Diz a lenda que D. João V, quando passava pelo Campo Grande, em Lisboa, encontrava sempre um pobre velho, que pretendia entregar-lhe um memorial.
O rei magnânimo, porém, não se dignava atender o suplicante.
O desgraçado, que vivia num mísero cubículo onde tudo faltava, forçado a só dizer duas palavras, balbuciou:
— Enregelo, asfixio.
Ao que o rei, sem tomar na devida conta o respeito pela desgraça humana, retorquiu:
— Lume e ar.
Daí em diante, o pobre homem repetia sem cessar a resposta seca de D. João V, a ponto de as palavras régias darem o nome ao local, que se ficou assim chamando Lumiar.




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