Destas mãos que falam, saem gritos d'alma, gemidos de dor, às vezes, letras com amor, pedaços da vida, por vezes sofrida, d'um iletrado escritor. Saem inquietações, também provocações, com sabor, a laranjas ou limões. Destas mãos que falam, saem letras perdidas, revoltas não contidas, contra opressões, das nossas vidas! (AJoão)

domingo, 2 de Novembro de 2008

Combater o frio com Lareira, Recuperador de Calor ou Salamandra...

Uma casa fria é desagradável. Uma lareira ou aquecimento central são opções possíveis. Um telhado bem instalado e janelas bem calafetadas são parte obrigatória da solução.



Lareiras e Lenha

Lareiras - A primeira decisão a tomar quando se pretende instalar uma lareira é escolher o tipo: aberta ou fechada, convencional ou com recuperador. As lareiras fechadas estão na sua grande maioria associadas a recuperadores de calor.

As lareiras abertas clássicas, as que são construídas por medida, possuem uma grande vantagem: são a expressão do nosso sonho. As desvantagens são, possivelmente, os custos de construção e os custos de consumo. Estes são em geral elevados, especialmente se a opção for por uma lareira alentejana, daquelas onde cabe quase toda a família.

É claro que se a opção for meramente decorativa, então nem sequer precisa de fazer conduta de fumos. Neste caso, conte com uma despesa a partir dos 200 euros. Nos outros casos, peça orçamento prévio.

Se pretende possuir realmente uma lareira tradicional, deve estar consciente de que a sua eficácia na irradiação de calor é inversamente proporcional à sua dimensão. Mas se a lareira servir apenas para a casa de férias ou de fins-de-semana, o investimento, pode ser mais reduzido, e a menor utilização que vai ter podem perfeitamente justificar esta opção.

Mesmo as lareiras clássicas podem incluir recuperadores de ar, bastando que, na altura da construção, se adapte na estrutura uma caixa de ar em chapa de aço, a partir da qual, por meio de condutas, se distribua o ar aquecido para os compartimentos contíguos.

Nas lareiras clássicas, existem as pré-fabricadas que apenas diferem das outras por terem três a quatro medidas-padrão e não se poderem personalizar, com, por exemplo, um vigamento em madeira na parte frontal.

Nas lareiras abertas há, ainda, a opção do metal. Existem lareiras metálicas padronizadas, quase objectos de design, e que cumprem excelentemente a função de aquecer.

Lenha - O tipo de lenha que se utiliza também é importante. Um cuidado a ter é o de nunca utilizar lenha verde. Liberta mais fumo, cheiros desagradáveis, provoca a acumulação de creosoto em demasia e liberta resina. Esta acumula-se na chaminé e, como se sabe, é extremamente combustível.

A lenha seca de azinho, sobreiro, oliveira ou carvalho é a mais recomendada. A lenha de pinho pode também ser utilizada mas arde muito mais depressa. A lenha de figueira, essa arde ainda mais depressa que a de pinho.

Comprar lenha na cidade já não é uma dor de cabeça. Desde as lojas de conveniência aos hipermercados, passando pelos fornecedores tradicionais, ou recorrendo aos fornecedores com endereço na Internet, existem múltiplas hipóteses. Nos hipers encontram-se sacos de 3 a 10 kg de lenha e sacos de 5 a 20 kg de briquetes, com uma variação de preços impressionante de região para região. É claro que sai mais barato comprar uma carrada de lenha, mas não esqueça que uma carrada, em linguagem habitual, significa uma tonelada. Se tiver local onde a armazenar, não hesite.





Recuperadores de calor
As lareiras com porta, ou fogões de sala, associadas a recuperadores de calor são, actualmente, as mais procuradas. Quem usa a lareira com regularidade e aproveita o calor produzido para aquecer o resto da casa obterá uma solução eficaz e mais económica que as lareiras normais.
João Chaves, da Cobral, um dos grandes importadores de lareiras, fogões de sala e salamandras da região da Grande Lisboa, tem várias recomendações a fazer sobre este tipo de equipamento. "A escolha do material e do instalador é primordial. Se, por exemplo, se comprar um recuperador de material fraco e este for instalado por um perito, obtém-se quase o mesmo resultado que se comprar um recuperador caro e este for instalado por um curioso." Ou seja, há que ter cuidado com as escolhas, até porque, como acrescenta João Chaves, "nem sempre o equipamento mais caro é o melhor".
Assim, há que saber primeiramente o tipo de utilização que se pretende, para se escolher o material em que é feito o recuperador. O ferro fundido apresenta, teoricamente, maior durabilidade que a fabricação em chapa de aço. Mas, no caso desta ser chapa de alta qualidade, a durabilidade pode ser quase equivalente à do ferro fundido. De qualquer modo, é bom reter a ideia de que um recuperador pode não durar toda a vida.
Para ter uma noção de custos, suponha que pretende instalar um recuperador, simples, apenas com aproveitamento do calor para as divisões adjacentes e que o vai instalar numa sala com 40 metros quadrados, sendo a opção por um recuperador em ferro fundido de fabrico nacional, instalado numa moldura estandardizada. Conte, no mínimo, com um gasto de 5000 euros e, pelo menos, quatro dias de obras para instalar o recuperador e construir a chaminé.

Telhado e vãos
No caso de vivendas sem sótão ou caixa-de-ar, a melhor solução para obter calor ambiente é isolar o telhado com subtelha e, se possível, com madeira. Dessa forma, não existirão perdas de calor, funcionando o telhado como uma superfície de reflexão do calor. Nas vivendas com caixa-de-ar entre o tecto e o telhado poderá ser aplicada uma camada de granulado cerâmico (Leca). Este tipo de aplicação evita que a humidade passe do telhado para o tecto, conseguindo que o calor que chega ao tecto interior seja reflectido, mantendo-se no interior da casa. Isto desde que não se opte por uma solução de subtelha.
A colocação da chamada subtelha em placas (Onduline) é prática e, por ser impermeável, assegura estanquicidade mesmo no caso de alguma telha se quebrar. Nos casos de restauros de telhados, a eficácia é acrescida porque as placas de subtelha se adaptam a estruturas deformadas, como sejam os vigamentos de madeira.
A subtelha permite também isolamento acústico. Como é imune à acção do gelo, não fissura com o tempo.


Salamandras

As salamandras são uma opção cada vez mais escolhida para aquecer casas. Os modelos de salamandras existentes à venda em Portugal podem ser classificados em cinco categorias, consoante a sua durabilidade.
As salamandras consideradas fracas são fabricadas em chapa de aço de 2 milímetros, sem protecção, e duram cerca de três anos, no máximo cinco. Os preços variam entre os 130 e os 400 euros.
As salamandras regulares são também fabricadas em chapa de aço, neste caso de 4 milímetros, também sem protecção. Custam entre 300 e 900 euros e duram entre 7 a 15 anos.
A classificação média recai sobre as salamandras de chapa de aço de 4 milímetros, mas com protecção de tijolo refractário. Duram de 20 a 30 anos e podem custar de 400 a 3500 euros.
As boas salamandras são de ferro fundido simples. A sua durabilidade é sempre superior a 20 anos e os preços situam-se entre os 250 e os 1000 euros.
As muito boas salamandras são também de ferro fundido com protecção dupla. Duram habitualmente um século e podem custar entre 500 e 1500 euros.
A primeira conclusão que se pode retirar desta classificação é a de que nem sempre as mais caras são as melhores.
O combustível a utilizar nas salamandras pode ser de três tipos: lenha, carvão ou pelets. As salamandras de lenha e carvão obrigam a uma conduta de fumos vertical, de saída acima do telhado e com secção suficiente para uma boa exaustão.
As salamandras alimentadas a pelets (argamassa prensada de aparas de madeira e serradura) são de alimentação automática, permitem uma conduta de fumos horizontal através da parede e a produção de fumo é mínima. Além disso, a armazenagem do combustível é mais fácil, uma vez que é vendido em sacos. Tanto as de ferro fundido como as de chapa de aço podem possuir superfícies vidradas. Mas nas de chapa de aço existem modelos com forno incorporado, facto que pode ser preponderante na escolha se a salamandra for instalada numa casa de campo, bem próxima da cozinha.

Cuidados
Prevenir, diz o ditado, é melhor que remediar. Com as lareiras, fogões de sala e salamandras há que observar algumas regras, ou normas de conduta.
A colocação da chaminé da lareira ou da salamandra, e respectivas condutas, são dos elementos mais importantes para o seu bom funcionamento. Se a conduta for estreita, estrangula a saída de fumos e estes serão reenviados para a sala. Se a chaminé estiver próxima de um elemento mais alto (casa ou árvore), poderá também provocar a reentrada de fumo.
Ao acender uma lareira, os gases e fumos que sobem pela chaminé deixam nas paredes uma substância cristalizada chamada creosoto. Com a utilização frequente da lareira, essa substância altamente combustível acumula-se, criando o ambiente ideal para um incêndio na chaminé. A melhor forma de evitar qualquer risco é proceder a uma limpeza anual da chaminé.
Apesar de, em Portugal, as seguradoras ainda não o exigirem, é comum na Europa, a norte dos Pirenéus, só fazerem seguro para casas com lareira (ou só o renovarem) mediante certificado de limpeza anual da chaminé.Uma empresa de limpa-chaminés poderá cobrar entre 30 e 50 euros para efectuar esse serviço. Não esqueça que reparar uma chaminé de lareira por motivo de incêndio custará decerto muito mais, especialmente se a chaminé passar por uma divisão superior da casa.
Também poderá encarregar-se pessoalmente da limpeza. As firmas vendedoras de lareiras costumam vender os acessórios necessários. Um escovilhão de limpeza com os respectivos cabos ronda os 50 euros.
No caso das salamandras e dos recuperadores, nunca se deve apagar o fogo com água sob pena de fissurar o ferro fundido. No caso de serem de chapa de aço, utilizar água para apagar o fogo leva a que se criem pontos de ferrugem e um envelhecimento precoce dos materiais.

1 comentário:

Alba Heating disse...

Bom post.

Veja o blog http://aquecimentosalamandras.blogspot.com/

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"Horta do Zorate" é uma espécie de jornal online, partidariamente não alinhado e politicamente incorrecto, por vezes a pisar o risco do mau gosto. Editado por Alberto João (Catujaleno), cidadão do mundo, fazedor desencostado, em auto-construção há 55 anos.