Destas mãos que falam, saem gritos d'alma, gemidos de dor, às vezes, letras com amor, pedaços da vida, por vezes sofrida, d'um quase iletrado escritor. Saem inquietações, também provocações, com sabor, a laranjas ou limões. Destas mãos que falam, saem letras perdidas, revoltas não contidas, contra opressões, das nossas vidas! (Alberto João)

terça-feira, 4 de junho de 2024

A LENDA do LUMIAR



Diz a lenda que D. João V, quando passava pelo Campo Grande, em Lisboa, encontrava sempre um pobre velho, que pretendia entregar-lhe um memorial.
O rei magnânimo, porém, não se dignava atender o suplicante.
Um dia, um fidalgote da sua camarilha disse-lhe que o pobre homem apenas pretendia dizer-lhe duas palavras, ao que D. João V acedeu ordenando, contudo, que o pobre não fosse além da concessão, isto é, só duas palavras proferisse.



O desgraçado, que vivia num mísero cubículo onde tudo faltava, forçado a só dizer duas palavras, balbuciou:
— Enregelo, asfixio.
Ao que o rei, sem tomar na devida conta o respeito pela desgraça humana, retorquiu:
— Lume e ar.
Daí em diante, o pobre homem repetia sem cessar a resposta seca de D. João V, a ponto de as palavras régias darem o nome ao local, que se ficou assim chamando Lumiar.



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"Horta do Zorate" é o blogue pessoal de Alberto João (Catujaleno), cidadão do mundo em autoconstrução desde 1958.