Destas mãos que falam, saem gritos d'alma, gemidos de dor, às vezes, letras com amor, pedaços da vida, por vezes sofrida, d'um iletrado escritor. Saem inquietações, também provocações, com sabor, a laranjas ou limões. Destas mãos que falam, saem letras perdidas, revoltas não contidas, contra opressões, das nossas vidas! (AJoão)

domingo, 17 de abril de 2011

Foi dito por Francisco Mendes, director distrital de Santarém da candidatura de Fernando Nobre à presidência da República:


'Ficou agora mais difícil que os portugueses tenham ânimo para intervir fora dos partidos com o seu contributo essencial'


«Já por algumas vezes aqui tenho partilhado convosco questões sobre o comum que é apanharmos desilusões com pessoas a que nos ligamos na nossa vida e em quem, por um ou outro motivo, acreditamos inteiramente, consideramos, gostamos e defendemos.


- Francisco Mendes -


Como à partida, e até prova em contrário, acredito sem preconceitos nas pessoas (e quero continuar a ser assim) esse desânimo já se tem dado comigo diversas vezes.

E, por mais que já estejamos habituados à situação, custa sempre muito.

Certamente que também têm experiência própria de situações destas passadas convosco directamente, mais ou menos vezes.

Mas esta questão vem agora a talho de foice, a propósito da decisão recentemente tomada pelo Dr. Fernando Nobre de aceitar o convite de Passos Coelho para ser candidato a deputado por Lisboa à Assembleia da República e a ser mesmo o seu Presidente, caso o PSD ganhe as eleições.

Quero dizer-lhes que quando no passado domingo ao início da tarde isso foi divulgado no Facebook, primeiro por Passos Coelho e só depois pelo próprio Fernando Nobre, a surpresa foi para mim tão grande como a que certamente tiveram.

Como sabem, fui director de campanha da candidatura presidencial do Dr. Fernando Nobre no distrito de Santarém e, como muitos também sabem, as minhas opções partidárias poderiam levar até a que a sua decisão me agradasse. Mas a coerência e valores falam mais alto e espero bem que assim seja sempre.

Pensei primeiro não fazer qualquer comentário público sobre a questão. Mas depressa senti que não devia nem podia agir dessa forma. Não podia desrespeitar todos os que no nosso distrito votaram na candidatura em que tanto me empenhei, remetendo-me agora a um bem confortável silêncio.

Fiz o melhor trabalho que pude e soube fazer. O mesmo fizeram os restantes elementos da nossa distrital e das diferentes concelhias. Sei que isso foi reconhecido quer no distrito, quer fora dele. Estive incondicionalmente e com grande convicção ao lado do Dr. Fernando Nobre. Dispusemos de muito do nosso tempo e dinheiro para o acompanhar, muitas vezes com o prejuízo das nossas famílias e empregos e empresas, mais ainda numa altura que a situação de muitos já estava complicada. Mas não me arrependo nem um minuto de o ter feito.

No entanto, tenho que lhes dizer que não posso concordar nem um pouquinho com a forma como tudo isto se desenrolou.

Não pela decisão em si. Essa só por si, teria de ser por mim encarada como uma opção pessoal e soberana, como Fernando Nobre gosta de dizer. E poderia vir ou não a concordar com ela.

Mas o que não posso aceitar de bom grado é que tenha dito sempre desde as eleições até final de Março pelo menos, em reuniões privadas e mais ainda aos órgãos de comunicação social, que nunca participaria em qualquer partido político, que nunca teria qualquer cargo político de índole partidária e que nada nem ninguém o demoveria disso, e que poucos dias depois tomasse uma decisão completamente antagónica. Pelo cargo negociado, nem sequer colhe o facto de a situação do país exigir uma mudança de atitude como poderia acontecer se de um cargo ministerial tratasse.

E ainda menos posso aceitar que com esta posição apressada tenha abalado em poucos minutos o desabrochar da Cidadania de cariz não partidário, tão necessária ao nosso país e que com ele tão bem se iniciou. Começar é mais fácil do que recomeçar. Ficou agora mais difícil que os portugueses tenham ânimo para intervir fora dos partidos com o seu contributo essencial.

Mas, por difícil que seja, as contrariedades, os tropeções, devem é dar-nos a todos mais e mais força ainda para prosseguir. Agora sem Fernando Nobre, é claro. É isso que sinto e era isso que gostaria que conseguissem sentir também.

Um abraço e até para a semana.»




Notas do editor do blogue Horta do Zorate:
Esta crónica foi difundida pela Rádio Pernes no dia 14 de Abril de 2011.
O seu autor, Francisco Mendes, cedeu gentilmente o texto, e autorizou esta publicação.
Imagem de Francisco Mendes in Facebook.

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"Horta do Zorate" é um blogue pessoal, editado por Alberto João (Catujaleno), cidadão do mundo, fazedor desencostado, em auto-construção há 59 anos.