Destas mãos que falam, saem gritos d'alma, gemidos de dor, às vezes, letras com amor, pedaços da vida, por vezes sofrida, d'um iletrado escritor. Saem inquietações, também provocações, com sabor, a laranjas ou limões. Destas mãos que falam, saem letras perdidas, revoltas não contidas, contra opressões, das nossas vidas! (AJoão)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Afinal, quantos Otelos existem?


'Otelo: precisamos de um homem honesto como Salazar'


Texto e foto in DN online, 21-4-2011


Notas do Zorate:

Conheço Otelo Saraiva de Carvalho.

Melhor dizendo: conheço vários Otelos.

A saber:

1 - Conheço o Otelo, capitão de Abril, estratega da Revolução, e a quem os portugueses devem, também, a liberdade.

2 - Conheço o Otelo que um ano depois da Revolução dos Cravos (28-5-1975) na altura comandante do COPCON, em obediência a Barreirinhas Cunhal, mandou prender, abusivamente, sem qualquer mandado judicial, cerca de 400 membros (eu incluído) do MRPP, que cometiam o grave "crime" de fazer frente aos social-fascistas do PCP, principalmente no movimento estudantil.

3 - Conheço o Otelo que - já em ruptura com o PCP - se candidatou à presidência da República, contra Eanes apoiado por PS, PSD e MRPP, e contra Octávio Pato do PCP.

4 - Conheço o Otelo que por volta de 78/79 disse a um grupo de amigos (eu incluído) que era preciso fazer o 50 de Abril (numa alusão a 25 Abril X dois), e que da próxima vez os Pides e Fascistas não seriam poupados. Foi numa reunião algures no Campo Grande, perto da casa de Mário Soares. Quando fui convocado para essa reunião, foi-me dito que era secreta porque Otelo ainda fazia parte do quadro militar, e estava impedido de participar em reuniões de carácter politico. Tanto que me pediram para esperar em determinado local em Entre-Campos, Lisboa, com um determinado jornal debaixo do braço. Assim fiz, e à hora marcada, apareceu alguém que me levou para a tal reunião secreta. Depois participei em mais duas ou três reuniões deste tipo. Sempre secretas. Até que um dia me apercebi que estava a ser preparado algo contrário ao meu pensamento politico, e saltei fora. Sempre me conheci um humanista, e por muito radicais que sejam as minhas ideias, nunca me passou pela cabeça impô-las através da eliminação física de pessoas. Soube mais tarde que tinha participado, SEM QUERER E SEM SABER, no embrião fundador do Projecto Global, liderado por OSCAR (Otelo Saraiva CARvalho), com várias componentes, sendo uma delas a ECA - Estrutura Civil Armada (FP-25). Só em 2005, através da leitura do livro 'Viver e Morrer em nome das FP-25', é que eu percebi o meu verdadeiro envolvimento numa coisa contrária à minha postura de cidadão. Quando Otelo e grande parte dos membros das FP-25 foram presos, já eu era militante do Partido Socialista há uns 5 anos. Abordado pela Policia Judiciária, não tive grande dificuldade em provar que não tinha nada a ver com aquilo que aquela gente tinha feito.

5 - Conheço o Otelo que se referiu a mim como "o burguês traidor" quando me viu no seu julgamento em Monsanto. Fui ali na qualidade de testemunha abonatória de uma amiga que eu, SEM QUERER, acabei por envolver no Projecto Global, ao levá-la a uma das reuniões que refiro no Ponto 4. O parvo do Otelo, chamou-me "burguês traidor", vejam bem, porque eu era sócio-gerente, na altura, de duas boutiques de moda e de uma pequena fabriqueta de confecções. Negócios que montei com dinheiro dos Bancos, mas conseguido através de Letras assinadas por mim e por meus avalistas, e não com a G-3 na mão e meia enfiada na cabeça!

6 - Conheço o Otelo que há dias disse: 'Se soubesse como o País ia ficar, não fazia a revolução' (DN online, 13-4-2011).

7 - Fiquei hoje a conhecer o Otelo Salazarista. Sim, Salazarista! Porque se a ideia era dar um exemplo de alguém honesto, não precisava de ir a Santa Comba Dão desenterrar aquele fantasma!


Afinal, quantos Otelos existem?


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"Horta do Zorate" é um blogue pessoal, editado por Alberto João (Catujaleno), cidadão do mundo, fazedor desencostado, em auto-construção há 59 anos.