de Beber à Dor, primeira de uma série de compilações lançadas ao longo dos anos 70, reunindo material publicado anteriormente em singles e EP avulsos.


1970
Actua pela primeira vez em Itália, no Teatro Sistina, em Roma, não parando mais de actuar em Itália.Recebe do estado francês a condecoração Ordem das Artes e das Letras, grau de cavaleiro.É editado o duplo-álbum Amália e Vinicius, gravado ao vivo em casa de Amália e composto por fados interpretados por Amália, à guitarra e à viola, e poemas declamados pelo poeta brasileiro da "Bossa Nova", Vinicius de Moraes e por José Carlos Ary dos Santos, David Mourão-Ferreira e Natália Correia.É publicado Com Que Voz, um dos seus álbuns mais aclamados, onde canta os grandes poetas portugueses, com música de Alain Oulman. Com Que Voz será galardoado com o IX Prémio da Crítica Discográfica Italiana (1971), com o Grand Prix du Disc da Acádemie Charles Cross (1975) e o Grand Prix de la Ville de Paris (1975).Actua pela primeira vez no Japão, em Osaka, passando a fazer actuações regulares no Japão, onde tem uma grande legião de admiradores. O seu concerto em Tóquio, no Sankei Hall, foi gravado para edição em disco, com o título Amália no Japão, publicado em 1971.Actua em nos EUA, França, Bélgica e Holanda.É condecorada pelo estado português com a Ordem Militar de Santiago da Espada, grau de oficial.São reeditados os álbuns Busto e Fado Português.


1971
É publicado o álbum Amália Canta Portugal II, onde grava folclore com orquestra, dirigida pelo maestro Joaquim Luís Gomes. Foi escolhido este título devido ao primeiro EP de folclore se intitular Folclore 1 - Amália Canta Portugal.Inicia-se a exibição, pela TV Record de São Paulo, da telenovela "Os Deuses Devem Estar Mortos", onde Amália desempenha um dos papéis principais.É editado o LP Oiça Lá ó Senhor Vinho, uma nova compilação de material publicado em singles e EP, incluindo como tema principal "Oiça Lá Ó Senhor Vinho", uma nova criação do autor de "Vou Dar de Beber à Dor", Alberto Janes, que fora publicada em EP em Maio.Canta em Itália, Reino Unido, França, RFA, Espanha, Líbano e Angola.É condecorada pelo governo libanês com a Ordem dos Cedros do Líbano.É editado em Portugal Amália no Japão, álbum gravado no Sankei Hall, em Tóquio.Edita o LP Cantigas de Amigos, onde Ary dos Santos e Natália Correia participam declamando poesia medieval portuguesa e Amália canta "cantigas de amigo" acompanhada à guitarra e à viola.


1972
É editado Amália Canta Portugal III, ou Folclore à Guitarra e à Viola, onde Amália grava folclore, mas agora acompanhada à guitarra e à viola.Canta no La Tête de l'Art, Itália, Austrália, França, Líbano, Tunísia, Angola, Moçambique, África do Sul e Rodésia.No Canecão, Rio de Janeiro, apresenta o espectáculo "Um Amor de Amália", idealizado para si por Ivon Curi.É editado em Portugal o LP Amália em Paris, gravado ao vivo no Olympia.


1973
Reedição do álbum Fados'67, com o título Maldição, .É editado o álbum Amália Canta Portugal, constituído pelos três EP de folclore com orquestra, publicados em 1967 .O álbum Amália Canta Portugal III é publicado em três EP - Fadinho da Ti Maria Benta, Cana Verde do Mar e Valentim.Retoma "Um Amor de Amália" no Canecão.Grava em italiano o álbum A Una Terra Che Amo.Actua em França, Espanha, Itália, Brasil, Líbano e Suécia.


1974
É publicado o álbum Encontro - Amália e Don Byas, onde é acompanhada por aquele sax tenor americano.São editados dois singles com reportório relacionado com o 25 de Abril: "Meu Amor É Marinheiro"; "Trova do Vento Que Passa", criação de Adriano Correia de Oliveira, gravada por Amália em 1969 para o álbum Com Que Voz; "Fado Peniche (Abandono)" já incluído no álbum Busto, fado polémico nos tempos da censura; "Grândola Vila Morena", em versão inédita gravada originalmente para um dos discos de folclore, antes de ser escolhida para senha do 25 de Abril.É editado o duplo-álbum Amália no Café Luso, com o registo até aqui inédito de uma apresentação ao vivo de Amália naquele recinto de Lisboa nos anos 50.


1975
Participa na Gala UNICEF 75 no Olympia de Paris, canta no Carnegie Hall, em Nova Iorque, Itália, França, Bélgica e Holanda.Grandes tounées por Portugal.


1976
É editado Amália no Canecão, álbum ao vivo que regista parte do show de Amália naquele recinto.É publicado o álbum Cantigas da Boa Gente, compilação de temas lançados em singles e EP.Canta no Théâtre des Champs Elysées, em Paris, Roménia, Itália, Japão, Brasil e Espanha.É publicado pela UNESCO o disco La Cadeau de la Vie, onde figura ao lado de Maria Callas, John Lennon, entre outros.


1977
É publicado o álbum Fandangueiro, compilação de material já editado.É editado o single "Caldeirada - Poluição", de Alberto Janes.Edição do LP Anda o Sol na Minha Rua, compilação de temas já lançados em singles e EP.Edição do álbum Cantigas numa Língua Antiga, álbum de temas originais e outros já editados, gravados em novas versões.Actua no Carnegie Hall, em Nova lorque, Bélgica, França, Espanha, Itália e Israel.


1978
Participa no duplo-álbum de Frei Hermano da Câmara, O Nazareno.Canta na Bélgica, França, Itália, Suíça, África do Sul, Zimbabwe, Canadá, Venezuela, Argentina e Brasil.


1979
Actua em Itália, RFA, Holanda, Bélgica, França e Brasil.


1980
Canta no Newport Music Festival, nos EUA, acompanhada pela Rhode Island Philharmonic Orchestra, sob a direcção do maestro Álvaro Cassuto.É editado o álbum de temas inéditos Gostava de Ser Quem Era, composto totalmente por poemas da própria Amália.Recebe do Presidente da República, Ramalho Eanes, a Ordem do Infante D. Henrique, grau de grande oficial.Recebe a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa.


1981
Canta em Itália, Suíça, Holanda, Bélgica, Brasil, Argentina, Chile e RFA.


1982
É editado o single O Senhor Extra-Terrestre, com duas canções originais de Carlos Paião.Edita Fado - Amália Volta a Cantar Frederico Valério, composto exclusivamente por novas gravações de composições de Frederico Valério.


1983
É convidada de honra do Festival da Canção de Atenas.Canta em Itália, África do Sul, Brasil, Holanda e Bélgica.É publicado o álbum Lágrima, todo com poemas seus.


1984
É editado Amália na Broadway, que reúne oito canções em inglês gravadas em 1965 nos estúdios da Valentim de Carvalho em Paço d'Arcos acompanhada por uma orquestra dirigida pelo maestro inglês Norrie Paramor, e nunca antes editados.


1985
Dá o seu primeiro grande concerto a solo em Portugal, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.Actua no Coliseu do Porto.É editado o duplo álbum O Melhor de Amália - Estranha Forma de Vida, que atinge o 1º lugar de vendas de álbuns, mantendo-se oito meses no top e vendendo para cima de 100 mil exemplares.Regressa ao Olympia de Paris.Amália recebe de Jack Lang, Ministro da Cultura de França, a Ordem das Artes e das Letras, grau de comendador.Canta em Itália.Na cidade canadiana de Toronto, o dia 6 de Outubro passa a ser o Dia Oficial de Amália Rodrigues.É editado um segundo álbum compilação, O Melhor de Amália volume II - Tudo Isto é Fado, que ultrapassa as 50 mil cópias vendidas e atinge o 2º lugar do top oficial de vendas.


1986
Grande homenagem no Casino de Paris.Canta em Itália, Bélgica, Japão, Turquia e Reino Unido.


1987
É editada a biografia oficial de Amália, Amália. Uma Biografia, de Vítor Pavão dos Santos.É editado o primeiro CD de Amália em Portugal: Sucessos.É editado o triplo-álbum Coliseu 3 de Abril de 1987, com a gravação integral do concerto de Amália no Coliseu de Lisboa naquela data. É Disco de Ouro por vendas superiores a 20 mil cópias e atinge o 13º lugar dos tops.Canta no Olympia, em Paris, Itália, Suíça, Bélgica, Holanda e RFA.


1988
É editado em CD Com Que Voz.É editado em CD Folclore à Guitarra e à Viola.É editado em CD Encontro com Don Byas.Canta em Itália, Japão, Suécia, Bélgica, Holanda e Luxemburgo.


1989
É editado em CD Asas Fechadas (Busto).É editado em CD Amália Canta Portugal.São comemorados os 50 anos de actividade artística de Amália: Amália. 50 Anos, retrospectiva de toda a sua carreira, no Museu Nacional do Teatro; Retrospectiva de todos os seus filmes, na Cinemateca Portuguesa; Espectáculos de homenagem nas Termas de Caracala, em Roma.Recebe a Grande Medalha de Vermeil da Cidade de Paris, de Jacques Chirac, presidente da Câmara de Paris.É recebida em audiência privada pelo Papa João Paulo II, no Vaticano.É convidada de honra do Estado francês para as Grandes Comemorações do Bicentenário da Revolução Francesa.A EMI-Valentim de Carvalho edita Amália 50 Anos, uma colecção de oito duplos-álbuns ou CD temáticos, comemorando os 50 anos de carreira de Amália.


1990
Grande espectáculo de homenagem no Coliseu dos recreios, em Lisboa, onde recebe, no palco, do Presidente da República, Mário Soares, a Ordem Militar de Santiago da Espada, grã-cruz.Homenagens em Madrid, Paris, Tóquio, Rio de janeiro, Nova Iorque, Lisboa (Teatro Nacional de S. Carlos) e no Coliseu do Porto.Amália actua no Town Hall de Nova Iorque, num concerto que é filmado pelo realizador português radicado nos EUA, Bruno de Almeida.É editado Obsessão.


1991
É editada a cassete de vídeo "Amália Live in New York City", registo do concerto do Town Hall de Novembro de 1990.Recebe de François Miterrand, Presidente da República de França, a Legião de Honra.


1992
É editado em CD Cantigas da Boa Gente.É editado em CD Fado Português.É editado em CD Oiça Lá ó Senhor Vinho.É editado em CD Amália no Café Luso.É editado em CD Amália Fado.É editado em CD Maldição.É editado em CD Cantigas numa Língua Antiga.É editado o CD Abbey Road 1952, que reúne a totalidade das primeiras gravações realizadas por Amália para a Valentim de Carvalho nos estúdios de Abbey Road, em Londres.É publicado Amália. Uma Estranha Forma de Vida, fotobiografia, por Vítor Pavão dos Santos.


1993
Grava dois duetos com o cantor napolitano Roberto Murolo, para inclusão no álbum deste, Anima i Cuore, editado em Itália em 1994 pela PolyGram.


1994
Actua no Coliseu dos Recreios, num espectáculo integrado em Lisboa 94.


1995
É editado em Portugal o álbum de Roberto Murolo Anima i Cuore que inclui dois duetos com Amália.É editada pela primeira vez em CD a compilação Estranha Forma de Vida - O Melhor de Amália. A RTP transmite, ao longo de uma semana, a série documental "Amália - Uma Estranha Forma de Vida", cinco episódios de uma hora, dirigidos por Bruno de Almeida, incluindo muitas imagens de arquivo provenientes dos cinco cantos do mundo e nunca antes exibidas em Portugal, entre as quais a estreia de Amália na TV americana, no programa de Eddie Fislier.Amália é homenageada num espectáculo na Gare Marítima de Alcântara, exibido em directo pela RTP.São editados pela primeira vez em CD Gostava de Ser Quem Era e Lágrima, completando a disponibilização em CD de todos os álbuns publicados por Amália na Valentim de Carvalho.Amália é a convidada inaugural do programa de variedades da RTP-1, "Noite de Reis", que pretende homenagear personalidades públicas nacionais.É editado Pela Primeira Vez - Rio de Janeiro 1945, CD que reúne as 16 gravações que Amália realizou no Rio de Janeiro em 1945 para a editora Continental.A Valentim de Carvalho edita em vídeo a série documental "Amália - Uma Estranha Forma de Vida", numa tiragem limitada a mil exemplares vendidos exclusivamente ao balcão das lojas Valentim de Carvalho.


1996
Pausa por doença grave.


1997
A EMI-VC edita o álbum Segredo, com um conjunto de gravações inéditas realizadas entre 1965 e 1975.Depois de 36 anos de casamento, morreu o seu marido César Seabra.


1998
Segredo é galardoado com um disco de platina por vendas superiores a 40 mil cópias.


1999
Amália Rodrigues morreu no dia 6 de Outubro, com 79 anos.

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Obrigado, Amália!

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domingo, 5 de outubro de 2008

A implantação da República...


No dia 5 de Outubro de 1910 foi implantada a república em Portugal.
Os movimentos implicados na revolução foram o Partido Republicano Português e a Carbonária (organização secreta que tinha como principal objectivo a deposição da monarquia), com o apoio de oficiais republicanos.
Cândido dos Reis, almirante da marinha de guerra, é a partir de 1908 o cérebro militar do 5 de Outubro. Na madrugada de 4 de Outubro, embora a revolução estivesse na rua, convence-se de que tudo está perdido e suicida-se.
Miguel Bombarda, médico e professor de doenças do foro psiquiátrico, pertence à carbonária e esteve também implicado na conspiração que levou à implantação da república. No entanto, é morto por um doente no dia 3 de Outubro.
Apesar destas baixas de última hora o movimento avança dirigido no terreno pelo comissário naval Machado dos Santos.
A revolução começa à 1 da madrugada na capital. De todas as acções levadas a cabo pelos revolucionários a mais espectacular e eficaz foi a do bombardeamento por parte dos navios "S. Rafael" e "Adamastor" do Palácio das Necessidades, onde o rei D. Manuel II estava presente. Um dos tiros fez mesmo cair o pavilhão real.
No final a revolução saldou-se por 76 mortos, 186 feridos civis e 122 feridos militares.
Foi José Relvas, membro do partido republicano, quem, da varanda dos Paços do Concelho de Lisboa, proclamou finalmente a república.
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terça-feira, 30 de setembro de 2008

Machado de Assis...


"Os nossos irmãos brasileiros, de que me sinto tão próximo, como brasileiro do coração, estão a celebrar a personalidade e a obra do escritor, que consideram o maior e mais importante da história literária do Brasil. O autor das Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Dom Casmurro e Quincas Borba, entre outros, consagrou-se como o maior escritor brasileiro de todos os tempos. Correspondendo, para os brasileiros, ao nosso Camões, Eça ou Pessoa e que comparam a Tolstoi ou Gustave Flaubert.
Na verdade, Joaquim Maria Machado de Assis, mulato, neto de escravos libertos e de ascendência portuguesa, como o nome indica, de origem humilde, nunca frequentou uma universidade e viveu, quase sempre no Rio de Janeiro, uma vida boémia - em que aprendeu imenso a observar as pessoas nas suas grandezas e misérias - mas também sem descurar a sua ascensão social, por via da literatura. O que conseguiu, incontestavelmente, apesar dos preconceitos da época.
Contudo, na vida cultural portuguesa, a personalidade literária de Machado de Assis é obviamente conhecida e admirada, mas não suficientemente. Apesar de um professor da Universidade Nova de Lisboa, Abel Barros Baptista, ter publicado, recentemente, dois interessantes livros sobre Machado de Assis, na editora Enicampo. Por tudo isso me atrevo a aconselhar a leitura de Machado de Assis às jovens gerações, tão actual como a do seu homólogo português Eça de Queiroz, um génio que escreveu na nossa língua comum e que nos ajudará a reforçar nos nossos espíritos a importância decisiva para Portugal do Brasil. Brasil e Portugal, os dois maiores pólos da CPLP, que não pode continuar a ser tão-só um instrumento para a expansão e conhecimento da língua portuguesa no mundo - de primeiríssima importância, aliás -, mas também uma comunidade de afecto, de solidariedade e de interajuda, que envolva as sociedades civis dos Estados membros."
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Mário Soares, DN, 30-9-2008
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sábado, 27 de setembro de 2008

Morreu o actor norte-americano Paul Newman...


"Faleceu esta madrugada o actor, realizador e activista humanitário Paul Newman. Vencedor de três Óscares da Academia e um dos maiores nomes de sempre do cinema, Newman perdeu a luta contra o cancro aos 83 anos.
O actor estava há vários meses na sua quinta em Westport, no estado norte-americano do Connecticut, onde lutava contra um cancro no pulmão. Em Maio, tinha abandonado planos para realizar uma nova película devido a problemas de saúde não especificados. Em 2007, anunciou o fim da sua carreira de actor.

Newman contava com um percursos de mais de 40 anos, marcado por desempenhos como o de Butch Cassidy & Sundance Kid. Trabalhou com Alfred Hitchcock, Martin Scorsese, os irmãos Coen, Elizabeth Taylor e Tom Hanks, entre outros.

Os olhos azuis de Newman faziam de si uma escolha ideal para desempenhar papéis românticos, mas o actor preferia ser o mau da fita, ou encarnar personagens mais complexas.

Foi nomeado para os Óscares dez vezes, vencendo três, incluindo dois prémios honorários.

Além de actor e realizador reconhecido pela crítica, Newman era ainda elogiado pelo seu trabalho humanitário. Fundou uma cadeia de restaurantes em que todo o lucro revertia para instituições de solidariedade social.

Até hoje, tinha dado 200 milhões de dólares para caridade e fundado vários campos de férias para crianças doentes de cancro.

Newman era também um apaixonado do automobilismo que participou em diversas corridas, conseguindo um segundo lugar em Le Mans em 1979.

Casou duas vezes, primeiro com Jackie Witte, depois com Joanne Woodward, e era um defensor da fidelidade conjugal: «Para quê comer um hamburguer fora, quando temos bife em casa?», declarou à Playboy nos anos 70.

Paul Newman, nascido no Ohio a 26 de Janeiro de 1925 numa família judaica de origem eslovaca, deixa duas filhas e um filho."
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in SOL online, 27-9-2008
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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Homenagem a Chaplin...


"Cinema: Geraldine Chaplin recorda em Lisboa perfeccionismo do pai e obsessão por Portugal.

Lisboa, 26 Set (Lusa) - A actriz norte-americana Geraldine Chaplin recordou hoje em Lisboa o seu pai, Charles Chaplin, como "um perfeccionista, um ditador artístico" que deixou como legado artístico aos oito filhos a dedicação e o trabalho árduo no cinema.

Geraldine Chaplin, 64 anos, está em Lisboa para ser homenageada no Lisbon Village Festival e para visitar a exposição "Chaplin in Pictures", feita a partir dos arquivos de família do realizador inglês.

Falando esta tarde aos jornalistas, depois de os cumprimentar com um generoso "Bom dia", Geraldine Chaplin partilhou memórias do convívio com Charles Chaplin e confessou que tem uma obsessão por Portugal, onde já rodou vários filmes.

"Tenho tido sempre experiências extraordinárias e Lisboa é de longe a cidade mais bonita da Europa", elogiou.

Recordou o trabalho com o realizador João Mário Grilo, quando rodou no Japão o filme "Os olhos da Ásia" (1996) e teceu largos elogios a "Body Rice", de Hugo Vieira da Silva, por ter ficado impressionada com a forma como o cineasta português fez "um filme brilhante".

Da ligação afectiva a Portugal, a actriz recordou ainda os tempos em que, no pós-25 de Abril, um polícia em Espanha a obrigou a despir uma camisola que tinha um cravo estampado e com alusões à revolução portuguesa.

Hoje, Geraldine Chaplin espera um dia de emoções fortes, já que inclui uma visita à exposição "Chaplin in Pictures", com cerca de 300 fotografias, cartazes, filmes caseiros e material de trabalho do seu pai, e uma homenagem à noite pelo Lisbon Village Festival com a exibição do filme "Cría Cuervos", de Carlos Saura, que protagoniza.

Sobre o seu pai, Geraldine Chaplin recordou alguém que "esteve sempre presente, mas nem sempre disponível", um homem de rigor e disciplina que ensinou "que é preciso saber aceitar a rejeição e criar uma pele de elefante".

A exposição, que estará patente no Palácio Pombal até 04 de Outubro, é, segundo Geraldine Chaplin, uma forma de fazer crer que "Charles Chaplin ainda está vivo" e que os seus filmes são uma forma de perpetuar a sua vida.

Geraldine Chaplin nasceu nos Estados Unidos em 1944, trabalhou com realizadores como Robert Altman, Alain Resnais, Jacques Rivette e Carlos Saura, com quem viveu.

A actriz afirma que foi o trabalho no cinema europeu que lhe deu prestígio e fama internacional, mas que nos tempos mais recentes é requisitada sobretudo para filmes de terror, desde que participou em "O orfanato".

Acabou de rodar um drama em Espanha e prepara-se para filmar um filme de terror no México.
O Lisbon Village Festival é um evento dedicado ao cinema digital, mas conta ainda com duas outras áreas de actuação: música e exposições.

A programação de cinema arranca no dia 29 nos Cinemas Campo Pequeno e Alvalade, com a competição oficial de longas-metragens e uma mostra de cinema espanhol.

Este ano, o Lisbon Village Festivl quer superar o número de espectadores, que em 2007 se cifrou em 12 mil entradas nas diferentes actividades do festival, entre exibições de cinema, concertos e exposições.

Além de Geraldine Chaplin outra das convidadas em destaque nesta edição é a actriz norte-americana Susan Sarandon, que estará em Lisboa na próxima terça-feira e que será alvo de um tributo."
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Lusa, 26-9-2008
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segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Morreu Moisés Ayash...

"Morreu ontem em Lisboa o antigo presidente da mesa da Assembleia Geral do Sporting, Moisés Ayash, vítima de doença prolongada. Ayash pertencia ao actual Conselho Leonino."

in Correio da Manhã online, 22-9-2008



Nota do editor deste blog:
Tive o privilégio de conhecer pessoalmente Moisés Ayash...Prestigiado sportinguista e, sobretudo, um grande ser humano...Vergo-me perante a sua memória.
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quinta-feira, 18 de setembro de 2008

MRPP - Breve historial no dia do seu 38º. aniversário...



"Antes de partir para o encontro da NATO em Bruxelas, em 28 de Maio de 1975, Vasco Gonçalves promoveu uma reunião do Conselho da Revolução – que decidiu calar para sempre o MRPP (Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado), dirigido por Arnaldo Matos.

A ofensiva contra a organização maoísta foi a resposta a um sequestro levado a cabo por um grupo de militantes chefiado por Saldanha Sanches. O MRPP, em 17 de Maio, sequestrou um oficial ‘comando’, Marcelino da Mata, guineense de etnia Papel, que serviu o Exército Português na guerra colonial integrado no Batalhão de Comandos Africanos. Marcelino da Mata foi entregue pelo MRPP à assembleia de soldados do RALIS e severamente torturado.

Nesse mesmo dia, Arnaldo Matos convocou uma conferência de Imprensa – e denunciou que o comandante Alpoim Calvão estava a constituir um exército clandestino em Espanha para atacar Portugal. Marcelino da Mata, segundo o MRPP, trabalhava para Alpoim Calvão. No dia seguinte, em acções de rua organizadas em Lisboa, Amadora e Santarém, o MRPP exije “justiça popular” sobre Jaime Neves e Salgueiro Maia. Ainda no dia 18, o MRPP manifesta-se ruidosamente junto à embaixada norte-americana a reclamar a expulsão do embaixador Frank Carlucci, antigo director da CIA.

O sequestro de Marcelino da Mata foi conduzido por forma a atirar as culpas para a ala militar afecta ao Partido Comunista. E as acusações a Jaime Neves e a Salgueiro Maia, ambos moderados, levaram a uma pública intervenção do capitão Matos Gomes, um dos mais influentes oficiais comunistas do Regimento de Comandos, em defesa dos dois militares.

O Conselho de Revolução, numa reunião em 27 de Maio, decidiu calar o MRPP. No dia seguinte, já Vasco Gonçalves estava em Bruxelas para o encontro da NATO, forças militares do COPCON, comandado por Otelo Saraiva de Carvalho atacam o MRPP: em 28 de Maio, foram presos 400 militantes do MRPP, na sua maioria estudantes, em Lisboa. Entre os detidos, Arnaldo Matos. Surgiu então, pintada nas paredes da capital, a célebre frase: “Libertação imediata do camarada Arnaldo Matos - o Grande Educador da classe operária”.

Arnaldo Matos conseguiu evadir-se do Hospital Militar, onde estava internado sob prisão. O partido, embora em dificuldades, conseguiu movimentar-se – e os militantes e dirigentes presos acabaram por ser libertados pouco tempo depois. O episódio da guerra aberta contra o MRPP demonstra, ainda, a inconstância política de Otelo Saraiva de Carvalho. O comandante do COPCON, a unidade militar na primeira linha da ofensiva que visou o MRPP, mantinha alguns encontros com Arnaldo Matos – e chegou a aconselhar Vasco Gonçalves, a encontrar-se com o líder maoísta.

Durante os meses que se seguiram à Revolução de Abril, Francisco Sá Carneiro, líder do Partido Social-Democrata (PSD) encontrou-se secretamente, por várias vezes, com Arnaldo Matos. Os encontros decorreram em casa do coronel Aventino Teixeira, conhecido como o “mais civil dos militares”, com amigos em todos os campos políticos, da direita à extrema-esquerda.

A ligação do militar a Arnaldo Matos é antiga. Conheceram-se na Faculdade de Direito, ainda antes de 1970, quando Aventino Teixeira, colocado na Escola Prática de Administração Militar (EPAM), no Lumiar, em Lisboa, resolveu ir estudar Direito. Nesse tempo, numa altura em que Arnaldo Matos era procurado pela PIDE, Aventino Teixeira teve artes e engenho para esconder o futuro “grande educador da classe operária” onde se sabia que a polícia política nunca o encontraria: no quartel.

Duas correntes agitavam então o MRPP. Uma, inspirada por Arnaldo Matos, definia o Partido Comunista como o principal inimigo político - era a “linha vermelha”. Outra, liderada por Saldanha Sanches, defendia uma aproximação aos comunistas – era a “linha negra”. O conhecido especialista em Direito Fiscal acabou por perder esta guerra e saiu do partido. Estava a cúpula dirigente do MRPP dividida entre a eleição do inimigo, quando do lado do PSD surgiu a sugestão para o primeiro encontro entre Sá Carneiro e Arnaldo Matos. O portador do convite foi Aventino Teixeira. A reunião decorreu em casa do militar, nos Olivais. E de que falaram os líderes do PSD e do MRPP? “Limitei-me a servir os whiskies” - dirá mais tarde Aventino Teixeira.

O certo é que Sá Carneiro, após estes encontros, passou a utilizar nos comícios expressões como “social-fascistas” e “social-imperialistas” – exactamente os mesmos adjectivos com que o MRPP habitualmente se referia ao Partido Comunista."




REVOLUÇÃO DIA A DIA

25 de Maio (1975) - Sá Carneiro, doente no estrangeiro, cede o lugar de secretário-geral do PPD a Emídio Guerreiro.

27 de Maio - Extrema-esquerda ocupa a Rádio Renascença - que, em vez da designação de emissora católica, passa a chamar-se Rádio Renascença ao serviço dos trabalhadores.

28 de Maio - Vasco Gonçalves participa em Bruxelas numa reunião da NATO. Ofensiva do COPCON contra o MRPP: é preso Arnaldo Matos e mais 400 militantes. Manifestação de apoio ao MFA, em Lisboa, convocada pelo PCP.





ARNALDO MATOS

O Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP) de inspiração maoísta foi fundado em 18 de Setembro de 1970, numa casa da Estrada do Poço do Chão, em Benfica, Lisboa. Os fundadores foram Arnaldo Matos, Fernando Rosas e João Machado (funcionário dos TLP).

Em 1969, Arnaldo Matos ganhou a Associação de Estudantes da Faculdade de Direito, à frente da lista da Esquerda Democrática Estudantil: derrotou então uma lista inspirada pelo PCP e encabeçada por Alberto Costa, actual ministro da Justiça.




ENCONTROS SECRETOS ENTRE O PS E O MRPP

Mas não foi apenas Sá Carneiro a sentir o fascínio e o apelo da extrema-esquerda. Também Mário Soares se encontrou várias vezes com Arnaldo Matos. O resultado destes encontros consubstanciou-se no apoio do MRPP ao PS em acções de rua e para travar o PCP em sindicatos e empresas.

Um dos encontros entre Mário Soares e Arnaldo Matos foi rodeado de aspectos anedóticos. Soares foi vendado e metido dentro de um carro que andou às voltas por Lisboa – para que ele não soubesse o local secreto onde iria avistar-se com o líder maoísta. Passou a existir uma estreita cooperação entre socialistas e maoístas, sobretudo quando o PS precisava de assanhados reforços para algumas acções de rua. Uma vez, os socialistas foram cercados na sede, em S. Pedro de Alcântara, por manifestantes do PCP e da UDP. A ajuda chegou pelo MRPP – que mobilizou uma verdadeira companhia de choque devidamente armada com barras de ferro. Após um monumental arraial de pancadaria, em que do lado maoísta foram disparados alguns tiros, os manifestantes do PCP e da UDP abandonaram vencidos o campo de batalha."

Manuel Catarino - CORREIO DA MANHÃ - 22.05.2005, reproduzido no blog: http://xatooo.blogspot.com/





Notas do editor deste blog:
1 - Fui um acérrimo activista do MRPP nos tempos do PREC (Período Revolucionário Em Curso).
2 - O texto acima transcrito, é o mais fidedigno que encontrei na net.
3 - O PREC ocorreu de 25/4/74 a 25/11/75.

A. João

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Jolie e Pitt dão milhões contra a SIDA...



"O casal de "superstars" norte-americanas Angelina Jolie e Brad Pitt ofereceu dois milhões de dólares para financiar operações de saúde na Etiópia, de onde é originário um dos seus filhos adoptivos, anunciou a organização beneficiada.


"O Global Health Committee (GHC) anuncia que receberá 2 milhões de dólares [1,4 milhões de euros] da fundação Jolie-Pitt para fornecer medicamentos vitais para os etíopes que sofrem do vírus da sida e de tuberculose", precisou esta ONG num comunicado.


"O dinheiro será utilizado para criar um centro para as crianças que sofrem de sida e de tuberculose na capital Addis Abeba e para ajudar a montar um programa destinado a tratar os casos de tuberculose resistente aos medicamentos e que afectam crianças e adultos", segundo a mesma fonte.


Um centro semelhante existe já no Camboja, também financiado pela fundação criada por Angelina Jolie e Brad Pitt.


"O nosso objectivo é transferir o sucesso que tivemos no Camboja para a Etiópia, onde as pessoas morrem de tuberculose apesar de ser uma doença curável, e de sida, que pode ser tratada", afirmou a actriz.


A clínica de Adis Abeba será baptizada com o nome de Zahara, a menina adoptada na Etiópia pelo casal e que tem agora três anos de idade.


"Esperamos que quando Zahara for mais crescida, ela assuma responsabilidades nesta clínica e continue a sua missão", explicou Brad Pitt.


No final de Junho, a fundação Jolie-Pitt ofereceu um milhão de dólares em prol da educação das crianças atingidas pela guerra no Iraque.


Brad Pitt e Angelina Jolie criam seis crianças, três das quais adoptadas e gémeos nascidos este Verão em França.


A acriz é embaixadora de boa vontade da UNICEF, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, enquanto o companheiro participou, designadamente, em acções de reconstrução no Luisiana (Sul dos Estados Unidos), depois da passagem do furacão Katrina no final de Agosto de 2005."

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in JN online, 16-9-2008

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domingo, 14 de setembro de 2008

Moinho da Apelação - O "meu" Moinho...




"O Moinho da Apelação é um moinho de vento do tipo mediterrânico situado na freguesia da Apelação, no concelho de Loures.

O capelo do moinho é móvel, permitindo orientar as velas em função da direcção do vento.

O Moinho da Apelação foi recuperado em 1998 e 2006, fazendo reviver as técnicas tradicionais de transformação do trigo em farinha e desta em pão. Não está em funcionamento."

in: http://pt.wikipedia.org/wiki/




segunda-feira, 8 de setembro de 2008

domingo, 31 de agosto de 2008

Manoel de Oliveira, prestes a fazer 100 anos de vida!

"Sinto cansaço apenas. De fazer a barba todos os dias, de levantar, vestir, tomar banho, pequeno-almoço, comer, mastigar, engolir. Tudo isso, essas coisinhas fáceis e corriqueiras mas que são sempre as mesmas. É sempre a mesma coisa, a mesma ordem, ver a televisão. Tudo isso é uma chatice".

Manoel de Oliveira, realizador de 99 anos, em entrevista. Diário de Notícias, 31/08/08, reproduzido pelo EXPRESSO online.



"Manoel Cândido Pinto de Oliveira (Porto, 12 de Dezembro de 1908) é um cineasta português, que viria a ser tido como o mais velho realizador em actividade no mundo, com trinta e duas longas-metragens."
in Wikipédia, a enciclopédia livre.

Murça - Crasto de Palheiros abre em Outubro...



"O Centro Interpretativo do Crasto de Palheiros, Murça, a porta de entrada do megamonumento calcolítico com cinco mil anos, vai ser inaugurado em Outubro. Estará aberto durante todo o ano, com visitas guiadas.

O presidente da Câmara de Murça, João Teixeira, disse à Lusa que o centro interpretativo, vai proporcionar visitas através de roteiros turísticos pelo povoado, lugar fortificado que foi ocupado no Calcolítico (Idade do Cobre) e na Idade do Ferro.

Há 5000 anos, o Crasto de Palheiros era uma imponente fragada natural, que ao longo dos anos foi recebendo diferentes populações pré-históricas com uma grande importância a nível político, económico, social e religioso.

O topo da colina sobranceira à localidade de Palheiros foi coberto por uma muralha e terraços de pedra visíveis a dezenas de quilómetros de distância, funcionando aparentemente como um espaço sagrado de concertação entre os inúmeros povos da região.

No centro interpretativo, edifício com a frente toda em vidro e em cujo interior se pode observar a parte da rocha da encosta, vão estar expostos alguns objectos descobertos no povoado e ainda cartazes com a história do monumento.

A concretização deste projecto custou cerca de 400 mil euros. Segundo João Teixeira, falta apenas realizar as obras de melhoria do acesso ao local, que ficarão concluídas durante o mês de Setembro. "Conjuntamente com o acesso e a desmatação do monte, podemos dizer que o investimento total neste monumento rondou os 600 mil euros". "
in Jornal de Notícias online, 31-8-2008

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Avião despista-se no aeroporto de Barajas, em Madrid...









"Um avião da companhia Spanair, com 160 passageiros (164 adultos e 2 crianças) mais 6 tripulantes a bordo, despistou-se no aeroporto de Barajas, em Madrid, por volta das 13:30 (hora de Lisboa) quando se preparava para descolar em direcção às Canárias."

in Sapo, 20-8-2008

SAPO: Confirmados 149 mortos no acidente de Madrid.
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EXPRESSO online: Os últimos dados oficiais apontam a existência de 151 mortes e 24 feridos, todos eles em situação crítica.
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Lusa: Desastre causou 147 mortos - oficial.
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SOL online: Confirmados 151 mortos no acidente de Madrid .
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PÚBLICO online: Apenas 28 pessoas terão sobrevivido ao acidente de avião em Madrid.
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Jornal de Notícias online: 147 mortos e 26 feridos no aeroporto de Madrid.


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El País (espanhol): Al menos 140 muertos en Barajas .
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terça-feira, 12 de agosto de 2008

domingo, 10 de agosto de 2008

Morreu Mahmud Darwich, poeta dos palestinos...

"A obra de Mahmoud Darwich é um exemplo não apenas do conflito entre as diferenças, mas também não nos faz esquecer a impressão geral de fazer de sua poesia uma filha de seu tempo. A poesia de Darwich é um eco do estado de urgência em que se encontra o povo palestino face à interrogação sobre as referências coletivas, sejam elas jurídicas, morais ou culturais. É exemplar enquanto abre espaço para a reflexão sobre a necessidade de compreender a diferença cultural como produção de identidades, para a reflexão de como o escritor imigrante/exilado expressa através de sua obra os “entre-lugares” e de como a sua escrita ultrapassa fronteiras, sejam elas culturais, geográficas, políticas ou sociais. Sua obra leva também à reflexão sobre o mundo contemporâneo e o papel do poeta como intelectual representativo de uma coletividade, a Palestina, no exílio. Colocado neste “entre-lugar”, como mediação entre culturas tão diversas e, ao mesmo tempo, aproximadas pelas trocas que caracterizam o mundo contemporâneo, o escritor faz incidir sobre sua escrita a reflexão tão atual sobre o papel e o lugar da literatura num mundo dividido e contraditório como o nosso, bem como o papel do intelectual, no dizer de Edward Said, como aquele que faz a opção por uma condição de exilado". "


Alexandra Silva Montes


"Mahmud Darwich, considerado por muitos como o poeta dos palestinos, morreu, este sábado, aos 67 anos, num hospital dos EUA. A Autoridade Palestina declarou três dias de luto nacional pela morte deste poeta.

Um dos maiores poetas do mundo árabe, por muitos considerado como o poeta dos palestinos, Mahmud Darwich, morreu, este sábado, aos 67 anos, num hospital de Houston, nos Estados Unidos, devido a problema cardíacos.

Darwich, tornou-se famoso em particular pelo seu poema «Identidade», de 1964, que falava da obrigatoridade do preenchimento de um formulário israelita e que se transformou num hino rpetido por todo o mundo árabe.

Este poeta, que estava em estado crítico na sequência de intervenção cirúrgica, nasceu na Galileia, em 1941, numa altura em que o território, agora parte do Estado de Israel, estava sob administração britânica.

Darwich, que fugiu para o Líbano após a sua aldeia ter sido arrasada na sequência da guerra israelo-árabe em 1948, escolheu o exílio nos anos 70, tendo partido para Moscovo e depois para o Cairo, onde estudou.

Mahmud Darwich aderiu depois à Organização de Libertação da Palestina voltou a ser obrigado ao exílio quando se encontrava em Beirute ao serviço da OLP durante o Verão de 1982.

Em 1993, demitiu-se da OLP em protesto contra os acordos de Oslo, tendo voltado a território israelita pela primeira vez após o seu exílio apenas em Maio de 1996.

Em particular, Darwich criticou a «mentalidade israelita de guetto» e a política israelita que, na sua opinião, impediu a criação de Estado palestino viável.

A Autoridade Palestina anunciou, entretanto, três dias de luta nacional pela morte de Darwich, cuja obra testemunhou os dramas do exílio e ocupação vividos pelo seu povo.

O presidente palestino, Mahmud Abbas, considerou que o poeta «incarnou a vontade palestina de liberdade e independência» e mostrou-se triste pela «perda de estrela que brilhva no firmamento cultural árabe»."
in TSF, 10-8-2008

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Parabéns, Eunice Muñoz !


Eunice do Carmo Muñoz, nasceu na Amareleja, no dia 30 de Julho de 1928, é uma actriz portuguesa de referência do teatro português e considerada uma das melhores de todos os tempos.


Faz, hoje, 80 anos.


Parabéns!

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"Horta do Zorate" é o blogue pessoal de Alberto João (Catujaleno), cidadão do mundo em autoconstrução desde 1958.